A(nota)mentos«Se não existir justiça, tudo é permitido»
Por essa razão, parafraseando Dostoievski escrevi, para memória futura: “Se não existir justiça, tudo é permitido”.

Por Jornal Rostos
Neste mês de Abril, 47 anos após o 25 de Abril, recordei também aquela frase histórica de Salgueiro Maia: “Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados sociais, os corporativos e o estado a que chegámos.”.
É neste que devíamos pensar. Pois.
E, neste dia, pensei também nas motivações que levam muitos a revoltar-se e assumirem a indignação contra o sistema. Os populismos. Era isso que escrevia um amigo meu, num texto, publicado aqui no Rostos – as causas.
Neste anos, 47 anos após o 25 de Abril, o dia de hoje, vai ficar na história, e, nele vão ficar inscritas algumas palavras. É um dia de reflexão.
Para começar, a partir de hoje, vai estar em aberto um grande debate sobre o significado de duas palavras - Democracia. Justiça.
E, naturalmente, em torno deste debate, exista ou não, com seriedade ou com emoção, vão ser inscritas outras palavras, elas irão escutar-se, nos próximos tempos, no dito e no não dito, nos que vão falar e nos que vão optar pelo silêncio.
Vão escutar-se os clamores. Vai sentir-se a indignação. Vai falar-se de mentiras. Cai escutar-se a verdade. E vamos escutar o significado das prescrições e das manipulações.
Seremos levados a sentir o significado das prisões, das acusações.
Sentiremos o peso das opiniões, das divagações. Os adjectivos. As interpretações.
Registaremos o significado das fragilidades. O peso das suspeições.
Vamos observar as palavras no que elas trazem de motivações. Visiveis e invisiveis. Vitimizações. Perseguições.
E, sem dúvida, em todas estas palavras, iremos perceber a força que tem no sistema, outras duas palavras, porque elas estão inscritas, por dentro de tudo o que escrevemos - dinheiro e poder.
Escrevo tudo isto e penso, afinal, como seria simples, colocar ponto final em tudo isto, acabar com este circo do diz que diz-se, que lentamente, paulatinamente está sendo o virus que está a destruir o sistema – a Democracia e a Justiça.
Pelo que escuto, pelo que se diz, bastava legislar, serenamente, sobre o «enriquecimento ilicito»!
Era assim o ponto final. Acabava-se com os julgamentos na praça pública.
Acabava-se com o chicoespertismo, daqueles que acham que somos todos os parolos.
Se tudo isto, que vivemos nos últimos sete anos, der um contributo para mudar as regras e darmos passos em frentes no reforço da justiça e enriquecimento da democracia, então, talvez o dia de hoje seja histórico e uma lição.
No entanto, se continuar tudo na mesma, naturalmente, continuaremos, ano após ano, à espera, de justiça, continua a existir indignações e clamores.
Continuaremos uns a falar de urdiduras, texturas e cozeduras.
Se nada mudar, obviamente, cá estaremos, filme após filme, até um dia, quando o sistema venha a implodir. E depois será tarde...até lá, vamos ficar todos bem...fica tudo bem!
António Sousa Pereira













