A(nota) mentos - Quinta Braamcamp no BarreiroCCDR LVT não aceita desafectação da REN

Por Jornal Rostos
Recorde-se que este é um tema que tem marcado a agenda politica do actual mandato autárquico, dado que o actual executivo municipal desde a primeira hora, contrariamente ao que defendeu na campanha eleitoral, optou pela venda da Quinta Braamcamp.
O objectivo era proporcionar, numa área de 21 hectares, numa zona de leito de cheia, a construção de 180 fogos, um hotel, um campo de futebol e zonas verdes. A empresa Saint Germain tinha esse projecto de construir a «Veneza do Tejo».
Nesta zona o actual PDM – Plano Director Municipal, reconhecido como ultrapassado e caduco, pensado num contexto de expansão urbana, nos anos 90, do século passado, que durante décadas foi contestado como prevendo um absurdo de imobiliário para o território do concelho, serviu de argumento para dar luz verde a este projecto de urbanização agora travado pela CCDR LVT.
Recorde-se que esta é uma zona que, perante a evolução de conhecimentos e nova avaliação da importância das zonas ribeirinhas no pensar e fazer cidades, e perante as alterações climáticas, merecia uma completa mudança estratégica no pensar o futuro deste território no pensar e fazer cidade.
A opção do actual executivo municipal de vender o terreno da Quinta Braamcamp que foi comprado pelo anterior executivo municipal gerou um movimento de contestação, que envolve personalidades das mais diversas áreas ideológicas, mas que, é acusado de ser comunista, porque, na verdade, no decorrer deste mandato autárquico tem sido gerada uma cultura de quem critica as opções politicas do executivo municipal é «aziado» ou «comunista».
De referir que a Quinta Braamcamp foi um espaço propriedade privada que nos anos 90 ainda tinha actividade industrial, ali, estava em funcionamento uma empresa corticeira, e, em sequência da crise do sector que originou a falência da empresa, aquela propriedade ficou na posse do Banco Millenium
O anterior executivo municipal, liderado por Carlos Humberto, comprou a Quinta, tendo como pensamento estratégico proporcionar á cidade uma zona de ligação ao Rio Tejo, estando em aberto, o debate e a reflexão sobre outras formas de utilização, de forma a potenciar aquele território como uma referência única no estuário do Tejo, dando-lhe uma dimensão ambiental, de lazer e cultural.
Nesse sentido, o anterior executivo municipal avançou com uma candidatura aos fundos europeus, que foi aprovada, e visava a recuperação do moinho de maré, o arranjo dos espaços verdes, o derrube dos muros da antiga fábrica, limpeza,. Criação de zonas pedonais, permitindo a vivência pela comunidade daquele espaço, com uma paisagem única e de uma qualidade ambiental, de grande diversidade.
A candidatura aprovada, se tivesse avançado, hoje, a Quinta Braamcamp, já não estaria naquele estado de abandono e degradação, porque o seu proprietário, a Câmara Municipal do Barreiro, no seu actual executivo tomou a decisão de vender, o que o anterior executivo comprou e, também, desviar as verbas da candidatura dos fundos europeus que deviam ser aplicados na Quinta Braamcamp, para investir no Monho de Alburrica.
Se a Quinta Braamcamp, ainda hoje, está ao abandono, está por decisão do actual executivo municipal que decidiu vender, quando em campanha eleitoral anunciou a visão de construção de uma roda gigante e, assumiu, que este território nunca devia sair do domínio municipal.
Um dia escrevi, assim como nos anos 90, o debate que agitou o Barreiro, sobre a construção da ETRI, deu origem a um novo pensar sobre o planeamento estratégico do território do concelho do Barreiro, abrindo caminho para repensar o PDM, a importância da ligação do centro da cidade ao território industrial, o repensar os antigos territórios ferroviários, um debate começado e inacabado, mas que, sem dúvida, levou o Barreiro para o pensamento da estratégia da AML, desde o desenvolvimento do conceito do Arco Ribeirinho Sul, e, igualmente colocou o Barreiro na agenda politica do Poder Central, desde José Sócrates, passando por Passos Coelho e António Costa, o facto, é que esse impulso nascido nesses anos 90, passando por duas gestões quer do PS, quer da CDU, no actual mandato foi para a gaveta.
E, repetindo, assim como escrevi que o debate da ETRI, marcou estes anos de pensamento estratégico, também escrevi que o debate em torno do futuro do território da Quinta Braamcamp vai marcar as próximas décadas do território do concelho do Barreiro.
O decisão de venda da Quinta Braamcamp pelo actual executivo municipal não é um mero negócio de compra e venda, ele insere um pensamento estratégico, esse, que considera essencial e como caminho de desenvolvimento do concelho a construção de prédios, porque são os prédios que trazem IMI, trazem IMT, trazem taxas de urbanização. Verbas para o municipio.
É uma visão meramente expansionista, pensar uma cidade de betão, mesmo que seja sem respeito pelas zonas ambientais, mesmo que sejam fundamentadas num PDM, caduco e que está ultrapassado, que carece de revisão e um novo pensar sobre o potencial do território do concelho do Barreiro.
É esta a discussão que devia marcar as próximas eleições autárquicas.
Um debate sério sobre o futuro deste concelho, o pensar a cidade para além do dormitório, o pensar a cidade com politicos capazes de exigir ao Poder Central que, de uma vez por todas, deixe de nos tratar como um subúrbio de Lisboa e que passemos a ser parte integrante da AML.
O Barreiro merece pelo que deu à história de Portugal, pelo que sofreu para prestar serviços a Portugal, no campo industrial e ferroviário, no seu amor à Liberdade e Democracia.
É por isso que acho que o debate em torno da Quinta Braamcamp não é meramente em torno do vender ou não vender, do abandono ou não abandono, é um debate em torno do pensar um concelho do Barreiro – apenas para viver, e, outra visão que é um concelho para viver e para trabalhar.
Esta é uma diferença substancial.
O debate está de novo reaberto com esta decisão da CCDR LVT.
Aliás, o debate não está reaberto, ele nunca esteve fechado tem sido é silenciado, porque é uma pedra no sapato, o actual estado de abandono da Quinta Braamcaamp, por decisão exclusiva do actual executivo municipal e das suas opções por prédios e IMI.
António Sousa Pereira













