ESCREVE O QUE TE VAI NO CORAÇÃO...Um rosto convidado...José Marques Oliveira
Uns de verde, uns de branco e alguns de azul.
Não podia estar em melhor local, para de imediato, ter um tema que me preocupa, talvez sem fundamento, mas que me parte o coração.

Por Jornal Rostos
Moro na zona do Hospital Novo, de onde vejo um descampado, que em tempos, não fosse a indignação dos residentes da zona, seria hoje uma estação de combustível. Tal não aconteceu e o descampado continua a servir de estacionamento.
É agradável sentir a zona viva com o rodopio de carros a estacionar no tempo dos caracóis, mas, desde que a pandemia chegou, o rodopio abrandou.
Agora os carros chegam, quase todos ao mesmo tempo, saem condutores com roupas de corte idêntico, mas de cores diferentes, uns de verde, uns de branco e alguns de azul.
No tempo da chuva, fazem uma gincana com os carros e depois uns passos de dança até alcançar o alcatrão. Percorrem 300 a 400 metros e entram no seu local de trabalho, não sem antes percorrerem um parque de estacionamento enorme, moderno, bem marcado e também vazio.
Não sei quantas horas estes profissionais de saúde vão trabalhar (8, 12, 24 horas). Durante o dia, vão sentir o carinho daqueles que necessitam deles. Na televisão, já não existem palavras no dicionário para lhes agradecer e apoiar no que ainda falta ultrapassar. Localmente, não escapa uma sessão de Câmara ou Assembleia Municipal, onde também são justamente lembrados pelo contínuo empenho nas suas funções.
Mas, no final do dia, voltam a percorrer um dos maiores parques de estacionamento do concelho, atravessam a estrada a pé e, com ou sem gincanas, e chegam aos seus carros.
Acredito que seja uma opção destes profissionais de saúde. Eu, por precaução, vou apenas olhar com tranquilidade, da minha janela, o Tejo lá ao fundo caso não veja fardas verdes, brancas ou azuis.
José Marques Oliveira













