ESCREVE O QUE TE VAI NO CORAÇÃO...Um rosto convidado...Emanuel Góis
E é assim que dou comigo a “ouvir o coração”…
Assim me desafiou o António, o nosso, o Sousa Pereira, porque se fosse o outro, muito haveria a dizer.
Mas, este, que faz parte mais directamente das nossas vivências – há quem goste, quem não goste, como tudo na vida - lá apareceu com mais uma das suas ideias, saudáveis, diga-se, de por alguns de nós a “ escreve o que te vai no coração”.

Por Jornal Rostos
A verdade, é que o conseguiu. E como? Através do seu, do “nosso” - rostos on line-.
E chegado aqui, aproveito para deixar já uma mágoa “ que me vai no coração”.
Como foi possível uma colectividade que se proclama de gente culta e lutadora pela valorização e elevação do conhecimento, sociabilidade e diálogo – que os há, ainda, felizmente, alguns – deixou perder duas estações de rádio local e dois jornais, sem que alguém fizesse algo ou, pelo menos, tivesse fingido não ter dado por isso? Eram privados? Pois, também o “rostos on line” o é. E eu sei o que é ter “estômago” para algumas indigestões, capacidade de sacrifício e euros para sobreviver em águas por vezes turvas, sempre agitadas, consoante as marés e os ventos.
Enfim, uma das coisas que me ocorreu dizer e “ me vai no coração ” no que à vida local respeita.
Aliás, será a única a que me vou referir, especificamente, neste apontamento, porque outras – e muito haveria a dizer – ficarão, ou, não, para “quando o coração me chamar”.
Porém, aproveitando, devo fazer uma declaração de princípio.
Aceitei o desafio do Sousa Pereira, mas não sou muito dado ao “escreve o que te vai no coração”.
Talvez, por que, enquanto ainda jovem, tomei conhecimento do primeiro transplante do coração pelo cirurgião sul africano Christian Barnard no já longínquo ano de 196 7 (3 de Dezembro) ainda que, infelizmente, o paciente tenha tidoa penas18 dias devida, mas que, a partir daí muitos foram os que, no entretanto, conheceram o êxito.
E recordo, neste preciso momento, o nosso Salvador Sobral, que me leva a interrogar; com o coração que tem de outro - e que assim seja por muitos e muitos anos – qual o “coração” do Salvador que nos “canta”?
Destarte, aceitando, embora, o enraizamento secular da expressão e conceito “ o que te vai no coração” ,para mim, tudo é cerebral.
Aliás, assim o explica a ciência e a psicologia, creio eu. “ É no cérebro que tomamos consciência da dor, independentemente da localização da lesão”.
Mas, melhor conselho será evitar enveredar por caminhos ocultos, para os quais me falta arte, engenho e sabedoria, que é como diz o povo - «Não suba o sapateiro além da chinela».
E é assim que me ocorre dizer, agora em concreto, de cariz actual e de âmbito mais geral, o que “ me vai no coração “ independentemente do que trago guardado, sejam momentos marcantes da vida profissional, económica, social ou, até, política.
Como sói dizer-se, para quem passou pela vida e não foi esta quem ele passou, assim serão tantos esses momentos, quantas as velas que vamos apagando em cada bolo.
E é assim que dou comigo a “ouvir o coração”…
Portugal encontra-se a exercer a presidência da união europeia durante este primeiro semestre de 2021.
Naturalmente, tal exercício exige um esforço acrescido de todos os nossos governantes.
Mais importante até, o enaltecer do orgulho pátrio de tão honrosa distinção e compromisso em sermos reconhecidos pelos nossos pares europeus, apesar de país tão pequeno e de reduzida população.
E, então, penso:
Bruxelas entrega assim, de mão beijada, a governação europeia a este minúsculo rectângulo de terra localizada na ocidental Europa?
E não duvidei um segundo. Obviamente. Eles sabem bem que somos um país de uma vasta equipa de competentíssimos gestores e distintos assessores e, não sei até, em boa verdade, se comparável com qualquer outro país da União.
Efectivamente, temos 1 Presidente da República, 230 Deputados, 24 Conselheiros de Estado, 20 Ministros, 50 Secretários de Estado,
308 Municípios, 278 no Continente, 11 na Madeira e 19 nos Açores, 3 092 Freguesias de Portugal, encontrando-se distribuídas pelo Continente (2 882), Região Autónoma dos Açores (156) e Região Autónoma da Madeira .
Daqui resulta que temos no total, 35 561 autarcas, sendo 27 026 presidentes de junta de freguesia ou membros de assembleia de freguesia, 2074 são presidentes de câmara ou vereadores e 6461 são membros da assembleia municipal.
Para além desta equipa que zela pelos interesses do país e dos seus cidadãos, contam-se, ainda,110 Observatórios e 579 Fundações;
Por isso, sem necessidade de mais argumentos, concluí sobre a razão dessa confiança.
Consequentemente, não alinho na contra informação de que foram criadas à pressa algumas empresas e, em dias e poucas semanas, depois, estavam a facturar muitos milhares de euros em contratos com o Estado adjudicados por “Ajuste Directo” para compra de fatos e vestidos, chocolates, vinhos e mais e mais outras coisas, etc., etc…
Então, pretendem esses maldizentes que não sejamos bons anfitriões e que não deixemos boa impressão, ao mesmo tempo que desenvolvemos a nossa economia, quando nos preparemos para receber o bélico vocábulo “Bazuca” dos milhares de milhões e não confiemos nos gestores políticos e seus adjuntos?
Cada vez que me lembro que em Portugal, no que concerne à nossa “pujante” economia, que existem 1.295.299 empresas, 99,9% das quais são PME, isto é, micro, pequenas e médias empresas — as quais empregam menos de 250 pessoas e cujo volume de negócios anual não excede €50 milhões e que dentro destas PME, ainda temos as micro empresas, que representam 96% do total das empresas portuguesas — empresas com menos de 10 pessoas e cujo volume de negócios anual e/ou balanço total anual não excede € 2 milhões, dá para perceber, não dá?
Mas, termino, com este desejo que “me vai no coração”.
Só espero que após a governação europeia e se vier outra vaga pandémica - lagarto, lagarto - não venha este empreendedorismo agora surgido, também sugar subsídios para depois fecharem a porta, por falta de…mercado e “bazucadas”.
Barreiro, 9 de Março de 2021*
*o autor deste texto não escreve pelo novo “acordo ortográfico”
Emanuel Góis













