Bloco de EsquerdaO “grilo falante” da política barreirense
Mário Durval, é, sem dúvida o “rosto” do Bloco de Esquerda, e, tem com uma grande dedicação contribuído para dar visibilidade à acção política dos bloquistas.
Por António Sousa Pereira
Mário Durval foi o candidato à Presidência da Câmara Municipal do Barreiro, nas últimas autárquicas pelo Bloco de Esquerda, e, naturalmente, será de novo o candidato do BE, nas próximas eleições de 2005.
O Bloco de Esquerda, no Barreiro, é no essencial o “herdeiro” de um corrente política que nunca baixou os braços no concelho do Barreiro – a UDP – aliás força donde Mário Durval é oriundo.
A UDP foi uma força política que ao longo dos anos capitalizou uma pequena franja do eleitorado – entre os 500 e mil eleitores.
O Bloco de Esquerda pode considerar-se que já aumentou esta base social de apoio podendo calcular-se que a sua franja eleitoral rondará actualmente entre os 1500 e 2000 eleitores, portanto duplicou a base social de apoio que era tradicional à UDP.
O Bloco de Esquerda de acordo com sondagens nacionais está a aproximar-se, para já, na possibilidade de retirar um eleito ao PCP, nas próximas Eleições Europeias, elegendo pela primeira vez.
Igualmente, em termos nacionais os bloquistas tendem a atingir uma percentagem eleitoral muito próxima do PCP, no que diz respeito a Eleições Legislativas.
Em que medida esta evolução política nacional do Bloco de Esquerda pode ser um sinal que permita projectar um aumento do seu peso político no concelho do Barreiro, é algo fica por apurar.
Valorizar a participação
O Bloco de Esquerda para já, no Barreiro, está a marcar presença, e, contrariamente ao que acontecia com a UDP que, após as eleições autárquicas hibernava, os bloquistas têm vindo da dar luta e, por vezes, a obrigar os socialistas e mesmo a Presidência da Câmara Municipal do Barreiro a reagir aos seus comentários e tomadas de posição política.
Os Bloquistas desenvolveram uma acção política centrada na ironia e na critica às “promessas eleitorais dos socialistas”.
Os Bloquistas têm sido os arautos da exigência de uma “cultura de participação”.
Os Bloquistas lança debates, propõem reflexões e dinamizam a abordagem de temas quentes sobre o Barreiro que somos e o Barreiro que queremos.
Os Bloquistas criticam igualmente o PCP por, não ter aprendido em 27 anos de Poder, nem agora na Oposição, a respeitar as diferenças.
“Barreiro Século XXI – Que futuro?” foi o tema que animou um Encontro promovido pelo Bloco de Esquerda – Barreiro e aberto à participação de todos os interessados.
Foi um dia de intenso debate e de reflexão sobre a actualidade do concelho do Barreiro e as perspectivas que se colocam para o século XXI.
A afirmação da centralidade do Barreiro no âmbito da AML e Península de Setúbal, como, lugar de referência no Arco Ribeirinho do Tejo, foi uma ideia força que atravessou diferentes intervenções.
É raro o debate ou iniciativa política aberta aos cidadãos que não se registe a presença de alguém ligado ao Bloco de Esquerda, comentando, sugerindo, criticando.
É verdade que o “núcleo duro” do BE é “conhecido” e, por essas razões, talvez, no seio desta força política não parecem existir “clivagens” nem conflitos de poder, por esta razão tudo indica que Mário Durval vá ser de novo, o candidato nas próximas autárquicas, até porque, pelo facto de Mário Durval desempenhar no Barreiro as funções de Delegado de Saúde, e, este, é, sem dúvida, um valor acrescentado para os bloquistas, isto é, o Bloco de Esquerda só tem a ganhar e nada a perder se mantiver esta candidatura.
O Bloco de Esquerda está entre dois fogos e para ganhar espaço político tem que ser capaz de ganhar espaço nas áreas do PS e do PCP.
Se o BE critica demasiado o PS, meramente pela negativa, perde espaço político em sectores que acreditam e continuam a apostar na mudança e que ficaram cansados da gestão comunista e ao colocarem-se nesta dimensão os bloquistas reforçam o PCP, o seu principal adversário.
O Bloco para conquistar lugares na Assembleia Municipal ou um lugar na Vereação da Câmara Municipal do Barreiro certamente não vai retirar um vereador ao PSD.
O Bloco tem, por razões históricas, no concelho do Barreiro, mais condições de retirar um Vereador ao PCP que ao PS.
E, na verdade, é esta falta de visão estratégica que, parece faltar ao BE no concelho do Barreiro, ou seja, a definição de qual o seu adversário principal.
Só um exemplo o BE defende a participação dos cidadãos. Que participação – a toque de caixa ? Ou pela cidadania?
Em conclusão, de qualquer forma, os bloquistas são, sem dúvida, uma força política na cidade do Barreiro e quem ignorar a sua presença está a ignorar o futuro...porque afinal o BE é o “grilo falante” que, por vezes, toca a consciência e nos valores de uma cidade que todos queremos que seja marcada pelo respeito democrático e pela valorização das diferenças.













