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Inferências

Crónica do Pato BravoDo Barreiro Velho e das alianças estratégicas

No último almoço do Pato Bravo, ali, às Quintas Feiras, no coração do Lavradio Velho, estiveram na mesa diversos temas de conversa, entre os quais destacamos: Barreiro Velho e alianças estratégicas.
4 min de leitura

Por S.P.

No que diz respeito ao Barreiro Velho falou-se que este foi um tema que, pelas razões mais diversas, ao longo dos anos foi, um pouco, um “tabu”, nomeadamente porque sendo uma matéria polémica, sempre que o mesmo era abordado temia-se o seu aprofundamento porque poderia colocar em causa a imagem da Câmara Municipal do Barreiro.
Falar “mal” do Barreiro Velho seria equivalente a falar “mal” da Câmara e, durante muito tempo a Câmara do Barreiro era intocável.
Felizmente, nos dias de hoje, pode falar-se de tudo e falar mal da Câmara é um “fait divers”.
Conclui-se que o problema do Barreiro Velho tem um mal congénito – falta de debate, a ausência de procura de soluções, e a incapacidade de dialogar com os seus “utilizadores” no sentido de encontrar perspectivas de desenvolvimento e o seu enquadramento renovado no tecido urbano.
Era mais fácil culpar os governos e acusá-lo das dificuldades do que procurar encontrar soluções.
A culpa era do governo que não legislava. Ficava tudo resolvido e encontrado o bode expiatório.
Eduardo Porfirio, Vereador do PSD, demonstrou que era possível começar a trabalhar e a desenvolver algumas medidas de renovação do espaço urbano “Barreiro Velho”. Em primeiro era necessário definir uma estratégia, depois ir avançando, calmamente, e solucionando situações.
Foi o período que contribuiu para realizar algumas acções no Largo Rompana, no Largo Santa Cruz. Registaram-se algumas intervenções em edifícios. Deram-se alguns passos. Mas, pronto...ficou-se por aí...
O Barreiro carece de um Programa Estratégico de curto, médio e longo prazo, de forma a aquele espaço não se transforme num “gueto”.
No imediato é preciso pensar e solucionar a circulação de trânsito – principalmente aos fins de semana. Para quando um estudo de circulação? Para quando a coragem de criar zonas restritas à circulação pedonal, principalmente aos fins de semana?
Hoje, pode dizer-se o ambiente no Barreiro Velho à noite é um pouco mais saudável, graças a um policiamento mais eficaz e a uma intervenção policial devidamente pensada e planeada. Um registo que diversos empresários da “noite” salientam.
Mas, acima de tudo, sem dúvida que o importante é definir uma estratégia para o Barreiro Velho de forma a evitar a sua desertificação, criarem-se condições de habitabilidade e garantir o desenvolvimento equilibrado das suas características comerciais.
Falta um Programa de Animação Sócio Cultural ? Faltam espaços que possam ser atractivos e que animem a vida cultural do Barreiro Velho, atraindo novos públicos.
Por isso é necessário discutir e continuar a debater, em diversos aspectos o Barreiro Velho, na procura de soluções e nunca mais deixando que este tema seja um “tabu”.

Tempo de estratégias
Sobre estratégias e alianças. Falou-se de caminhos políticos, de opções políticas. Falou-se da cidade que discute e se discute. Falou-se de cidade amordaçada e falou-se de cidade livre.
Falou-se de ausência de políticas sociais. Houve mesmo quem afirmasse se a nível nacional há um “Abagão Social” no Barreiro há um “Apagão Social”. Criticas. Irreverências. Formas de desbravar novos caminhos.
Tudo isto ligado a estratégias e a alianças estratégicas.
Falou-se do PSD muleta do PCP. Falou-se do Bloco de Esquerda que sofre do “fantasma do PCP”. Falou-se do “silêncio de nós” e da “voz de nós”. Coisas que se lêem nas entrelinhas. Falou-se do PS e dos “enfant terribles” que sempre existirão.
Dizia-se que, nos dias de hoje, sente-se o regresso do “associativismo” à cultura da cidade e que tudo está em discussão.
Falou-se do peso político real das pessoas e dos partidos. Falou-se do peso político eleitoral das pessoas e dos partidos políticos.
Falou-se do Barreiro – que somos ? que queremos?
E a fechar a conversa até se falou de “ratos brancos” e de “unhas rachadas”...coisas que só quem ama e sente o Barreiro, sabe sentir e falar.
Aliás, estes almoços, no Pato Bravo, no essencial são marcados por conversas feitas de quem gosta de viver aqui e quer viver aqui...porque esta é uma terra que se ama.

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