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Inferências

A(nota) mentosBarreiro vai ficar a ver os comboios passar ?

Na edição do jornal «Público» de hoje, li, com curiosidade o artigo que divulga os interesse da empresa espanhola RENFE em apostar na expansão da sua rede ferroviária para Portugal, nomeadamente nas ligações Madrid-Lisboa.

Sabe-se que a politica europeia nas próximas décadas é apostar em grandes investimentos que contribuam para o desenvolvimento das sua rede ferroviária, seja através de investimento público, seja privado.

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A(nota) mentos Barreiro vai ficar a ver os comboios passar ?

Por Jornal Rostos

A noticia do Público salienta que a RENFE quer entrar no território português e os nuestros hermanos prevêem comboios directos entre Lisboa e Madrid, acrescentando que a RENFE prevê um investimento de 15 milhões de euros para adaptar o seu material circulante aos parâmetros das vias férreas portuguesas.
E, na mesma peça jornalística, sublinha-se que a RENFE já lançou concurso público para garantir o ceritifado de segurança que lehe permita operar na rede portuguesa, e, também estabeleceu um protocolo com o Instituto Camões destinado a ensinar português aos maquinistas espanhóis que venham a operar em Portugal.
Refere-se, igualmente, que do lado espanhol a RENFE possui comboios eléctricos e a diesel, que, após certificação podem circular na rede portuguesa.
Diz a noticia do jornal «Público» que a CP afirma que conhece estas intenções da RENFE pela comunicação social.
Por fim o trabalho do jornalista, Carlos Cipriano, que perante as informações existentes, no caso das ligações Lisboa – Porto, «Portugal pode construir um “autoestrada ferroviária” que será depois usada pela concorrência».

Mas, ao ler esta peça que permite pensar que nuestros hermanos começam pensar, no plano de estratégia ferroviária, numa dimensão ibérica e europeia, por outro lado, nós, por este canto da europa, ainda andamos a resolver problemas de saneamentos financeiros e envolvidos em indecisões.
Ao ler esta noticia duas ocorreu-me ao pensamento que no âmbito do Plano Ferroviário Nacional insere-se a construção da Terceira Travessia do Tejo, uma infraestrutura que, sempre foi dito por diversos técnicos, é essencial para as ligações ferroviárias Lisboa- Madrid.
Este é, portanto um assunto que interessa ao Barreiro, faz parte da sua cultura ferroviária, porque, esta cidade, tem que estar atenta e reivindicativa perante o desenvolvimento do dossier ferroviário.
Ma verdade, o Barreiro ou fica a ver os comboios passar, ou tem capacidade e força politica para exigir que no seu território seja implantada a «Estação Oriente», da margem sul. Este foi um tema discutido, amplamente discutido, que ficou no esquecimento da gestão socialista, e, nem sabemos como esta temática foi abordada na revisão do PDM, que só é conhecida por algumas elites locais, municipais e partidárias.
A registar que a RENFE pode vir a operar em Portugal, com comboios Diesel, pensei de imediato na electrificação dos 300 metros de linha férrea até à Oficinas da CP, criando condições para criar um polo moderno de criação de emprego.
Ah sim, também, pensei, se sim ou não, a dita revisão do PDM, altera a perspectiva de construção de prédios no território das Oficinas ferroviárias, como esta definido no PDM de 1994, da gestão CDU.

O silêncio do Barreiro sobre este tema é preocupante porque pode significar hipotecar uma parte do futuro criador de emprego e apenas deixar em aberto a perspectiva imobiliária para os territórios ferroviários e ignorar que o comboio pode ser valorizador do futuro do Barreiro, dando de novo à cidade podendo ser o ponto de referência, na margem sul, nas ligações de Portugal à Península Ibérica e à Europa.
Por fim, se a TTT – Terceira Travessia do Tejo avançar só com a vertente ferroviária, que é aquilo que prevê o Plano Ferroviário Nacional, que, os barreirenses, que sonha futuro Século XXII, defendam que fique em aberto o cenário de construção da vertente rodoviária, quando tal se justificar. Na Ponte 25 de Abril, os seus projectistas, pensaram-na rodoviária e várias décadas depois é que recebeu a vertente ferroviária. Podemos pensar ao contrário.

Pois, foi tudo isto que me ocorreu, hoje, pela manhã, ao ler a noticia do jornal «Público». Talvez este tema passe para agenda politica local, que tem um interesse essencial para sentir, amar e fazer Barreiro, com saudades do futuro.

António Sousa Pereira

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