Incêndio do Chiado em Lisboa no ano de 1988O barreirense que antedeu a chamada a dar o alerta.
Mas, ainda nos dias de hoje, não esquece o momento em que atendeu a primeira chamada a dar o alerta, informando alerta que havia fogo na Rua do Ouro.

Por Jornal Rostos
No dia 25 de Agosto de 1988, um acontecimento trágico marcou a vida de Lisboa, o Incêndio do Chiado, que deflagrou nos Armazéns Grandella, na Rua do Carmo.
O fogo destruiu dezenas de edifícios e uma imensa área da baixa lisboeta.
Manuel Batista, do Barreiro, nessa noite estava de serviço na Central de Telecomunicações no Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa. Não esteve no combate ao fogo.
Mas, ainda nos dias de hoje, não esquece o momento em que atendeu a primeira chamada a dar o alerta, informando alerta que havia fogo na Rua do Ouro.
Na central de socorro estava cinco telefonistas e a situação com que nos deparamos tem a dimensão da tragédia, as chamadas sucediam-se.
Manuel Batista tinha começado uma nova etapa da sua vida dentro do Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa.
Atender a chamada que alertava para o incêndio no Chiado, foi o seu baptismo.
Era novo no serviço. Um colega mais velho estava a acompanhar e a dar algumas informações sobre o funcionamento do equipamento existente na central, que, naquele tempo, ainda era o sistema de cavilhas «PBX».
Recorda quando caiu a chamada, ele, correspondendo ás instruções do seu colega mais velho. Atendeu. O seu colega ficou, também a ouvir a chamada, "o sistema permitia que isso pudesse acontecer", e, esta prática era uma forma de os mais novos se sentirem mais confiantes.
O telefone tocou. Eu, disse : “Sapadores Bombeiros, bom dia”.
No outro lado da linha uma voz, muito calma: “É para dizer que há fogo na Rua do Ouro, Armazéns do Grandela.”
Refere que era prática corrente, para se perceber se era falso alarme. pedir à pessoa que informa-se o número do qual estava a ligar. Ao mesmo tempo repetia-se os números em alta voz, para outro colega ir marcando, noutro telefone e, desta forma confirmava-se realmente era, ou não, uma chamada falsa.
Mas, recorda Manuel Baptista, que tal nem foi preciso, porque, de facto, de seguida começaram a cair na Central outras chamadas e as viaturas partiram para o local.
Era elevado o número de chamadas..
O primeiro a chegar foi o Chefe de Serviço -Chefe Militão, que comunicou com a Central, informado que se tratava de fogo nos armazéns do Grandela, que ardia com intensidade e lançou um apelo – “mandem reforço de material”.
E, recorda Manuel Baptista, a partir dai foi uma conjugação de situações que não é fácil descrever… um incêndio que ficou inscrito na memória dos lisboetas e dos portugueses, e, na história da cidade de Lisboa.
Depois do incêndio os bombeiros continuaram no terreno durante cerca de dois meses removendo escombros.
Aqui fica esta memória de um barreirense, um homem do associativismo, que viveu esta tragédia…desde o momento zero.
Uma memória que não esquece e hoje recordou…
S.P.













