DIA MUNDIAL DA POESIABarreiro tem poesia inscrita no seu território

Por Jornal Rostos
A Mata da Machada, esse pulsar de ternura verdejante, onde escutamos a sinfonia da natureza a beijar os olhos. O sentir. O pensar. Por ali, as aves, abrem as asas rasgando o tempo de África para a Europa, da Europa para África, e, descansam para cantar as estações de Vivaldi. O tempo pára. No ritmo de sons ecoando no espaço, num cântico escutamos o silêncio de um poema a beijar o coração. Ternamente.
A ponta da Passadeira, a Praia da Barra-à Barra, um areal de ouro, que toca as memórias do bosque que ali existiu, no longínquo tempo, que lavrar com um boi, era uma revolução, que produzir fazer sal era uma descoberta. Uma revolução. O ser humano aprendia a viver num lugar. Fazer comunidade.
Os resíduos de um tempo industrial, que as noivas caminhavam vestidas de todas as cores, feitas chaminés de véus brancos a rasgar o céu de trabalho. Sons de buzinas. Corpos que se cruzavam vestidos de azul, cinzento, branco, força dos braços que transformavam e faziam pulsar a Vila, depois cidade.
O concelho do Barreiro tem memórias, poesia inscrita no seu território. Um dia acredito voltarás a ser terra de trabalho, que dá vida, que dá pão.
Acredito não estás condenado a ser transformado numa seara de betão.
O Barreiro é um poema que está inscrito no sangue que faz a vida ser ternura, ser amor, ser isto, a terra, o céu e o mar.
S.P.
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