Por dentro dos Dias – BarreiroTertúlia de «Os Leças»: um oásis de palavras no quotidiano da cidade

Por Jornal Rostos
Tudo começou nos dias que antecederam a pandemia, então, dando expressão ao desejo de criar um «Observatório do Associativismo». A pandemia motivou o isolamento social. As portas fecharam-se e as conversas ficaram esquecidas nos dias. E o dito observatório nem abriu os olhos.
Depois, Mário Durval, eterno animador de redes sociais, lançou de novo o desafio e, então, voltaram os almoços, recheados de conversas, sem agenda, sem temas, apenas com o objectivo de conviver e conversar. Ao redor da mesa sentam-se pessoas que, já se conhecem há alguns anos, um ponto de encontro. Uns por ali vão passando, esses, vamos conhecendo. Uns vão, outros partem, uns vão ficando, outros vão e depois regressam após alguma ausência. Ninguém tem obrigação de estar, ninguém tem obrigação de voltar. A liberdade é plena.
Estar ali, na Tertúlia de «Os Leças», é saborear bons petiscos, conversar, rir, ironizar, gritar, cantar, polémicas vivas, ninguém está ali por uma causa partidária, nem vai ali para se mostrar, ninguém está ali por uma religião. Estar ali, é estar a viver o espirito barreirense – esse feito de gente vinda de muitos lados, que aprende a conhecer-se e a dar-se a conhecer. Alentejanos. Algarvios. Madeirenses.
Conversamos sobre a vida, falamos de tudo um pouco, de temas de actualidade, ou de nada, por vezes desconversamos. Outras vezes discutimos estratégias. Fofoquices da politiquice local.
Há conversas com algum interesse, outras conversa sem interesse nenhum, meras banalidades.
Fala-se da cidade. Fala-se do país e do mundo. Recordam-se memórias. Contextos. Situações. Revivem-se os tempos do PREC e de antes do 25 de Abril. Por vezes, parece que estamos a reviver cenas do filme «Os amigos do Alex».
A Tertúlia é sempre um momento de diversão, de ironia, de catarse. Por agora vamos de férias. Volta em Setembro – dia 4 de Setembro.
A Tertúlia de «Os Leças», para além do carinho que todos recebem das senhoras voluntárias que colaboram com a colectividade, conta sempre com a amizade do Alfredo Gonçalves. Um grande obrigado. Vocês todos são a excelência da solidariedade.
A Tertúlia de «Os Leças», continuará a ser um ponto de encontro. Um espaço aberto, onde vai quem quer, quando quer, e quando não quer não vai, para o convívio, só precisa levar uma coisa vontade de rir, ironizar, saborear os petiscos e estar presente num oásis de palavras que floresce no quotidiano da cidade.
De resto, lá fora, a cidade continua tranquila…
António Sousa Pereira













