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Inferências

Barreiro – dois anos depois...dois anos antes!?PCP vive “hipocondria política”

No dia 11 de Janeiro passaram dois anos desde a tomada de posse de Emídio Xavier, no cargo de Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, retirando ao Partido Comunista Português este seu “bastião”, um dos seus símbolos nacionais.
Na verdade, passados dois anos o PCP ainda não se convenceu que perdeu as eleições autárquicas, nem que tivesse perdido por um voto – “porque por um voto se perde, por um voto se ganha” – como afirmava o ex-Presidente Pedro Canário.
Mas também o PSD, começa a demonstrar sinais que não está convencido que foi o PS que ganhou as eleições no Barreiro.
3 min de leitura

Por António Sousa Pereira

O PCP, por exemplo, tem vivido num estado de “hipocondria política” ( um estado de angústia permanente em relação à vida política local que tem conduzido a atitudes políticas marcadas por verdadeiras alucinações).
Por exemplo, quando da inauguração do Mercado Municipal de Stº André, colocou uma faixa onde podia ler-se : “Mais uma obra da CDU”.
Quando da inauguração do Auditório Municipal Augusto Cabrita, os seus dirigentes afirmaram – “É uma obra do PCP”.
O PCP perdeu o rumo. E pode afirmar-se que perdeu o rumo porque, na última Campan
ha Eleitoral apresentou ao eleitorado um dos seus mais perfeitos programas eleitorais, com uma ideia de cidade, com uma perspectiva de cidadania, com uma dimensão intelectual que, poderia pensar-se que o PCP estava a renovar-se e a modificar a sua forma autista e sectária, que ao longo dos anos caracterizou os seus sucessivos mandatos.
O PCP meteu o seu Programa Eleitoral na gaveta e começou de imediato um combate político feroz de “terra queimada”.
De repente as Escolas Primárias sempre degradadas e abandonadas, começaram a ficar mais degradadas.
De repente as ruas encheram-se de buracos.
De repente, por magia, as redes de águas envelhecidas começaram a ficar podres.
Um processo acelerado de “degradação” muito bem caracterizado pelo Deputado António José Ferreira, do PS.
O PCP tinha nas mãos armas para combater o PS.
Em primeiro lugar não abdicava do seu Programa Eleitoral como instrumento de diálogo para negociar com o PS os Pelouros.
Em segundo lugar tinha, e tem, a vitória num conjunto de Juntas de Freguesia que poderiam servir como instrumento de diálogo e reivindicação pela positiva.
Em terceiro lugar estavam em curso um conjunto de projectos, herdados da sua gestão, que deveria perspectivar como acção política, que o PS assumisse a sua plena concretização.
O PCP poderia saudar a gestão socialista por não deixar cair as dinâmicas de “desenvolvimento” que o PCP lançou. Critica pela positiva.
Em quarto lugar assumindo Pelouros e viabilizando uma gestão com o PS, mantinha protagonismo político e mantinha uma acção de trabalho colocando-se “sempre na roda do PS”.
O PCP não se convenceu que perdeu as eleições. Queria ter o “Estatuto de Oposição” e ao mesmo tempo partilhar a gestão com os socialistas.
Esta “hipocondria política” conduziu à ruptura, retirou-lhe protagonismo político.
O PCP parece querer mudar a sua estratégia. Mas, agora, será mais difícil demonstrar aos cidadãos que o PCP tem um projecto de cidade.
A ideia que fica é que o PCP apenas quer (re)conquistar o poder.
E é mais difícil ainda de convencer os cidadãos quando vem dizer constantemente que – “Esta é uma obra do PCP”, porque, se assim é, então, o PS está ao nível de ser capaz de fazer aquilo que o PCP prometeu ao eleitorado.
Neste caco, se o PCP esteve 27 anos no poder, então agora o PS que fique mais alguns anos para provar que é capaz de fazer diferente.
O PCP cola-se ao PS pela negativa.
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