Crónica do Pato BravoConstruir um “modelo” de cidade
Por S.P.
Numa das conversas recentes colocava-se sobre a mesa a ideia de “projecto de cidade” – a cidade que somos, a cidade que queremos ser.
A importância de se pensar e desenvolver um modelo de cidade que seja capaz de galvanizar as forças endógenas era, por todos, referenciado como um caminho inevitável.
“Perdemos muito tempo” – era referido.
“É tempo de passarmos da ideia de política espectáculo, ou política propaganda, para um acção política estruturante que seja impulsionadora de um projecto de cidade” – comentava-se.
“Um projecto de cidade tem que passar, por considerar os seguintes aspectos : uma ideia estratégica; definição de logística; potenciar os recursos humanos e perspectivar a dimensão financeira. Não se faz a cidade sem os empresários. Não se faz a cidade sem os cidadãos. Não se faz a cidade sem projectos estruturantes. Não se faz a cidade sem um Plano Estratégico” – concluía-se.
Será que 11 de Janeiro de 2002 foi a data de arranque para a construção desse projecto de cidade? – perguntava-se.
“É que diz-se que temos um projecto de cidade, mas a cidade não sabe dele” – comentava-se.
E ficou em aberto este tema.
Outra conversa que esteve sobre a mesa, noutra conversa, esta semana, foi sobre o Auditório Augusto Cabrita.
Pensar este equipamento comunitário no contexto de uma política cultural para cidade e da cidade.
Pode o Auditório Augusto Cabrita ser um modelo de referência na vida cultural da cidade e afirmar-se como um elemento de projecção da cidade na região?
Havia mesmo quem, com ironia, comentasse : o Auditório Municipal Augusto Cabrita dava um óptimo Teatro Municipal.
Esta semana, no âmbito de uma conversa semelhante, discutia-se sobre a importância de recuperar e não perder a Casa da Cultura dos Trabalhadores da Adubos de Portugal, dado ser, talvez, o mais importante espaço para espectáculos existente no concelho do Barreiro. Falava-se da sua reconversão e no seu enquadramento no âmbito da estratégia de elaboração do Masterplan. Ideias.
Por fim considerava-se, na conversa desta semana, que o Barreiro tem que, no Plano Estratégico, para além do pensar o conceito “Barreiro Cidade Desportiva”, ser igualmente capaz de pensar a ideia “Barreiro Cidade Cultural”, estimulando a componente turismo – na restauração, na prestação de serviços a Lisboa e no potenciar as memórias industriais do concelho.
Ficou para a história o Barreiro Industrial, agora trata-se de projectar um “Barreiro Cultural”.
Neste contexto consideravam-se indissociáveis três documentos estruturantes – Plano Municipal do Ambiente; Plano Estratégico Cultural e Plano de Desenvolvimento Estratégico.
A futura revisão do PDM não pode, nem deve, ignorar a conceptualização destes documentos que devem ser debatidos com os agentes locais, motivando-os para a sua elaboração, solicitando contributos de entidades locais e mobilizando as forças da cidade para a construção da cidade.
Trata-se de contrapor a um “modelo” de estar, viver e fazer a cidade de uma forma “centralizadora”, herdado de 26 anos de gestão populista e autista, por um modelo de “cidade aberta” e participada.
Debater os Planos e Orçamentos com os Agentes Locais.
Colocar sobre a Mesa, em análise pública, as principais acções que se pretendem desenvolver, de acordo com os recursos financeiros disponíveis.
Que os cidadãos e os agentes locais sintam as Grandes Opções do Plano e Orçamento, como algo que lhes pertence, porque debateram.
Assim, pode começar a nascer um modelo de cidade que fará esquecer o passado...e pode começar a nascer a cidade que queremos legar aos vindouros.
Por aqui passa o marcar a diferença...
S. P.













