Nota do Dia >Na RTP : Augusto Cabrita e Carlos Oliveira «Bóia»

Por Jornal Rostos
Hoje, ao fim da tarde, será inaugurada no Auditório Municipal Augusto Cabrita a exposição que visa assinalar o centenário do nascimento do Mestre Augusto Cabrita.
Um destes dias partiu para o infinito, o atleta olímpico Carlos Oliveira «Bóia».
Dois barreirenses com quem tive o privilégio de compartilhar momentos do tempo que fez a nossa vida cruzar-se, com eles conversei, dialoguei, aprendi a olhar os dias, a pensar e sentir a vida. A descobrir a cidade nos seus recantos.
E, são os seres humanos e as memórias que deles guardamos que dão sentido à nossa vida, ao conteúdo dos nossos dias, para o bem e para o mal.
Augusto Cabrita e Carlos Oliveira «Bóia» foram dois homens que admirei, acima de tudo pela sua pureza, simplicidade e amor ao Barreiro. Homens que sempre fizeram o que gostaram e viviam para fazer o que gostavam, pelo prazer, pela superação, pela aprendizagem e pelo humanismo.
Escrevo esta nota, hoje e aqui, porque no dia que o meu amigo Bóia partiu recordei aquelas imagens de Augusto Cabrita, editadas no final do programa REMATE, na RTP. Falei sobre essas imagens com o meu amigo Armando Seixas Ferreira, e, ontem, ele enviou-me o link das mesmas que podem ser vistas no Arquivo da RTP.
Naquele tempo, o programa REMATE findava, sempre, com um “diaporama” de Augusto Cabrita. Eu deliciava-me a viver aqueles finas de domingo a entrar pelo começo de uma nova semana.
Ao rever aquelas imagens voltei a deliciar-me.
Foi neste tempo que eu senti o Mestre Augusto Cabrita, como o poeta do olhar. Ele escrevia poemas com a sua objectiva, num jogo de movimentos, luz, e, dava vida, ritmo e intensidade às suas fotografias. Nada era acaso. A Fotografia é um acto do pensar, os olhos captam as ideias que fluem no tempo e no espaço.
Sempre que vivia aqueles instantes, sentava-me e escrevia um poema, que, recordo, alguns partilhei com Augusto Cabrita, ao fim da tarde, sentado na sua sala a conversarmos e a olhar o Tejo.
Ontem, ao rever aquele diaporama mais uma vez senti que o Mestre escrevia poemas com os seus olhos, através da sua objectiva, captando os instantes com uma visão estética, mas também com uma dimensão filosófica. Sente-se o silêncio. Vive-se o movimento. Abraçamos a força. O rio é um espelho. O ser humano conquista a paisagem. O homem e a natureza. A luz e a penumbra.
A poesia que nasce no olhar. É por isso que escrevo este registo para recordar o poeta da fotografia – Augusto Cabrita.
E, já agora, que esse espólio do programa Remate, que está, certamente, na RTP, um dia, neste centenário ou no futuro, possa ser divulgado e, quem sabe, até “leit motiv” – expressão que aprendi com Augusto Cabrita, de teses de mestrado ou de ensaios académicos.
Obrigado, Mestre Augusto Cabrita!
António Sousa Pereira
Link para ver video no Arquivo da RTP
https://arquivos.rtp.pt/conteudos/fotografias-de-augusto-cabrita-2/













