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Inferências

InferênciasPara já, apenas a ponta do “iceberg”...

A vida política local está calma ou agitada? O mais que pode ser dito neste momento é que cada força política está na fase do “iceberg”. Há uma grande camada nas profundidades que se agita, move-se, mas não se vê à superfície.
As estratégias começam a ser delineadas e quem tiver unhas é que toca guitarra.
7 min de leitura

Por António Sousa Pereira

As movimentações já começaram, silenciosamente, pressionando, agitando, criando o clima necessário para que tudo vá ficando apenas pela ponta do “iceberg”.
O PCP está consciente das suas dificuldades. Sabe que vai ser difícil retirar ao PS a liderança da autarquia, mas não vai abdicar, naturalmente, de lutar por esse objectivo político.
Mas será que muitos dos seus “quadros” acreditam nesse cenário?
A probabilidade que o PCP tem de reconquistar a Câmara Municipal do Barreiro, e ela existe, passa por uma grande mudança da sua forma de estar na vida política local.
Em primeiro lugar o PCP teria que ser capaz de ser a força motivadora da CDU, gerar espaços de debate que fossem para além do PCP, abrir-se à cidade e respeitar as diferenças.
Ainda há, sem dúvida, no Barreiro, um conjunto de personalidades que são capazes de dar a cara pelo PCP, desde que vissem abertura e a gestação de um espaço de acção política para “independentes”.
Ora esta dificuldade do PCP é uma carga negativa que dificulta a sua capacidade de acção.
O PCP para arrancar rumo ao futuro no Barreiro teria que ser capaz de deixar para trás alguns dos seus protagonistas, porque foram eles que conduziram o PCP para o beco sem saída onde está metido.
Ora, são esses protagonistas que estão a marcar o presente e continuam, pelo bem e pelo mal, a ser os rostos do PCP.
Terá o PCP condições de gerar listas que integrem um conjunto de nomes que vão para além dos seus rostos históricos?
Terá o PCP coragem de fomentar uma lista de “independentes”, dando-lhes espaço de acção política, colocando acima de tudo o Barreiro e o seu desenvolvimento ?
Só por aqui é que o PCP criará as condições para, eventualmente, retirar a liderança da Câmara ao PS, ou seja, afirmando-se e motivando uma vaga de fundo local que galvanize os anseios que emergiram em torno do projecto que conduziu os socialistas à liderança do concelho, o denominado BEM – Barreiro em Movimento.
Uma dinâmica social que envolva descontentes, aqueles que reconhecem ou vão afirmando no dia a dia que pouco ou nada mudou...
O PCP se continuar a repetir que o PS não fez nada, nem faz nada, não está mais que a autocriticar-se porque, sem dúvida, nada daquilo que o PCP tinha em desenvolvimento deixou de ser feito pela Câmara liderada pelos socialistas.
Algumas coisas são mesmo “chapa 5”, feitas de forma rotineira, administrativa, sem objectivos de médio prazo, são coisas que devem ser feitas porque sempre se fez assim, sempre assim será...
O ambiente político no interior do PCP deve estar ao rubro, uns que devem entender que o PCP vai regressar e não precisa de qualquer abertura, outros que sentem a realidade e sabem que para dar a volta é preciso um “novo discurso”.
A onde irá conduzir esta discussão é o que vamos ver, para já é só a ponta do “iceberg”...

BE – uma força presente

O Bloco de Esquerda é outra força política em crescendo no Barreiro, embora reduzida a um pequeno número de quadros é uma força política activa, dinâmica e tem uma visão de cidade, moderna e inovadora, que vai ao encontro de muitos anseios que marcaram gerações que sonharam com uma sociedade participada e motivadora.
O Bloco de Esquerda está a conseguir “unir” em torno do seu discurso algumas franjas sociais que, pela forma de estar e viver, sentem que as mudanças devem ser partilhadas e forças de envolvimento de diversos sectores sociais.
O Bloco de Esquerda dificilmente elegerá um Vereador, embora, para termos uma ideia mais concreta é bom que esperemos pelo resultado eleitorais das Europeias, esse será o primeiro barómetro.
Mas o Bloco de Esquerda pode ser uma força política que pelas suas posturas, mais próximas da candidatura PCP, ou mais próximas da candidatura PS, poderá influenciar as decisões do eleitorado.
Pelo que conhecemos do Bloco e dado o “sectarismo” do PCP, e o afastamento do PCP em relação ao Bloco de Esquerda, parece, de facto, que o BE está mais próximo de “acarinhar” o PS.
Mas, há sempre um mas, o PS tem que ser capaz de cativar o BE, porque quando não se estabelecem diálogos e não se cultivam dinâmicas políticas, o afastamento é inevitável.
O PS tem que ser capaz de abrir as portas ao diálogo com o Bloco, escutar os seus comentários e agir, não de forma reactiva, mas de forma proactiva.
O Bloco de Esquerda lá vai marcando presença, agitando a opinião pública e marcando a agenda política, e quanto ao resto é só a ponta do “iceberg”...

Emídio Xavier e os outros

Os socialistas estão agitados. O que se vê é só a ponta do “iceberg”. Entre desagravos e retóricas da história, contam-se espingardas e preparam-se as armas para os combates políticos.
Esperemos que o Barreiro não colha como exemplo de acção política, nem aprenda, ou queira “repor” no quotidiano da cidade exemplos recolhidos das lições juvenis que estão a agitar o distrito.
Emídio Xavier é, sem dúvida, o líder natural do PS nos dias de hoje, por razões que emergiram de desenvolvimentos históricos recentes.
E, como é natural, qualquer líder tem sempre contestações. Um líder que não é contestado é tudo menos líder.
Um líder que não é contestado ou é um funcionário respeitável, ou um cacique, ou um senhor do poder que tem poder mas não tem autoridade. Obedecem-lhe mas não merece respeito.
Emídio Xavier é líder porque é respeitado. Não é temido é respeitado. Esta é uma grande diferença política. É a diferença entre um “General” e um “Líder”.
O problema que se coloca é saber quem vai acompanhar Emídio Xavier nas listas que irão merecer um profundo debate.
Em geral, é dado quase adquirido, mesmo que existam contestações não produzem mais que efeitos secundários, que Emídio Xavier será o candidato do PS nas próximas autárquicas. Só se ele não quiser e ele também está no direito de não querer.
Mas, há pessoas que, pelo seu compromisso com a história e com valores não lhes é permitido voltar as costas, muito mais num tempo de transição e mudança.
A luta no PS não vai ser pela ocupação do lugar de candidato à Presidência, a luta no PS vai ser pela ocupação dos segundos e terceiros lugares, quartos ou quintos, porque serão esses que irão determinar a candidatura em 2009.
Têm dúvidas, no PS, há já pessoas a pensar em 2009, e na idade que terão em 2009 !
Em primeiro lugar, coloca-se a pergunta, dos que estão na Vereação: quem vai continuar ? Tem ou não Emídio Xavier uma palavra a dizer ?
Aqui começa a emergir a ponta do “iceberg”.
E por hoje ficamos por aqui... porque ainda temos que falar do PSD e de outras coisas mais.

António Sousa Pereira

Nota – Os cumprimentos aso muitos leitores de “Rostos on line” que acompanham com regularidade as Inferências e sobre elas tecem comentários.

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