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Inferências

ESCREVE O QUE TE VAI NO CORAÇÃO...Um rosto convidado...Francisco Alves
BATIMENTOS DO CORAÇÃO E DA VIDA

Estou de alguma forma ligado ao Barreiro, não sendo aqui nascido nem criado, por uma razão fundamental para a vida das pessoas, o Trabalho. O meu primeiro emprego foi na MOMPOR já há mais de 47 anos, em Fevereiro de 1974, ano do 25 de Abril.

5 min de leitura
ESCREVE O QUE TE VAI NO CORAÇÃO... Um rosto convidado...Francisco Alves BATIMENTOS DO CORAÇÃO E DA VIDA

Por Jornal Rostos

Ao falar do 25 de Abril, naturalmente que o batimento do coração acelera e vêm à memória, não frases batidas, mas toda uma experiência de liberdade que logo se começou a viver na fábrica onde discutimos em plenário a criação da primeira Comissão de Trabalhadores que teve representantes de todos os extratos profissionais (operários; administrativos e quadros técnicos). Exigimos de imediato o aumento dos salários, fizemos alguns saneamentos dos lacaios do patronato, alteramos rapidamente procedimentos e práticas que romperam com o carácter opressivo e repressivo das anteriores regras impostas pelo fascismo.

No fundo os operários e demais trabalhadores ganharam consciência da sua força, tomaram a palavra e agiram a favor da sua classe.
Hoje quando a guerra colonial e o racismo voltam ao debate a propósito da morte dum malfadado “herói do fascismo”, o coração não me deixa de lembrar que foi o 25 de Abril que me tirou o peso terrível de decidir se “fugia à guerra” ou ia “bater com os costados” no ultramar, como milhares de jovens eram até então obrigados a fazê-lo.

Partilho estas vivências, lembrando todos os homens e mulheres com que em conjunto vamos lutando para mudar a sociedade e muitos/as eram e são do Barreiro.

É pois com humildade e satisfação, envolto nas voltas que a vida dá, que me encontro a viver nesta Cidade, onde na Assembleia Municipal, procuro defender da melhor forma que consigo os interesses da população.

É com emoção e coração que vos falo, muito brevemente, agora dum acontecimento que se arrasta sem resolução há mais de cinquenta anos, mais precisamente desde 1969, primeiro era para ser em Rio Frio, depois na Ota, mais tarde em Alcochete e que mais recentemente nos veio bater ainda mais ao pé da porta. Sim, claro estamos a falar do chamado Aeroporto Complementar no Montijo.

Como todos sabem este é um tema fraturante entre as diversas forças políticas a nível nacional e aqui no Concelho do Barreiro também, onde o atual executivo camarário e o PS defendem o Montijo, acompanhados do PSD.

Na defesa da população e do ambiente o Bloco de Esquerda promoveu em 26 de Fevereiro de 2019, um debate de atualidade na Assembleia Municipal, onde defendeu a realização duma Avaliação Ambiental Estratégica (AAE), solução que finalmente o governo se vê obrigado a adotar. O povo na sua sabedoria diz que “mais vale tarde que nunca” o que neste caso se aplica na perfeição.
Saudamos a boa notícia do Aeroporto do Montijo voltar à estaca zero, mas a razão e a prudência leva-nos a não baixar a guarda face às (más) intenções do governo em promover uma alteração legislativa que retira competências às autarquias e lhe permita impor um aeroporto no Montijo à medida dos interesses da Vinci.

Nestes tempos de pandemia as mulheres viram aumentar a pressão no domínio da conciliação entre a vida pessoal, familiar e profissional. Perderam mais emprego, são afetadas pela redução de horários, o “trabalho não remunerado” que envolve as tarefas domésticas e assistência aos filhos ou a outras pessoas a cargo aumentou para as mulheres e a violência doméstica é uma realidade crescente.

São estas realidades da vida que aumentam os “batimentos” vindos do Coração e da razão, por isso a 8 De Março, Dia Internacional da Mulher, quero manifestar a minha solidariedade com todas as Mulheres que lutam todos os dias por uma sociedade mais igual, mais justa e sem quaisquer tipos de discriminações.

Barreiro, 7 de Março 2021
Francisco Alves

NOTA
ESCREVE O QUE TE VAI NO CORAÇÃO...

Esta rúbrica - ESCREVE O QUE TE VAI NO CORAÇÃO... UM ROSTO CONVIDADO... -visa abrir um espaço de partilha de ideias, cultivar a democracia, valorizar a pluralidade.
A nossa proposta é simples. Um convite com um desafio: escreva o que quiser, sobre o que entender, partilhe opinões, diga o que vai no seu coração.
Criar uma rúbrica que contribua para o debate de ideias, troca de opiniões. Fazer Cidade. Fazer região. fazer país. Fazer Europa. Fazer mundo. Fazer Cidadania.
Márcia Calafate aceitou o desafio de ser a primeira a escrever nesta nossa rúbrica que desejamos possa contribuir para nos ajudar a sentir e pensar o tempo que vivemos. Obrigado à Marcia Calafate por ter aceite o convite. Continuou Luciano Barata.
Hoje escreve Francisco Alves, líder do BE na Assembleia Municipal do Barreiro

Entretanto, referir, outros convidados que aceitaram este nosso desafio. Em breve publicaremos os seus textos. Esta rúbrica vai ser permanente. E desejamos que possa ser um ponto de encontro com as palavras que nascem no coração.

Próximos Rostos convidados, que aceitaram o desafio:

. Pedro Vasconcelos Almeida, Vice-Presidente da Distrital de Setúbal da Juventude Socialista e Secretário Nacional da JS.
. Emanuel Gois, Advogado e escritor
. Rui Pedro Dâmaso, Dirigente da Associação Cultural OUT.RA e dinamizador do Festival OUT.FEST
. Carlos Bicas, da associação VULTOS
. Gonçalo Boffil, Jornalista
. Pedro Aráujo, Músico
. Rute Pio Lopes, Sociologa, Poetisa

É tempo de dialogar. É tempo de dar a palavra à cidade.
Obrigado aos que aceitarem ser uma voz viva e activa neste tempo que, de todos nós, exige uma enorme força de vontade de ser e agir.

S.P.

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