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Inferências

Por dentro dos diasSorria, sorria sempre!
Por António Sousa Pereira
Barreiro

Hoje, pela manhã, encontrei uma senhora, por mero acaso, numa rua da vila do Lavradio, olhou para mim, sorrindo, com um sorriso de ternura, daqueles sorrisos sem preço, nem pretensões. O sorriso apenas o sorriso.

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Por dentro dos dias Sorria, sorria sempre! Por António Sousa Pereira Barreiro

Por Jornal Rostos

Olhou, disse : “Vejo-o todos os dias no Facebook. Todos os dias, o meu dia começa com a leitura de noticias. Por isso, todos os dias encontro-me consigo. Sou sua amiga há muitos anos”, comentou a sorrir, sempre a sorrir, um sorriso que floria na beleza dos seus olhos.
É desses sorrisos que gosto, esse que nós sentimos mergulhando no olhar. Esses que aprendi a descobrir com mais energia e ternura, naqueles tempos do covid. Lembram-se? Quando nós, descobríamos o outro pelo olhar, pela ternura e pelo sorriso do olhar. É esse sorriso que é lindo! Esse é sorriso humanista. Puro, porque nasce no coração.
O outro sorriso, o tal, esse, nasce nas veias, conduz o brilho do olhar aos nervos, que transpiram no tempo. Esses, são os sorrisos de ansiedade e angústia. Tristes.

“Gosto da sua neta. É linda. Só tem uma?” – perguntou.
“Sim, só tenho a minha Alice”, respondi.
“Eu tenho dois filhos. Mas não tenho nenhum neto”, comentou com o seu olhar a deitar-se em pensamentos de sonhos futuros.
Agradeci as palavras amorosas. Desejei bom Ano Novo, e, comentei – “Que seja com saúde, isso é o mais importante, termos saúde!”.
A senhora, simpática e de grande amabilidade, retribuiu os mesmos votos.
Por ali fomos, desde a porta da farmácia, onde nos cruzámos, seguindo pela Rua Luís Furtado de Albuquerque, outrora, disseram-me, era conhecida por Rua Nova, porque, era por ali que a vila começava a expandir-se e, entre os campos e vinhas, nascia o novo Lavradio.

Fomos caminhando lado a lado, sentindo o brilho do sol e o aconchego do seu calor, nesta manhã fria, de dezembro, neste tempo de dias mais curtos e noites mais longas. O Inverno. Este tempo, quando festejamos a alegria de viver o Natal.
Gosto do Natal, porque nele inscrevi sempre a palavra Amor.
Depois das luzes de Natal, surgem as luzes do tempo a despedir-se. Sentimos o tempo correr, fluindo para o final do Ano.
A vida é sempre assim, um tempo novo que se dilui no futuro que nasce e transporta consigo a esperança, essa palavra que semeamos ao longo do tempo vivido. O tempo, é sempre legado de outro tempo. Porque nunca é tarde demais para recomeçar.
Talvez, por isso, ano após ano, pegamos em passas, perto da meia noite, e, na delicia do seu sabor semeamos a palavra esperança – desejos, sonhos. Amamos o futuro.
O belo do presente é sentirmos dentro dele a energia do passado a semear amanhã, e, ao mesmo tempo, força do futuro que nasce a florir no ontem, porque somos sempre - o donde viemos e o para onde vamos.
O importante é isso, caminhar sorrindo, sempre sorrindo…
“Sabe, sou sua amiga no Facebook, há muitos anos. Todos os dias pela manhã, estou consigo!”
Obrigado, pela companhia. Sorria, sorria sempre!

António Sousa Pereira
TE – 180
Equiparado a Jornalista

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