Inferências – Projecto Parques Cidades do TejoAfinal, Barreiro será desta?

Por Jornal Rostos
Faz hoje dois anos. Foi no dia 29 de março de 2023 que no âmbito do programa “Governo Mais Próximo” realizou-se no Parque Empresarial – então Baía do Tejo – a Cerimónia de Apresentação do Projeto Arco Ribeirinho Sul, um projecto direcionado para o conjunto dos territórios do Arco Ribeirinho Sul – Almada, Seixal e Barreiro, mais de 525 hectares.
Recordo aquela expressão de António Costa, Primeiro-Ministro, dirigindo-se a Carlos Humberto, na circunstância já ex- presidente da Câmara Municipal do Barreiro e dizer-lhe, olhos nos olhos, que antes não tinhamos conseguido, mas agora vamos conseguir. Referia-se ao arrancar com o ambicioso projecto do Arco Ribeirinho Sul, no caso a reconversão e requalificação do Parque Empresarial do Barreiro, integrado num plano, como disse, naquele dia Fernando Medina, Ministro das Finanças, o projecto “é um bem da economia da região e também um bem da economia do país”, acrescentado que - “esta região é claramente um motor da economia nacional”.
Construção de um novo Aeroporto Internacional de Lisboa
Recordo que, após esta sessão, a Direcção da Organização Regional de Setúbal do PCP acusou de ser “propaganda eleitoral” e salientou que, entre outras medidas, “um plano de desenvolvimento integrado para a Península de Setúbal deve ter em conta, entre outros aspectos” a construção de um novo Aeroporto Internacional de Lisboa, no campo de tiro de Alcochete, e a construção da terceira travessia do Tejo, rodo-ferroviária, entre Barreiro-Lisboa.
Prometer exatamente os mesmos planos e as mesmas obras
Por outro lado, a Comissão Política Distrital de Setúbal do PSD recordou que em 2009, o Governo do PS, na época liderado por José Sócrates anunciou, com pompa e circunstância, o Plano Estratégico do Arco Ribeirinho Sul que tinha como objetivo a requalificação e reconversão urbanística dos territórios da Quimiparque, no Barreiro, Siderurgia Nacional, no Seixal e Margueira, em Almada, sendo “o mesmo que em 2016, 2017 e 2023, agora sob o comando de António Costa, volta a prometer exatamente os mesmos planos e as mesmas obras”.
Arco Ribeirinho Sul, “não é enésima apresentação”
E, no dia 29 de março de 2023, o Ministro das Finanças, salientou que o projecto Arco Ribeirinho Sul, tem que ser “um referencial de qualidade de vida, da qualidade de vida que, hoje, nos modernos espaços urbanos se exige, e, é condição essencial, a sua competitividade, que seja capaz de propiciar condições para a fixação das pessoas e das actividades de forma sustentável ao longo do tempo e com tudo o que isso significa com condições ao nível da Habitação Acessível, da construção de equipamentos, da construção de modernas infraestruturas de transporte”
Salientou que a apresentação do Projecto do Arco Ribeirinho Sul, “não é enésima apresentação”, mas, significa, amanhã, o Conselho de Ministros tomará um conjunto de decisões que “marcam o arranque dos aspectos concretos e nucleares para o desenvolvimento de toda esta região”.
Projecto Parques Cidades do Tejo
E, cá estamos, ontem o primeiro-ministro Luís Montenegro apresentou as linhas gerais do projecto Parques Cidades do Tejo que pelas noticias publicadas na comunicação social pretende unir as duas margens do Tejo, com projectos a desenvolver no Arco Ribeirinho, nomeadamente em Almada, Barreiro, Seixal, Lisboa, Oeiras, Loures Montijo e Benavente.
