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Inferências

No Barreiro - a esquerda em debate

Se o debate já começou no PCP. Se o PSD já abriu caminho para iniciar a abordagem de uma solução. O Bloco de Esquerda tem o seu candidato anunciado – Mário Durval. O PS não precisa de anunciar candidato porque já existe um candidato natural – Emídio Xavier.
4 min de leitura

Por S.P.

Mário Durval está claro e poucos dúvidas podem subsistir que será o candidato do Bloco de Esquerda.
O BE também não tem muitas opções e perder o seu candidato natural seria um erro estratégico. O BE tem um rosto.
Não se vislumbra uma “revolta” .Humberto Candeias poderia ser outra opção dos bloquistas, mas seria ir contra o rosto histórico do BE no concelho do Barreiro. Humberto poderá posicionar-se para a liderança da Assembleia Municipal.
O Bloco de Esquerda vai ser uma grande dúvida nas próximas autárquicas, teremos que esperar pelo barómetro que serão as Europeias.
Mas com as sondagens a atribuir ao BE, a nível nacional, percentagens semelhantes ao PCP, então o Bloco começa a emergir como uma força política alternativa ao PCP.
No Barreiro, de facto, o Bloco tem sabido fazer política e contrariamente ao que era habitual apenas surgir nos períodos pré eleitorais, o BE tem dinamizado de forma constante uma acção política irreverente, marcando a agenda política local, obrigando os socialistas a agir de forma re-activa às suas “provocações”.
O BE pode ser uma força que, no futuro, poderá influenciar a vida local, basta-lhe eleger para a Assembleia Municipal e aí tornar-se uma força de “charneira”, o que não é um cenário impossível.

Emídio Xavier - a opção do PS

Emídio Xavier está claro que vai avançar, na sua recandidatura à Presidência da Câmara Municipal do Barreiro, na verdade, as suas palavras, no dia 8 de Fevereiro, no decorrer da entrega do Prémio “Rosto do Ano- 2003” deixou essa interpretação em aberto – está disponível e tem vontade para servir o PS e o Barreiro.
Será que o PS tem outra opção ? Não parece credível, no quadro actual, que qualquer outra opção se afirme com mais credibilidade que Emídio Xavier.
De facto, qualquer outra opção contra o líder actual da Comissão Política do PS e Presidente da Câmara, que retirou a autarquia ao PCP, será um tiro nos pés, por muito que doa ...a quem não gosta!
Emídio Xavier tem sabido gerir equilíbrios na Câmara e no seu partido e já demonstrou o seu “sentido de estado”.
Emídio Xavier é o candidato anunciado. Amílcar Romano poderá abrir caminho para garantir a sua presença na Vereação e tornar-se o 2º na lista dos socialistas. João Soares é provável que continue a ser um nome a contemplar, porque pelo trabalho já demonstrou que é um homem certo no lugar certo ( há quem lhe chame o Carlos Maurício do PS). Luís Pedro Cerqueira, provavelmente também não será um “ vereador” a abater.
Costuma dizer-se que em equipa que ganha não se mexe e esta equipa, mesmo com algumas derrotas e empates pelo caminho, está a conseguir manter-se à frente do campeonato.
Será que o PS tem condições de lutar pelo 5º Vereador ? Tenha ou não tenha aqui pela “ocupação” deste lugar é que vai ser o combate político interno dos socialistas.
Porque o 5º lugar é uma lança para abrir caminho face a qualquer “perda” que possa acontecer, o que não será inédito, nem novidade.
Outro cenário nos socialistas diferente deste passará obrigatoriamente pela “mesa limpa” e isso a acontecer ou é antes do Congresso do PCP, ou então os socialistas, poderão deitar a perder todo um trabalho que levou décadas a construir...
O PS ao nível nacional e regional tem que ser capaz de interpretar o significado político do Barreiro.
O PS não pode perder o Barreiro. O PS tem que apostar no Barreiro.
É positivo registar que o “Acção Socialista” finalmente está a dedicar algum espaço ao Barreiro.
Emídio Xavier tem que contar com o apoio total e a colaboração da Direcção Nacional do PS.
No Barreiro está em discussão a esquerda em Portugal.
O Barreiro vai ser um laboratório de reflexão sobre a forma como o eleitorado de esquerda vê a esquerda em Portugal.
PCP e PS vão confrontar-se e o BE vai procurar abrir brechas.
O PSD vai testar a sua capacidade de alargar ao centro esquerda, mesmo num quadro de aliança com o CDS/PP.
Os dados estão quase lançados... e as Europeias serão o primeiro teste de avaliação!

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