PS acção “psicosomática política”
Na verdade, passados dois anos o PCP ainda não se convenceu que perdeu as eleições autárquicas, nem que tivesse perdido por um voto – “porque por um voto se perde, por um voto se ganha” – como afirmava o ex-Presidente Pedro Canário.
Mas também o PSD, começa a demonstrar sinais que não está convencido que foi o PS que ganhou as eleições no Barreiro.
Por António Sousa Pereira
Bom, e falemos do PS. Após dois anos os socialistas continuam afectados por uma acção “psicosomática política”.
Herdaram uma máquina preparada para servir o PCP e procuraram governar com esse aparelho.
Herdaram uma cidade com uma cultura de “sudsiodepedência” e pouco mexeram, para introduzir uma nova cultura de cidadania.
Herdaram uma cidade na procura de rumo e a reformular-se no seu tecido urbano e tardam em demonstrar que há outros caminhos e projectos para renovar a cidade.
Ganharam as eleições e ainda estão a procurar convencer-se que nas próximas não vão perder, olham para o lado e sentem de forma constante o fantasma do PCP.
O PCP é, indirectamente, a doença imaginária do PS.
O PCP produz no PS calafrios.
O PS, passados dois anos, ainda não se libertou desse comportamento de acção “psicosomática política”.
A herança do “corpo PCP” influi e age no “espirito PS”.
É o passado de oposição passiva que ainda marca o PS. Falta-lhe genica.
O PS precisa de retirar do seu quotidiano o passado em ficou preso, eliminar os complexos psicosomáticos e acabar com os conflitos interiores.
O PS não pode continuar a organizar a sua acção a partir de estratégias psicosomáticas.
Não pode fazer Planos de Actividades há “imagem e semelhança” do PCP.
Não pode ter medo de fazer o seu próprio discurso para a Cidade.
O PS está numa encruzilhada ou demonstra que já arrancou para o futuro ( e tem todas as condições para isso) deixando para trás os Velhos do Restelo, ou daqui a dois anos não está a lutar para vencer, está a lutar para não perder.
Acontece que o PS tem nas mãos, só nas suas mãos, a hipótese de agir sem problemas, de forma a continuar a sua caminhada e deixar para o PCP e para o PSD a luta para manterem as suas posições e não baixarem de Divisão.
O PS está luta pelo primeiro lugar.
O PCP e o PSD lutam entre si pelo segundo lugar, e, esse, de facto, não é o campeonato do PS.
Será que o PS já compreendeu isso ?
A verdade é que o seu modelo de acção “psicosomática política” não lhe permite perceber que as “circunstâncias mudaram”.
Se o PCP vive na “cave” e sai para a acção política a partir da “cave”, o PS vive à superfície mas com medo que os que estão na “cave” tenham força para subir ao 1º piso.
O PS tem que pegar no seu Programa Eleitoral e retirá-lo da gaveta, afirmando a partir daí o seu discurso da Cidade.
O PS corre o risco de evoluir para “nevrose política” se continuar a manter situações de compromisso com o passado.
Continuando por este caminho o PS continuará a organizar a sua acção política a partir de reflexos “psicosomáticos”.
O PS não consegue libertar-se, porque olha para a realidade com um medo angustiante – o medo de si mesmo e o medo dos outros.
O PS tem que transformar a máquina em energia, as ideias em discursos - valores.
Como balanço destes dois anos, neste tempo que resta, portanto, outros dois anos, é caso para comentar:
O PS tem que ser capaz de afirmar todos os dias este lema : “Carpem Diem !”
O PSD terá que resolver o problema da “impulsividade” e ser capaz de demonstrar que quer construir um projecto alternativo.
No entanto, parece começar a entender-se que o principal objectivo do PSD é retirar ao PS a eventual hipótese de conquistar a “maioria absoluta”.
E, talvez, é esse medo de perder a sua característica de “partido charneira” que tem conduzido o PSD à “ciclotomia política”.
O PCP continua a procurar resolver o problema da sua cultura de “ressentimento” e, talvez, resolvido esse problema, consiga retirar espaço de manobra ao PS.
O objectivo do PCP é não perder mais terreno e, simultaneamente, manter vivo o “sentimento” que está em condições de derrotar o PS.
O PCP está convencido que vai ganhar as eleições.
O PSD vive com a angústia de querer retirar ao PS a maioria absoluta.
Então, naturalmente, nem PCP, nem PSD, querem eleições antecipadas porque se quisessem, os seus Vereadores, já teriam pedido a demissão.
Que outros sinais precisa o PS para fazer “psicanálise” e perder os medos psicosomáticos?
Tem uma solução fácil : faz como o Bloco de Esquerda começa a divulgar - “o estado das Escolas Primárias”; “o estado da rede de abastecimento de águas”; “ o estado da situação económico financeira”; etc.
É que, de facto, se não o fizer hoje, amanhã é tarde porque... amanhã já começa a ser feita a contagem do ano três!













