Jornal «ROSTOS» 21 anos de vidaJornalismo que faz cidade e cidadania
. A alegria de manter vivo um serviço cívico.
. Primeiro jornal digital no concelho do Barreiro
Foi no ano 2001, em 15 de Dezembro, que nasceu o jornal «Rostos», na sua edição impressa mensal, faz hoje 21 anos.
Nascemos para dar rosto a cada rosto que é um protagonista de cidadania e do fazer Cidade.
“Uma cidade com rostos” ou “Damos rostos às cidades” – foram os lemas, e são, ainda, nos dias hoje, os nossos lemas

Por Jornal Rostos
Um destes dias no âmbito das reuniões do Grupo Barreiro Camarro - Mais Negócio, dei a conhecer as minhas vivências no mundo do jornalismo, que, no concelho do Barreiro, no próximo ano de 2023, completará os 50 anos.
Também, dei a conhecer o projecto, sempre projecto, do jornal «Rostos». E, hoje, neste dia, recorro a fragmentos do texto que nessa reunião partilhei, para evocar esta efeméride – 21 anos de jornalismo de proximidade, 21 anos ao serviço da comunidade.
Um passo modernizador no mundo do jornalismo
Foi no ano 2001, em 15 de Dezembro, que nasceu o jornal «Rostos», na sua edição impressa mensal, faz hoje 21 anos.
E, no dia 25 de Setembro de 2002, nasceu a edição Rostos digital, um passo modernizador no mundo do jornalismo local.
Curiosamente, foi no dia 25 de Setembro, no ano de 1973, que publiquei no jornal «República», o meu primeiro artigo, dedicado ao concelho do Barreiro. Um texto sobre os Jogos Juvenis do Barreiro.
Primeiro jornal digital no concelho do Barreiro
O Jornal Rostos ficará para a história da imprensa local como sendo o primeiro jornal digital no concelho do Barreiro, assim como o segundo no distrito de Setúbal e um dos pioneiros em Portugal.
Hoje é, na realidade, o jornal digital mais antigo do distrito de Setúbal.
E digo-vos, estar vivo 21 anos, não é um sucesso, é um sucesso enorme.
Damos rostos às cidades
Recordo-vos que a escolha do nome “Rostos” tinha como motivação uma vontade de desenvolver uma proposta jornalística que centrasse a notícia nos “rostos”, porque cada um de nós, cada pessoa, é o rosto de uma noticia.
É a nossa vida individual, os nossos sonhos, e, a nossa envolvência na comunidade que faz nascer o jornalismo vivo e ligado à vida.
Todas as notícias têm “rostos”. Uma cidade é feita de “rostos”. Para nós o importante era, e continuará a ser, dar “rostos” às escolas, às empresas, às associações, à vida.
Dar rosto a cada rosto que é um protagonista de cidadania e do fazer a Cidade.
“Uma cidade com rostos” ou “Damos rostos às cidades” – foram os lemas e são, ainda, nos dias hoje, os nossos lemas.
O logótipo foi criado tendo essa mesma ideia central – um perfil, um rosto, os muitos rostos que todos nós somos.
Quanto à cor o azul era aquela que sentíamos mais perto das cores da natureza - do mar, do céu, do fluir…do voar!
O primeiro título no distrito de Setúbal no começo do século XXI
A primeira edição diária do jornal ROSTOS foi lançada no dia 15 de Dezembro de 2001, em vésperas de eleições autárquicas.
E assim, nasceu o primeiro título da imprensa regional do Distrito de Setúbal e, talvez, o primeiro no país, no começo do século XXI.
E passados 21 anos continuamos a estar por aqui, com paixão e amor, trabalhando para fazer um jornalismo diferenciador, com alegria e, sem dúvidas, acreditando que o belo da vida é amar o que fazemos e viver fazendo o que gostamos. É lindo.
Quando nascemos a cidade tinha mais dois títulos – Jornal do Barreiro e Voz do Barreiro. Pouco tempo depois surgiu um terceiro jornal local «Margem Sul», mais tarde o «Diário do Barreiro – on line». Existiam duas rádios locais. Tudo acabou.
Uma referência regional
O jornal «Rostos» tornou-se uma referência regional, pela cobertura de acontecimentos, pelas entrevistas, pela reportagem e pela inovação.
Recordo a parceria que criámos com a SAPO, com a edição de entrevistas Interactivas, iniciativa que foi divulgada na RTP, a abrir os noticiários regionais.
Transmitimos em tempo real entrevistas via internet, utilizamos ferramentas inovadoras na divulgação de noticias via telemóvel.
A criatividade era a nossa paixão. Nós queríamos fazer o futuro acontecer e não esperar a sua entrada nas nossas práticas, no fazer jornalismo vivo.
