Barreiro – Por dentro dos DiasDo «império industrial» ao «império do betão»

Por Jornal Rostos
Fui caminhando ao longo da margem, um «Bom Dia», aqui, um «Bom Ano», acolá. Um aperto de mão. Sempre presente, o novo tempo anunciado.
Junto à muralha, perto do Clube Naval do Barreiro, escutei as ondas do Tejo a beijar aquela franja de areal. Olhei Lisboa. É belo sentir os sons da paisagem. Fechar os olhos, sentindo a ondulação bater, com ternura, nos neurónios. Todas as paisagens têm dentro de si sons que transportamos.
O movimento da sonoridade das ondas foi, subitamente, quebrado pelo som das 11 horas, que rompeu a luz do sol, vindo da Igreja de Nª Srª do Rosário, a cantar – “Avé Maria”. Sorri.
Olhei a Caldeira da Braamcamp, ali ao abandono, já lá vão alguns anos, desde 2017, afinal, desde que a gestão socialista, que está apostada na construção do «Império de Betão», decidiu cancelar os investimentos de fundos europeus, que estavam programados e aprovados, e, pelas suas ilusões improváveis ( só porque o PDM, ultrapassado o previa) optou por desviar esses investimento para outros objectivos, enfim, sonhava construir naquela zona ribeirinha a dita «Veneza do Tejo». Estórias. Um território que é património municipal está ao total abandono.
Neste meu deambular pela paisagem, olho para o fundo do Passeio Ribeirinho Augusto Cabrita, observo os territórios da antiga CUF, recordo os meus dias a trabalhar na fábrica de Zinco Metálico. Nesse tempo, já com indústrias em decadência, os elefantes brancos que por ali proliferavam, mas, o Barreiro ainda tinha dentro das suas vivências quotidianas a energia do «Império Industrial», uma realidade económica e social que lhe dava vida própria, que se misturava com as suas zonas dormitório, nascidas na expansão urbana que começou nos anos 70, com a fuga dos quartos de Lisboa, para andares no Barreiro. De tal forma, esta era uma cidade viva e activa, que nos anos 90, o Barreiro era um dos concelhos, do país, com maior número de jovens licenciados.
Neste começo de ano de Dois Mil e Vinte Quatro, olho a paisagem, e, sinto que afinal, o Barreiro do «Império industrial», hoje, está sendo «fabricado» para se transformar num «Império do betão».
É isso que faz pensar, e sentir, a frase da moda: «O que o Barreiro era, e o que o Barreiro é…”. Coisas.
Divirtam-se. Bom Ano Novo.
António Sousa Pereira













