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Inferências

InferênciasPS, PCP e PSD – três olhares sobre a cidade

O PSD demonstrou, mais uma vez, que sabe ser oposição. O PCP demonstrou que perdeu o rumo e não sabe ser oposição. O PS demonstrou que está á altura de defender uma “ideia de cidade”.
Uma cidade que se discute é uma cidade viva.
6 min de leitura

Por Jornal Rostos

Os factos políticos mais recentes da vida política local passam pelas duas reuniões da Assembleia Municipal do Barreiro e pelos debates que nelas foram realizados.
Numa reunião esteve em debate o projecto das Cordoarias, agora já denominado “Rossio do Barreiro”.
Esteve em debate o projecto que Luís Pedro Cerqueira, Vereador do Planeamento e Gestão Urbanística, defendeu como crucial para a revitalização do centro do Barreiro e uma medida importante para “oxigenar” o Comércio tradicional no centro da cidade.
Sem dúvida que o Barreiro carece de desenvolver o seu centro e, pessoalmente, sou dos que acredita que a valorização do centro de uma cidade passa pela requalificação do seu espaço e pelo desenvolvimento da sua capacidade de atractividade.
Embora, sublinho que o Barreiro tem que apostar na polinuclearização desses centros – no Lavradio, em Santo André em Coina, de forma a que o Barreiro se transforme num “concelho de comunidades”
O Barreiro, nuclear, carece de um centro com qualidade, de espaços que permitam a circulação pedonal e que simultaneamente se transformem num ponto de encontro da cidade e do concelho.
Este debate motivado pelo PSD foi, sem dúvida importante que se realizasse ao nível da Assembleia Municipal do Barreiro e, neste caso, todo o mérito vai para o PSD que, de forma táctica soube marcar a agenda política.
Sé que tudo o que foi dito e as conclusões que foram retiradas provam que nada de novo foi acrescentado: o projecto está em discussão, ainda não foi aprovado e poderá ser alterado até à sua aprovação final.
Portanto, isto significa, que previamente a Câmara Municipal do Barreiro, através dos seus próprios recursos, poderia ter motivado este debate, promovendo reuniões dirigidas a públicos alvos, e permitindo uma abordagem, do projecto, divulgando o que foi divulgado na Assembleia Municipal.
O PSD lançou o debate, ganhou espaço na cidade, soube gerir a polémica, de forma politicamente correcta. Soube desempenhar o seu papel de partido da oposição.
No decorrer do debate soube recuar e, sendo o derrotado, saiu, pode dizer-se de cabeça erguida porque, ganhou politicamente, na Secretaria, embora tenha perdido no campo.
Agora, perante os factos, o PSD, resta-lhe gerir a “crise” que fomentou e ser capaz de compreender que este projecto tem um valor acrescentado para o desenvolvimento futuro do Barreiro.
O PCP neste debate lavou as mãos como Pilatos. Tem dúvidas e exige que o mesmo seja equacionado no contexto do Masterplan. Mas isso é óbvio. Até nem parece que foi no decorrer da sua gestão que este projecto ganhou os seus contornos.
Afinal, com neste debate o PCP “espetou”, mais uma vez, uma faca nas costas de Pedro Canário.
O PSD demonstrou, mais uma vez, que sabe ser oposição.
O PCP demonstrou que perdeu o rumo e não sabe ser oposição.
O PS esteve muito bem nesta reunião da Assembleia Municipal e demonstrou que, está á altura de defender uma “ideia de cidade”.
Neste caso funcionou de forma plena o binómio Emídio Xavier – Luís Pedro Cerqueira.

A alternativa e a alternância

O outro momento foi a reunião da Assembleia Municipal do Barreiro para analisar a nova proposta de Grandes Opções do Plano e Orçamento.
Mais uma vez um debate motivado pela acção política do PSD.
O PSD engoliu o sapo, mas teve força para colocar exigências e demonstrou que é uma força política com peso, que pode influenciar a vida da cidade.
Esta reunião demonstrou claramente como a estratégia de Emídio Xavier é a mais correcta para um partido que não conquistou a maioria absoluta e que tem que dialogar com a única oposição com a qual é possível dialogar, e não pode gerir com o eu quero posso e mando.
O PCP na sua posição de alternância de poder, está cego e só vê esse cenário, sendo incapaz de optar por uma votação diferente e utilizar a sua força para colocar exigências que fossem ao encontro de resolução de problemas que considera prioritários.
Mas a prioridade do PCP é dizer que “está tudo mal” e que isto só se resolve com o seu regresso à Presidência da Câmara Municipal do Barreiro.
O PS apenas perdeu tempo, porque o que agora foi negociado poderia ter sido em Dezembro.
O PS ganhou um novo fôlego e Emídio Xavier, de novo, saiu politicamente reforçado.
O próximo “round” vai ser a Assembleia Extraordinária para debater a “descentralização de competências para as freguesias”.
Parece que, pouco a pouco, a Assembleia Municipal do Barreiro está a transformar-se no palco de confronto político e de procura de rumos para o futuro.
Isto é positivo e exige que os eleitos assumam com responsabilidade os cargos para que foram eleitos.
È, ali, de facto que poderá ser observado quem está na política para se afirmar como alternativa ou quem está na política apenas interessado na alternância, coisas muito diferentes. Ser alternativa é ter ideias novas e provar que pode fazer diferente. Ser alternância é contar os votos e pensar que com “conversa” e pela “conversa” muda-se o sentido de votos dos cidadãos.
O PSD tem demonstrado que quer ser alternativa, debate ideias e afirma a sua qualidade de oposição responsável. Pode-se concordar ou discordar. É assim a política.
O PCP tem demonstrado que quer ser alternância e, para quem esteve tantos anos no poder, apenas se limita a afirmar “está tudo mal”, não dizendo o que faria diferente.
Estes debates deram um “combate” entre o PSD e o PS.
O PS soube aguentar e demonstrou que está a começar a sair da “surpresa” de ter ganho talvez, inesperadamente, o Barreiro, e começa a afirmar-se como um partido que não quer voltar a ser oposição.
O PCP esteve sentado no banco e apenas entrou no jogo porque não podia limitar-se a ser assistente.
Valeu a pena... sentir que a cidade está politicamente viva, que tudo discute e quer continuar a discutir.

António Sousa Pereira

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