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Inferências

Por dentro dos dias - BarreiroDe Beethoven ao Barreirense – uma cidade de talentos

No jornal anuncia-se que o Metro Ligeiro vai crescer a sua rede até Odivelas e Loures. É isso Lisboa continua a pensar-se para Norte. E nós a vê-los passar. Calados. Caladinhos.

Por aqui, há um empresário que comenta, junto a pessoas importantes, que podem fazer coisas importantes, que uma cidade só cresce se tiver emprego, se atrair empresas, e, de facto uma cidade para atrair empresas, tem que ter boas acessibilidades e ganhar escala territorial.

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Por dentro dos dias - Barreiro De Beethoven ao Barreirense – uma cidade de talentos

Por Jornal Rostos

Ontem, pela manhã, comecei o dia, por mero acaso a escutar a obra de Beethoven – Missa Solene - e deliciei-me na tranquilidade existente naquela harmonia, ritmo e musicalidade, entre os instrumentos e a voz humana. Divinal. Como sou leigo, fui ao mundo do Drº Google, onde tudo está e fiquei a saber que, há precisamente um século, o enorme compositor criou esta sua obra através da qual procurou expressar a sua forma de sentir a relação com Deus e com o mundo.

Aprendi que Beethoven, apesar de religioso manteve ao longo da sua vida um pensamento independente influenciado pela corrente filosófica iluminista e racionalista, colocando como núcleo central do seu modo de estar e ser - o amor à Liberdade.
Beethoven era um amante da natureza e foi através dela que expressou o seu encontro com a ideia de Deus. Um panteísta que associava essa forma de sentir o mundo e o divino aos seus ideias de Liberdade e Fraternidade.
Esta sua obra – Missa Solene – dizia ele que “vinha do coração” e “volta ao coração”. É, sem dúvida, uma obra sublime. Apetece fechar os olhos e sentir os sons entrar nos ossos. Festejar a vida por dentro da sonoridade que, de facto, toca o coração.

E foi assim, neste encontro melodioso e espiritual que comecei o meu dia 5 de Julho, a data em que nasceu a ovelha Dolly, o primeiro mamífero clonado, a partir de uma célula adulta, segundo escutei na antena 2, quando circulava rumo ao Barreiro – da zona 2835 para a zona 2830 - por dentro do território da antiga CUF.
Viajava e recordava que por aquela rua entrava diariamente, na minha motorizada, ou a pé, rumo à fábrica de Zinco Metálico, onde exerci funções como operário, nos anos 80. Os lugares e os sitios têm memórias, as nossas e de outros que nos antecederam. Memórias feitas de cheiros, estórias e pessoas, vindas de muitos lados.

Quando regressava da Redação do Jornal Rostos, encontrei umas amigas que comentavam estes tempos que vivemos de incertezas e dúvidas. Este vírus. Uma delas brincava que não era atingida porque respirou os cheiros da CUF. Eu comentei, que, nesse caso eu estou imunizado, porque na fábrica onde trabalhei tinha que andar de máscara por causa dos ácidos na atmosfera, totalmente poluída. Rimos. Vamos rindo, mas ele vai fazendo mossa, e batendo às portas. Nessa altura sentimos que não é para brincadeiras.

Na rua encontrei o Costa Mano, estava radiante, com a vitória do Futebol Clube Barreirense e a sua subida ao Campeonato de Portugal.
“Não pensava, nos tempos de hoje, ainda sofrer tanto a ver um jogo de futebol. Nem a seleção nacional me fez sofrer tanto.”, comentava, com um grande sorriso, onde transbordava a felicidade, de uma esperança, que não finda, uma fé que tudo vence, um valor mais alto ainda, um só nome barreirense.

No jornal anuncia-se que o Metro Ligeiro vai crescer a sua rede até Odivelas e Loures. É isso Lisboa continua a pensar-se para Norte. E nós a vê-los passar. Calados. Caladinhos.
Por aqui, há um empresário que comenta, junto a pessoas importantes, que podem fazer coisas importantes, que uma cidade só cresce se tiver emprego, se atrair empresas, e, de facto uma cidade para atrair empresas, tem que ter boas acessibilidades e ganhar escala territorial. Ponte Barreiro Seixal. Melhores transportes fluviais. Silêncio.

Ficamos felizes com slogans, agora é a «Fábrica de Talentos», esta a última novidade estratégica. Uma nova onda. Dá para curtir. A malta gosta muito de curtir. Ora o o potencial. Ora o talento. Filmes. Agora, é o fabricado no barreiro, os novos tempos, a fábrica de talentos. Uma terra onde não há emprego. E onde não há emprego não há pão. E onde não há pão, o talento esvai-se nos dedos. Enfim é vida.

E as redes de promotores de talentos nas redes sociais, vão entrar em acção. A mensagem tem que colar, é preciso repetir, muitas vezes, até à exaustão. Como é que não viram isto durante mais de 40 anos e, só agora, os talentos abandonados vão saltar para fazer futuro. Sim, e não é um futuro qualquer, começa agora a ser construído o Barreiro que teremos daqui a 500 anos. Agora digam que não à estratégia.

Comecei o dia a escutar Beethoven, divinal, solene, e, agora que vou descansar sinto o coro entrar nos meus nervos e penso - « Paz na terra aos homens de boa vontade».

António Sousa Pereira

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