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Inferências

ESCREVE O QUE TE VAI NO CORAÇÃO...Sonhando. Lutando. Acreditando.
. ROSTOS 22 ANOS

Um dia foi criada uma rúbrica no jornal ROSTOS, com o título: ESCREVE O QUE TE VAI NO CORAÇÃO.... Eram convidados leitores para escrever o que entendessem, em plena liberdade.
ESCREVE O QUE TE VAI NO CORAÇÃO...foi isso que decidi escrever, nesta manhã de 15 de dezembro de 2023, data em que assinalam 22 anos do jornal Rostos.

4 min de leitura
ESCREVE O QUE TE VAI NO CORAÇÃO... Sonhando. Lutando. Acreditando. . ROSTOS 22 ANOS

Por Jornal Rostos

É isso…era uma vez, um sonho de dar rostos a uma cidade.
Começou no dia de hoje, há 22 anos, foi apresentada no Restaurante “A Transmontana”, no Barreiro, a primeira edição do jornal «Rostos». Um jornal que nasceu com uma ideia central – Dar rostos à cidade. A cidade que é a polis. O lugar onde todos vivemos e partilhamos o quotidiano.

Estava consciente que tinha pela frente um projecto que seria difícil concretizar, mas, com a energia dos meus 50 anos, considerava que seria possível ergue-lo, construir um meio de comunicação social local que não olhasse para a cidade com quaisquer outros objectivos que não fosse esse – dar rostos à cidade.
Uma cidade é feita de muitos rostos, pessoas que, diariamente, arregaçam as mangas e partem para a construção da vida. Sonhando. Lutando. Acreditando.

E, foi com esse sentir que, neste dia, há 22 anos, dei o primeiro passo desta longa caminhada inscrevendo no coração e na mente estas palavras: sonhar, lutar, acreditar.

Depois em 25 de setembro de 2002, nasceu a edição on line, um projecto inovador e pioneiro. Cá estamos. Sempre acreditando. Sempre sonhando. O sonho era esse fazer jornalismo plural, independente, construtor de cidade e cidadania, contribuir para afirmar a democracia, valorizar a região.
Um sonho que foi sendo concretizado, caminho que tem sido feito com resiliência e paixão.

Uma luta quotidiana conseguir recursos para criar e manter uma equipa, sem perder a identidade. Muito difícil. Muito difícil.
Inicialmente, fomos conseguindo manter a actividade, mantendo uma equipa e sempre de cabeça erguida.
Neste tempo, não sei quantas vezes já fui acusado de estar ao serviço de A, outras de B, de comer almoços e jantares. Enfim.
Cá estou, sempre com a mesma verticalidade.
Cá estou, na mesma, na luta – Liberdade, Ética e Integridade. Como um dia disse ao meu amigo e colunista do Rostos, Carlos Alberto Correia

Ainda e sempre de pé, porque é de pé que os poetas sabem estar. Vivem de pé, sonham de pé e morrem de pé, e de pé mantêm viva a utopia que se faz eternidade. Coisas de poetas.

Nestes anos todos, a motivação foi sempre acreditar. E acreditei. Criei postos de trabalho. Abri portas aos jovens que se iniciaram no jornalismo. Demos rostos à cidade. Inovamos. Fomos pioneiros na comunicação digital. Desenvolvemos projectos de futuro.
Nunca deixei de pensar na palavra ACREDITAR..
Podemos acreditar em grande e podemos acreditar meramente como o COLIBRI, sonhando.

São celebrados hoje 22 anos deste projecto – Jornal Rostos
– o primeiro pilar sempre esteve e está na minha família;
- o segundo pilar os colaboradores, colunistas, que enriquecem os nossos conteúdos;
-o terceiro em pequenos e médios empresários, ou poarcerias, que nos ajudam a manter viva esta voz na região;
- o quarto pilar os nossos leitores, milhares de pessoas que nos acarinham estimulam, agradecem e, muitas vezes, alertam para fazermos a noticia.
- o quinto pilar a LIBERDADE, que queremos festejas nos 50 anos de ABRIL.

Estes 22 anos de vida, não foram fáceis, não são fáceis, mas, uma coisa é certa, hoje, dia 15 de dezembro de 2023 – CONTINUAMOS VIVOS.
Vejam bem…estamos vivos!
Sim, vamos morrer um dia, tudo tem um tempo.
Estou com 71 anos e estou consciente que sou um pouco a alma desta loucura. Uma loucura saudável que vivo com prazer e alegria. Faço o que gosto. Divirto-me. Faço jornalismo no concelho do Barreiro há 50 anos – um serviço cívico que está inscrito na história e na identidade deste concelho e na região – Jornal Daterra, Rostos, Cachaporreiro, Jornal do Barreiro.
Sinto-me feliz. Obrigado Barreiro.
Sei, se nos últimos anos eu vivesse desta actividade tinha morrido à fome.
Não morri. Estou aqui, sim estou aqui… 22 anos depois, mantendo viva esta comunicação local, um serviço cívico na dimensão do possível.

Enquanto houver democracia e liberdade vamos continuar.
Enquanto a minha idade e saúde forem permitindo cá estarei.
Sempre, fazendo jornalismo, separando noticia de opinião, dando voz às diferenças, para que este mundo não fique reduzido a um pensamento único.

Desculpem não ser possível fazer mais, nem melhor… cada cidade tem o jornalismo que é possível.
Vivam felizes.

António Sousa Pereira

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