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Inferências

Crónica do Pato BravoConstruir um “modelo” de cidade

Os encontros de Quinta Feira, no Pato Bravo, deixam sempre em aberto temas para reflexão, assuntos que merecem um comentário ou uma breve nota sobre acontecimentos que fazem o nosso quotidiano.
4 min de leitura

Por S.P.

Numa das conversas recentes colocava-se sobre a mesa a ideia de “projecto de cidade” – a cidade que somos, a cidade que queremos ser.
A importância de se pensar e desenvolver um modelo de cidade que seja capaz de galvanizar as forças endógenas era, por todos, referenciado como um caminho inevitável.
“Perdemos muito tempo” – era referido.
“É tempo de passarmos da ideia de política espectáculo, ou política propaganda, para um acção política estruturante que seja impulsionadora de um projecto de cidade” – comentava-se.
“Um projecto de cidade tem que passar, por considerar os seguintes aspectos : uma ideia estratégica; definição de logística; potenciar os recursos humanos e perspectivar a dimensão financeira. Não se faz a cidade sem os empresários. Não se faz a cidade sem os cidadãos. Não se faz a cidade sem projectos estruturantes. Não se faz a cidade sem um Plano Estratégico” – concluía-se.
Será que 11 de Janeiro de 2002 foi a data de arranque para a construção desse projecto de cidade? – perguntava-se.
“É que diz-se que temos um projecto de cidade, mas a cidade não sabe dele” – comentava-se.
E ficou em aberto este tema.
Outra conversa que esteve sobre a mesa, noutra conversa, esta semana, foi sobre o Auditório Augusto Cabrita.
Pensar este equipamento comunitário no contexto de uma política cultural para cidade e da cidade.
Pode o Auditório Augusto Cabrita ser um modelo de referência na vida cultural da cidade e afirmar-se como um elemento de projecção da cidade na região?
Havia mesmo quem, com ironia, comentasse : o Auditório Municipal Augusto Cabrita dava um óptimo Teatro Municipal.
Esta semana, no âmbito de uma conversa semelhante, discutia-se sobre a importância de recuperar e não perder a Casa da Cultura dos Trabalhadores da Adubos de Portugal, dado ser, talvez, o mais importante espaço para espectáculos existente no concelho do Barreiro. Falava-se da sua reconversão e no seu enquadramento no âmbito da estratégia de elaboração do Masterplan. Ideias.
Por fim considerava-se, na conversa desta semana, que o Barreiro tem que, no Plano Estratégico, para além do pensar o conceito “Barreiro Cidade Desportiva”, ser igualmente capaz de pensar a ideia “Barreiro Cidade Cultural”, estimulando a componente turismo – na restauração, na prestação de serviços a Lisboa e no potenciar as memórias industriais do concelho.
Ficou para a história o Barreiro Industrial, agora trata-se de projectar um “Barreiro Cultural”.
Neste contexto consideravam-se indissociáveis três documentos estruturantes – Plano Municipal do Ambiente; Plano Estratégico Cultural e Plano de Desenvolvimento Estratégico.
A futura revisão do PDM não pode, nem deve, ignorar a conceptualização destes documentos que devem ser debatidos com os agentes locais, motivando-os para a sua elaboração, solicitando contributos de entidades locais e mobilizando as forças da cidade para a construção da cidade.
Trata-se de contrapor a um “modelo” de estar, viver e fazer a cidade de uma forma “centralizadora”, herdado de 26 anos de gestão populista e autista, por um modelo de “cidade aberta” e participada.
Debater os Planos e Orçamentos com os Agentes Locais.
Colocar sobre a Mesa, em análise pública, as principais acções que se pretendem desenvolver, de acordo com os recursos financeiros disponíveis.
Que os cidadãos e os agentes locais sintam as Grandes Opções do Plano e Orçamento, como algo que lhes pertence, porque debateram.
Assim, pode começar a nascer um modelo de cidade que fará esquecer o passado...e pode começar a nascer a cidade que queremos legar aos vindouros.
Por aqui passa o marcar a diferença...

S. P.

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