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Inferências

Barreiro - Dos 20 anos do jornal «Rostos» aos 20 anos do «Rostos on line»Semear palavras que contribuam para fazer cidadania activa

E, digo-vos, acima de tudo, vale a pena continuarmos a ser um jornal que com garra, escreve o presente, constrói memória e deixa em aberto os sonhos que são a esperança do futuro.
Acreditem enquanto houver um poeta, de pé, os sonhos nunca serão silenciados!
Obrigado!

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Barreiro - Dos 20 anos do jornal «Rostos» aos 20 anos do «Rostos on line» Semear palavras que contribuam para fazer cidadania activa

Por Jornal Rostos

Ao iniciar esta nota para assinalar os 20 anos do jornal «Rostos» ocorreu-me ao pensamento um texto escrito por Baptista Bastos, que passo a citar: “A perseguição, a cadeia, o exilio, o assassínio sob formas diversas foram e têm sido o domínio da regra que sucede ao prestígio da inteligência. A intolerância, a opressão, a violência dos dogmatismos e fundamentalismos actuais mais não são do que imagens devolvidas das mais remotas de todas as intransigências.

Em 1907, após o seu golpe de Estado, o ditador João Franco sugeriu ao rei D. Carlos a prisão imediata de Guerra Junqueiro, devido a uma diatribe que o autor de A Velhice do Padre Eterno consagrara, num jornal de propaganda republicana, do monarca.
Este respondeu-lhe com severidade: «Poetas e jornalistas não se metem nas masmorras! Os primeiros são sonhadores e sonham; os segundos são os arautos dos sonhos e dos sonhadores. O sonho nunca deve estar preso!».

E, no mesmo texto, continuava Baptista Bastos, recordando outro episódio: «Sartre devia ser objecto de processo judicial e metido no cárcere», disse o ministro do Interior. Aludindo a um artigo violento que o autor de As Palavras publicara em Le Monde. De Gaulle olhou-o com desdém: “Não se prende Voltaire!”
Excepções que sobram à regra. Por natureza, o Poder é inculto; melhor: a cultura do Poder baseia-se na eficácia.
A eficácia não é nunca um fim em si mesmo: é um meio que, habitualmente, se transforma num feroz instrumento de domínio. A inteligência reencontra-se num sentimento de distanciação e de repugnância em relação ao Poder porque se manifesta com outros valores, na defesa de outros padrões.”

Recordei este texto. E nele sinto espelhado de forma plena o papel, a importância e o contributo do jornalismo – mesmo este pequeno, sem recursos – no semear palavras que ajudem a fazer cidadania activa, critica, que valorize a democracia, que afirme valores, com ética, que dê voz aos anónimos que, diariamente, contribuem para desenvolver a comunidade.
Gente que se levanta diariamente, arregaça as mangas e vai à luta, com certezas e incertezas, começa cada dia com essa vontade de fazer presente e no presente sonhar futuro.

Sonhar. Nunca abdicar de ter sonhos. Os tempos de hoje exigem que se cultivem as diferenças, que se promova o confronto de ideias, porque a democracia é isso mesmo – confronto de ideias.
Por isso, hoje, como ontem, como sempre o fizemos nestes 20 anos, continuaremos a pugnar pela pluralidade e pelo respeito pelas diferenças. Aquela frase do 1º Congresso dos Jornalistas Portugueses continua na ordem do dia: Liberdade de Expressão – Expressão da Liberdade.

Este ano 2021 – dia 15 de Dezembro – celebramos 20 anos de jornalismo de proximidade, valeu a pena, vale a continuarmos a ser «arautos dos sonhos e dos sonhadores».
Sentimos um grande orgulho de continuarmos a manter viva esta voz que foi o primeiro título de comunicação social editado no começo do século XXI, no distrito de Setúbal. Que está vivo. Que continua vivo.
O único título de imprensa local vivo, com sede no concelho do Barreiro, que se mantém com regularidade a cumprir essa missão de fazer comunicação social regional.
É um orgulho quando em reportagem escutamos leitores, que desconhecemos, dizerem que nos acompanham há anos, e, em palavras simpáticas, reconhecerem o nosso contributo para que exista liberdade de opinião, para que exista pluralismo, democracia, orgulha-nos que as nossas páginas sejam uma porta aberta que divulga opiniões diferentes e diferenciadoras.

No ano 2022, no dia 25 de Setembro, iremos celebrar os 20 anos do «Rostos on line», o primeiro jornal com uma edição digital no concelho do Barreiro, o segundo no distrito de Setúbal, um dos pioneiros no país, e, agora, podemos afirmar, somos a edição digital mais antiga - a veterana - no Distrito de Setúbal.
Valeu a pena. E vale mais a pena quando esta é uma realidade que se mantem viva com amor, com paixão, com dedicação, com o voluntariado de colaboradores e colunistas, com o apoio tecnológico, logístico e operacional de uma equipa familiar, que dá a energia humana para que o «Rostos» continue a «Dar Rostos às Cidades» e preste um serviço cívico à comunidade.

E, digo-vos, acima de tudo, vale a pena continuarmos a ser um jornal que com garra, escreve o presente, constrói memória e deixa em aberto os sonhos que são a esperança do futuro.
Acreditem enquanto houver um poeta, de pé, os sonhos nunca serão silenciados!
Obrigado!

António Sousa Pereira

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