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Inferências

InferênciasO erro de Bruno Vitorino

O líder social democrata do Barreiro – Bruno Vitorino poderá estar a cometer um erro histórico ao apostar no voto contra ou abstenção, quando da votação das Grandes Opções do Plano e Orçamento para 2004.
Bruno Vitorino irá proporcionar, talvez, pela primeira vez, que o PCP assuma o protagonismo de viabilizar estes documentos de acção da Câmara Municipal do Barreiro.
O PSD será o grande perdedor ao deixar nas mãos do PCP o papel de protagonizar a viabilização do Orçamento 2004.
O PSD dá, assim, de mão beijada, ao PCP o balão de oxigénio que precisa para se reafirmar na vida política da cidade.
5 min de leitura

Por António Sousa Pereira

O PSD tem uma estratégia de curto e médio prazo que, pode afirmar-se, é determinante na afirmação do PSD enquanto força política que marca presença e influencia a vida política local.
O PSD tem mantido uma estratégia, positiva, de influência, no sentido de marcar presença política e proporcionar ligações do Poder Local com o Poder Central.
O PSD é sem dúvida, um partido que tem sabido afirmar-se como uma oposição construtiva, critica, interveniente e exigente.
Aliás, já várias vezes o disse, o PSD é o único partido que está a fazer oposição política na vida local, e, obviamente o Bloco de Esquerda com a sua irreverência.
Mas, o PSD ao votar contra, deixa, nas mãos do PCP a possibilidade de se “recompor” da sua inabilidade política dos últimos anos, recuperando protagonismo e assumindo uma postura de “estado” ao viabilizar o Orçamento.
O PSD ao votar contra dá ao PCP o balão de oxigénio que este partido precisa para se reafirmar como uma força com um papel activo na vida política local.
Ao PCP não lhe interessa, agora, a meio do mandato uma crise política.
Será que interessa ao PSD?
Quem ganha com a votação contra e a rejeição das Grandes Opções do Plano?
Naturalmente que será o PCP.
Quanto ao PS, uma rejeição das Grandes Opções do Plano será também beneficiado, porque pode assumir o papel de vitima e beneficiará com o descrédito de uma oposição que não faz nem deixa fazer.
Se o PSD votar contra ao PCP não lhe resta outra alternativa senão viabilizar as Grandes Opções do Plano.
O PSD perde. Perde porque perde protagonismo. Perde porque abdica da sua postura responsável e de força política que quer afirmar-se como alternativa.
De facto o PSD não pode esquecer que quem conquistou a Presidência da Câmara Municipal do Barreiro foi o Partido Socialista.
A irreverência política faz sentido se existirem razões plausíveis. Não é visível que o argumento da “Urbanização das Cordoarias” seja suficiente para convencer os cidadãos que o PSD tem uma estratégia de cidade alternativa.
O PSD pode exigir, deve exigir, mas deve “identificar” o que pretende e não é cumprido como factos políticos que vai “capitalizando”.
O PSD sabe das dificuldades financeiras do país por essa razão, não pode exigir que exista uma “interpretação” orçamental para quando se trata de avaliar os atrasos do POLIS, ou outras matérias que não avançam na vida local e ter uma “interpretação” diferente quando se trata de avaliar o “orçamento municipal”.
O erro do Bruno Vitorino pode custar-lhe caro, porque ele não pode perder de vista o futuro, se é que ainda mantém como caminho a vontade de reforçar o papel do PSD na vida barreirense.
A política de terra queimada tem colocado o PCP em queda livre.
A política de terra queimada pode levar o PSD a perder nessa sua opção de curto prazo de conseguir retirar espaço de manobra ao PS.
O voto contra do PSD e do PCP se, no limite, vier a acontecer vai ser uma “bóia” que permitirá a Emídio Xavier ganhar um novo fôlego, obrigando o PS a galvanizar-se em torno do seu líder.
O PS só tem a ganhar com o voto contra. Os eleitores saberão compreender se o PS souber esclarecer.
O erro de Bruno Vitorino é estar a pensar com as emoções e colocar de lado a razão.
O PSD se quer continuar a ser uma força alternativa só tem uma opção viabilizar as Grandes Opções do Plano e Orçamento 2004. É uma estratégia inteligente.
O PSD não pode perder o carisma, nem o espaço político que conquistou deste os tempos do PCP – “partido charneira”.
Se votar contra está a dar ao PCP esse espaço, permitindo-lhe transformar-se no “partido charneira”.
E, na verdade, no cenário de o PS ganhar as próximas eleições, a partir de agora o PCP ganha espaço para empurrar o PS para negociar à esquerda, eliminando o PSD da acção política local.
Isto, afinal até é bom para o PS numa cidade com uma cultura de esquerda.
Quem cava a sua própria cova é o PSD.
Nunca é tarde para corrigir um erro estratégico, e, de facto, até à votação o PSD pode...retomar o caminho da alternativa.
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