Guardo o Rostos no coração
Os projectos foram muitos. Recebemos diversos jovens que após concluir a licenciatura, no «Rostos», fizeram o seu estágio profissional e aqui obtiveram a sua carteira profissional.
“Guardo o Rostos no coração”, dizem, alguns, quando referem a experiência que aqui viveram.
O Rostos sempre manteve uma linha editorial forte, inquebrável – independência, liberdade e respeito pelas diferenças. Isso era, e, obviamente, é complicado, num país marcado com décadas de pensamento a preto e branco.
Uma fonte da memória
Fomos resistindo. Lutando. Ideias e sonhos nunca faltaram. Iniciativas que são referência local como a atribuição dos «Rostos do Ano».
Uma coisa temos a certeza o jornal «Rostos» em todo o seu acervo documental-editorial é uma fonte da memória, um pouco do que resta da nossa memória colectiva dos últimos 20 anos.
De tal forma que, por vezes, até grandes órgãos de informação nacional, como, por exemplo, o jornal Expresso ou o Público, já recorreram e citaram o jornal «Rostos» em trabalhos jornalísticos.
A alegria de manter um serviço cívico
E cá estamos. Mantendo vivo esse sonho de fazer noticia e dar rostos à cidade. Acima de tudo com a alegria de manter um serviço cívico.
Sei que é difícil manter um projecto de imprensa. É difícil, mas não é impossível.
Há, sempre, muito trabalho para fazer e um mundo imenso por construir.
Ao longo dos anos vi nascer e morrer diversos títulos, hoje, a principal conclusão que tirei é que, apesar de ser uma luta dura e dificil, depois de tudo o que vi, e vivi, a verdadeira conclusão que retive é que – Um jornal só sobrevive se for independente...
E um jornalismo de proximidade só se desenvolve se, na sua acção, se envolver com as pessoas – dando rostos às cidades. Se estabelecer pontes com aqueles que fazem o pulsar da comunidade.
Foi nisto que sempre apostámos. É nisto que vamos continuar a apostar. Fazer cidade. Fazer Cidadania.
Construindo pontes e afectos
Em, suma, continuaremos a trabalhar com amor, com alegria, com o coração, fazendo jornalismo com energia criadora, e, estimulando a nossa acção com uma energia viva de permanente relação com a comunidade.
O papel da imprensa regional é contribuir para o desenvolvimento da comunidade.
Enquanto a vida o permitir, e, neste país a liberdade de imprensa se mantiver, cá estaremos, agindo, trabalhando, caminhando, apenas com o objectivo de servir, de dar e receber.
Continuar a fazer um jornalismo - isento, independente, respeitador das diferenças e construindo pontes e afectos.
Obrigado, aos empresários e entidades que ao longo dos anos nos apoiaram.
Obrigado, aos colaboradores e colunistas voluntários que enriquecem os nossos conteúdos.
Obrigado, á minha família que tem sido o pilar principal desta maravilhosa aventura de amor pela cidade.
Obrigado, aos nossos milhares de leitores, afinal, eles são a grande motivação, para manter este serviço cívico. Se não existissem leitores não valia a pena manter este projecto vivo.
Obrigado ao Rostos, por me dar a alegria enorme de continuar, hoje, com 70 anos, a fazer diariamente o que gosto – amando a vida!
Jornalismo que faz cidade e cidadania
É isto o jornalismo de proximidade, um jornalismo onde pulsa a vida. Um jornalismo que é parte das soluções da vida da comunidade e não parte dos problemas.
Afinal, este é um jornalismo que faz cidade e cidadania – uma cidade com rostos!
E, digo-vos, enquanto, não surgem melhores dias, o meu lema pessoal, de cada dia, foi, é, e continuará a ser, aquela frase que aprendi com São Francisco de Assis – “começa fazendo o que é necessário, depois faz o que é possível, e, de repente estás fazendo o impossível”.
E, afinal, o impossível já consegui, estou disso consciente, e, aqui e agora, com uma grande tranquilidade interior, fico feliz, ao pensar que consegui manter vivo este projecto jornalístico durante 21 anos, com verticalidade e dignidade.
Uma lição de vida enorme
Digo-vos, valeu a pena todo este tempo vivido, porque deu-me para conhecer o ser humano, nas seus jogos, e, nesse diálogo com o mundo descobrir-me a mim mesmo, a coragem de resistir nos momentos duros, e os sorrisos nas alegrias. Em tudo aprendi, quer em tudo o que dei, quer em tudo que recebi. Uma lição de vida enorme.
Valeu a pena. Vale a pena porque é lindo viver, amando e vivendo com o coração aquilo que fazemos, sentir alegria nos dias, e, pelo trabalho dar um contributo para fazer a cidade e fazer cidadania.
Isso, acreditem, é lindo! Obrigado!
António Sousa Pereira













