ESCREVE O QUE TE VAI NO CORAÇÃO...Um rosto convidado...Joaquim Paulino
Vontade de tudo fazer...
Tanta coisa, tantos receios, alegrias, tristezas e confesso; alguns sonhos.
Este coração que há pouco tempo, eu considerava imortal, traiu-me, e por breves momentos, deixou de bater. Fiz duas viagens ao desconhecido, que não me mostraram coros celestiais, nem nenhum escuro túnel. Não vi nada, não senti nada, apenas um vazio imenso onde me recusei a ficar.

Por Jornal Rostos
Dizem os que assistiram, que me viram tranquilo e com uma expressão facial que transmitia paz de espírito e resignação, contrastando com a agitaçao e a luta, daqueles que me arrancavam das garras da morte.
Mas não estava escrito que seria esse o tal dia...
O que é certo, é que nada ficou igual ao que era, até esse momento, quase fatal.
Ganhei medos, cobri-me de inseguranças e perdi aquela ideia de " imortalidade".
O meu coração, morreu pela metade, agora só bate, também pela metade. Convenci-me que tenho agora, apenas meia imortalidade.
Nestas alturas, invade-nos uma sensação de impotência e ficamos muito frágeis, olhamos para aqueles que amamos, e vêm nos as lágrimas aos olhos, a pensar se este coração não nos irá trair de novo.
É isto que me diz o coração... na realidade ouço-lhe o bater mais fraco, mais cansado e aí, encho-me de coragem e sussurro-lhe, que me deixe viver mais um tempo, que me deixe desfrutar a companhia daqueles que amo, que me permita ser marido, pai e avô, destes seres maravilhosos que a vida me ofereceu. Este coração, que antes batia cheio de vigor, que me concedia paixões gigantes, a quem eu tinha de resfrear nas suas loucas cavalgadas.
Este coração, já não existe...existe apenas a vontade de tudo fazer, para que ele, continue a bater, mesmo que seja, muito devagarinho...
É isto que me diz, o meu cansado coração!
Joaquim Paulino













