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Inferências

Inferências - Há vinte anos Partido Socialista encerrou «ciclo pendular»Emidio Xavier conquistou a Câmara Municipal do Barreiro ao PCP/CDU

No dia 16 de Dezembro de 2001, faz hoje vinte anos, Emidio Xavier, conquistou a Presidência da Câmara Municipal do Barreiro, num tempo que o PS era liderado por Aires de Carvalho, Deputado da Assembleia da República.

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Inferências - Há vinte anos Partido Socialista encerrou «ciclo pendular» Emidio Xavier conquistou a Câmara Municipal do Barreiro ao PCP/CDU

Por Jornal Rostos

A vitória do PS foi uma surpresa. Foi o ponto final no que sempre referi como o «ciclo pendular». Nas Legislativas vencia o PS. Nas autárquicas vencia o PCP/CDU.

E, de repente Emidio Xavier viu-se com o poder nas mãos e, transportava com ele muitos sonhos e vontade de apontar um rumo diferente para o concelho do Barreiro. Um concelho com problemas estruturais e estruturantes, alguns deles que nunca serão solucionados pelo Poder Local.
Tal como seu antecessor, Pedro Canário, teve que optar por recorrer a empréstimos de forma a viabilizar o normal funcionamento da autarquia e dar-lhe capacidade financeira para as despesas correntes e concretizar alguns investimentos, recorrendo, tal com os antecessores, à elaboração de Orçamentos inflacionados, o mesmo que, posteriormente, aconteceu com Carlos Humberto, que lhe retirou a Câmara no final do mandato em 2005.

Os orçamentos inflacionados só teriam ponto final com as decisões de Manuela Ferreira Leite que “impôs” Orçamentos deficit zero, uma batalha dolorosa para as autarquias que Carlos Humberto teve que enfrentar, superando graças ao PAEL. Soubessem os actuais eleitos o que foram esses tempos, só tinham que agradecer e prestar homenagem pela casa que receberam arrumadinha, mesmo que, obviamente, tendo dificuldades.

A situação vivida pela CMB, resultava quer pela não aplicação ao longo de anos da Lei das Finanças Locais, quer por garantir um dos mais importantes serviços públicos – os Transportes Municipalizados – que muito contribuíram para evitar maiores perdas de população. Uma história que um dia devia ser feita e contabilizada.
Um concelho que dependia das taxas, e depende, das taxas de urbanização, e que tem como trave mestra orçamental o imobiliário – IMI e taxas de urbanização.

Emidio Xavier percebeu isso, e, mesmo sabendo que não podia abdicar desta vertente orçamental e consciente que ela era dominante, desde cedo, apontou para a necessidade de resolver dois problemas no concelho, fruto da desindustrialização – a criação de emprego e as acessibilidades que permitissem atrair empresas, e, até, consolidar uma dimensão moderna de urbanismo.
Por essa razão, apontou para o território da então Quimiparque, e apelou ao governo, sem o qual nada podia fazer, para pensar a importância daquele território instalando empresas, até sonhou trazer o Ministério do Ambiente para aquele território, assim como dar-lhe uma dimensão do estilo «Parque das Nações». Nasceu o Masterplan. E, por fim, até a «Cidade do Cinema».
E aquele sonho de transferir o terminal ferro-rodo. Fluvial para a Quimiparque, e na zona do Terminal fazer nascer uma marina, que servia Lisboa, com as condições únicas existentes ali no Rio Coina. Sonhos.
É por isso que costumo dizer que Emidio Xavier foi um bom Presidente de Câmara, porque nas condições difíceis do pós desindustrialização, sonhou um novo Barreiro, moderno, para além do imobiliário, terra para viver e trabalhar, como foi durante os séculos XIX e XX.
Um Barreiro que tinha que alargar o seu centro aos territórios fechados da zona industrial, dando-lhe urbanidade. Isso, afinal, só começou a ser gizado na gestão de Carlos Humberto, do PCP/CDU.

Emidio Xavier, soube, desde a primeira hora, que a Câmara Municipal do Barreiro não tem que se substituir ao governo, tem que exigir do governo que assuma as suas responsabilidades no território que é da sua competência – quer no território ferroviário, quer na antiga zona industrial.
Foi esse o seu importante legado, num repensar uma nova estratégia para o PDM, que não se concretizou e continuou a ser pensada e reprogramada nas sucessivas gestões de Carlos Humberto, que também não o alterou, e, cá estamos com esse PDM, caduco, dos anos 90, que projectava uma população na ordem dos 200 mil habitantes. Era megalomania, agora parece que já é bom, coisas!

São meras recordações. Reflexões para assinalar que hoje, dia 16 de Dezembro, começou um novo caminho, esse, que ainda estamos a percorrer, do pós desindustrialização.
Um concelho que anda à procura de si mesmo, onde não há uma ideia de cidade, onde não há uma visão estratégica.
Vivemos felizes.
Está tudo melhor cóque tava!

Obrigado Emidio Xavier, por ter rasgado caminhos de esperança.
E, inevitavelmente, também obrigado a Carlos Humberto, que seguiu as pegadas inscritas. Estes a final dois presidentes de Câmara que olharam para Lisboa e exigiram aos governos que olhassem para o Barreiro. Sem isso, sem o governo, este ou outro qualquer, que não olhe para o Barreiro e o pense no contexto de uma estratégia da AML. Estamos feitos.

António Sousa Pereira

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