InferênciasCongresso do PCP marca agenda política
O PCP pretende com a realização deste evento, de certa forma, criar condições para determinar as agendas políticas locais.
Por António Sousa Pereira
É, por tudo isto, que as eleições autárquicas no concelho do Barreiro vão começar mais cedo, muito mais cedo, do que aquilo que se esperava, e, apesar de estarmos a dois anos do novo processo eleitoral, na verdade, o clima político local anda agitado e parece que já estamos num ambiente de pré eleitoral. Nas “caves” o clima está tenso.
A primeira matéria que, naturalmente, está em discussão, que divide opiniões e está colocada em cima da mesa é a definição dos candidatos à Presidência da Câmara Municipal do Barreiro.
Não é por mero acaso que, nesta altura, Mendes Costa vem anunciar que a sua vida autárquica termina no final do actual mandato, deixando, desde já, o caminho aberto para que Bruno Vitorino de forma livre comece a pensar em opções.
Mendes Costa, termina a vida autárquica mas, naturalmente, não termina a sua vida política.
Mendes Costa tem sido o estratega do PSD ao longo de décadas.
Soube influenciar e impor a presença do seu partido durante a gestão do PCP, sendo a principal “muleta” de apoio a Pedro Canário.
Bruno Vitorino no actual mandato não lhe deu espaço de manobra e nunca abdicou de afirmar-se como o líder do PSD.
Qual será a alternativa a Mendes Costa ? Um nome de referência na vida local ou um nome a lançar para o futuro ?
Será que Mendes Costa vê com bons olhos a aliança previsível entre o PSD e CDS/PP no concelho do Barreiro?
O PSD aposta em afirmar-se como alternativa ao PS e por essa razão não quer ser rotulado de “muleta” e exige ao PS que mantenha aberta uma porta de diálogo especial com o líder do partido.
Congresso marca o ritmo
O PCP nunca se convenceu que perdeu as eleições. O PCP tudo irá fazer para reconquistar a Presidência da Câmara Municipal do Barreiro.
A realização do Congresso do PCP, no Barreiro, em 2004, exige que o PCP comece a discutir hoje, desde já, o nome que vai apresentar à Presidência da Câmara Municipal do Barreiro.
O candidato do PCP tem que estar escolhido até ao Congresso para, obviamente, ser apresentado nesse Fórum como o futuro Presidente e transformar-se num elemento galvanizador e gerador de uma onda de vitória.
E, inclusivamente, até ao Congresso de 2004, estarão escolhidos os candidatos para ocupar os lugares na Vereação.
Não é, portanto, por mero acaso que começam a realizar-se “encontros” que colocam na mesma mesa frente a frente “figuras” carismáticas e históricas do PCP Barreiro.
Para o PCP o calendário eleitoral está mais reduzido, porque o arranque da sua Campanha Eleitoral será em Novembro de 2004.
O Barreiro não é uma aposta do PCP Barreiro é uma aposta do PCP ao nível nacional.
O PCP precisa erguer, como de pão para a boca, na noite das próximas autárquicas – 2005, a bandeira do Barreiro. Quer como símbolo de reconquista do seu bastião histórico, quer como símbolo de uma derrota infligida ao PS.
Por estas razões é natural que, por estas alturas, a discussão de nomes ou apresentação de sugestões de nomes seja já motivo de abordagens, conversas de bastidores, encontros de troca de opiniões.
O PCP trabalha à distância, planifica, organiza, mobiliza, aponta objectivos.
Mas, a discussão do candidato à Presidência da Câmara Municipal do Barreiro não é uma escolha fácil para o PCP.
O PCP poderá ter mesmo que ceder a candidatura à “liderança da Câmara” a um independente, desde que tal lhe perspective um cenário de vitória. Uma mera hipótese que, a acontecer, exige que a escolha seja efectuada com algum tempo, muito antes do Congresso, de forma a que tudo esteja devidamente arrumado e as eventuais “resistências residuais” estejam sanadas.













