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Inferências

PS acção “psicosomática política”

No dia 11 de Janeiro passaram dois anos desde a tomada de posse de Emídio Xavier, no cargo de Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, retirando ao Partido Comunista Português este seu “bastião”, um dos seus símbolos nacionais.
Na verdade, passados dois anos o PCP ainda não se convenceu que perdeu as eleições autárquicas, nem que tivesse perdido por um voto – “porque por um voto se perde, por um voto se ganha” – como afirmava o ex-Presidente Pedro Canário.
Mas também o PSD, começa a demonstrar sinais que não está convencido que foi o PS que ganhou as eleições no Barreiro.
5 min de leitura

Por António Sousa Pereira

Bom, e falemos do PS. Após dois anos os socialistas continuam afectados por uma acção “psicosomática política”.
Herdaram uma máquina preparada para servir o PCP e procuraram governar com esse aparelho.
Herdaram uma cidade com uma cultura de “sudsiodepedência” e pouco mexeram, para introduzir uma nova cultura de cidadania.
Herdaram uma cidade na procura de rumo e a reformular-se no seu tecido urbano e tardam em demonstrar que há outros caminhos e projectos para renovar a cidade.
Ganharam as eleições e ainda estão a procurar convencer-se que nas próximas não vão perder, olham para o lado e sentem de forma constante o fantasma do PCP.
O PCP é, indirectamente, a doença imaginária do PS.
O PCP produz no PS calafrios.
O PS, passados dois anos, ainda não se libertou desse comportamento de acção “psicosomática política”.
A herança do “corpo PCP” influi e age no “espirito PS”.
É o passado de oposição passiva que ainda marca o PS. Falta-lhe genica.
O PS precisa de retirar do seu quotidiano o passado em ficou preso, eliminar os complexos psicosomáticos e acabar com os conflitos interiores.
O PS não pode continuar a organizar a sua acção a partir de estratégias psicosomáticas.
Não pode fazer Planos de Actividades há “imagem e semelhança” do PCP.
Não pode ter medo de fazer o seu próprio discurso para a Cidade.
O PS está numa encruzilhada ou demonstra que já arrancou para o futuro ( e tem todas as condições para isso) deixando para trás os Velhos do Restelo, ou daqui a dois anos não está a lutar para vencer, está a lutar para não perder.
Acontece que o PS tem nas mãos, só nas suas mãos, a hipótese de agir sem problemas, de forma a continuar a sua caminhada e deixar para o PCP e para o PSD a luta para manterem as suas posições e não baixarem de Divisão.
O PS está luta pelo primeiro lugar.
O PCP e o PSD lutam entre si pelo segundo lugar, e, esse, de facto, não é o campeonato do PS.
Será que o PS já compreendeu isso ?
A verdade é que o seu modelo de acção “psicosomática política” não lhe permite perceber que as “circunstâncias mudaram”.
Se o PCP vive na “cave” e sai para a acção política a partir da “cave”, o PS vive à superfície mas com medo que os que estão na “cave” tenham força para subir ao 1º piso.
O PS tem que pegar no seu Programa Eleitoral e retirá-lo da gaveta, afirmando a partir daí o seu discurso da Cidade.
O PS corre o risco de evoluir para “nevrose política” se continuar a manter situações de compromisso com o passado.
Continuando por este caminho o PS continuará a organizar a sua acção política a partir de reflexos “psicosomáticos”.
O PS não consegue libertar-se, porque olha para a realidade com um medo angustiante – o medo de si mesmo e o medo dos outros.
O PS tem que transformar a máquina em energia, as ideias em discursos - valores.

Como balanço destes dois anos, neste tempo que resta, portanto, outros dois anos, é caso para comentar:
O PS tem que ser capaz de afirmar todos os dias este lema : “Carpem Diem !”
O PSD terá que resolver o problema da “impulsividade” e ser capaz de demonstrar que quer construir um projecto alternativo.
No entanto, parece começar a entender-se que o principal objectivo do PSD é retirar ao PS a eventual hipótese de conquistar a “maioria absoluta”.
E, talvez, é esse medo de perder a sua característica de “partido charneira” que tem conduzido o PSD à “ciclotomia política”.
O PCP continua a procurar resolver o problema da sua cultura de “ressentimento” e, talvez, resolvido esse problema, consiga retirar espaço de manobra ao PS.
O objectivo do PCP é não perder mais terreno e, simultaneamente, manter vivo o “sentimento” que está em condições de derrotar o PS.
O PCP está convencido que vai ganhar as eleições.
O PSD vive com a angústia de querer retirar ao PS a maioria absoluta.
Então, naturalmente, nem PCP, nem PSD, querem eleições antecipadas porque se quisessem, os seus Vereadores, já teriam pedido a demissão.
Que outros sinais precisa o PS para fazer “psicanálise” e perder os medos psicosomáticos?
Tem uma solução fácil : faz como o Bloco de Esquerda começa a divulgar - “o estado das Escolas Primárias”; “o estado da rede de abastecimento de águas”; “ o estado da situação económico financeira”; etc.
É que, de facto, se não o fizer hoje, amanhã é tarde porque... amanhã já começa a ser feita a contagem do ano três!

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