Um projecto que visa, referem as noticias, a construção da ponte Barreiro – Chelas (3 mil milhões de investimento); um túnel Trafaria- Algés, o novo aeroporto de Lisboa, 25 mil casas, e criando 200 mil postos de trabalho, apostando o Governo, desta forma, em criar a grande metrópole no Tejo. No total, refere-se que a área de intervenção urbanística é na ordem dos 4500 hectares, o que segundo o governo equivale 55 vezes a Parque Expo.
Dotação inicial de 26 mil e 500 milhões de euros
O Parques Cidades do Tejo tem quatro eixos : Arco Ribeirinho Sul, Aeroporto Humberto Delgado e Cidade Aeroportuária. Conta com espaços para a habitação, espaços de lazer, investigação e cultura. Prevê-se a construção de uma ópera Tejo, um Centro de Congressos Internacional e desenvolver a Cidade Aeroportuária.
Segundo as noticias, para desenvolver o proejcto o Governo irá criar a Sociedade Parque Cidades do Tejo S.A - uma empresa detida a 100% pelo Estado, com uma dotação inicial de 26 mil e 500 milhões de euros com uma gestão dividida entre o Estado e os municípios.
Eixo Arco Ribeirinho Sul
Pelas informações que recolhi na comunicação social, no que diz respeito ao território do concelho do Barreiro, terá impacto o desenvolvimento dos projectos previstos para o Eixo Arco Ribeirinho Sul (Almada, Seixal, Barreiro), que tem 519 hectares de área de intervenção, 15 km frente de rio, estão previstas a construção de 8 mil novas habitações de acordo com PDM vigentes e mais 20 mil habitações e 800 mil m2de equipamentos, dos quais 2.300.000 m2 destinados ao setor terciário/atividades económicas.
O território do Barreiro, naturalmente, irá sentir impactos do que está projectado para o dito Eixo Benavente-Montijo - Cidade Aeroportuária, com mais de 3 mil hectares de intervenção, a ligação direta através da ferrovia de alta velocidade e das principais rodovias para Norte e Sul, a construção de uma nova cidade aeroportuária e ciência e indústria náutica.
Emídio Xavier ( PS) e Carlos Humberto ( CDU), sonharam
Ao ler as noticias, sobre a possível implementação do projecto Parques Cidades do Tejo fiquei feliz. Sorri. E recordei dois presidentes da Câmara Municipal do Barreiro que sempre sonharam e se empenharam na valorização desta ideia central – a cidade das duas margens, a ideia que Lisboa tinha que abrir o seu futuro para a margem sul – Emídio Xavier ( PS) e Carlos Humberto ( CDU), sonharam e, hoje, acredito, que estejam felizes como eu estou feliz. Embora interrogue: Será desta?
Aliás, quero qcrescentar sonharam eles, os dois presidentes e sonharam os seus vereadores – Luís Pedro Cerqueira ( PS) e Rui Lopo (CDU). Sonharam com a Cidade do Cinema, sonharam com o Masterplan, sonharam com a projecto Quimiparque e zonas envolventes, sonharam como o Terminal Multimodal, sonharam e lutaram.
Sonharam, até, os que cultivaram pensamento estratégico, em torno do conceito “cidade de duas margens”, quando da elaboração dos PROT AML, nos anos 90.
Talvez assim, deixemos de ser a “margem sul”, a “outra banda”...
Este sonho, está de novo na ordem do dia. O meu desejo, que, talvez até, não irei ver nada disto, é que este projecto Parques Cidades do Tejo, que vai para além de tudo o que tem sido dito se concretize e que Lisboa se afirme como uma metrópole de dimensão europeia, e, como porta para o Atlântico que, no futuro, a este projecto se junte o pensar estrategicamente uma região mais ampla de Peniche a Sines, como já um dia foi defendido.
Talvez assim, deixemos de ser a “margem sul”, a “outra banda”, “o lado de lá”, a região da mão de obra para servir Lisboa, o que tem sido ao longo de séculos.
António Sousa Pereira
TE – 180
Equiparado a Jornalista













