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Inferências

InferênciasAssembleia Municipal do Barreiro :A montanha pariu um rato

As Juntas de Freguesia do concelho do Barreiro, lideradas pelo PCP, propuseram a realização de uma Assembleia Municipal extraordinária para analisar matérias relacionadas com a “descentralização de competências”.
Uma matéria interessante que merece análise política, um debate positivo, se encarado na perspectiva de valorização da democracia e da prestação de melhores e mais eficientes serviços às populações.
Esta uma matéria “tabu” durante muitos anos no concelho do Barreiro.
3 min de leitura

Por António Sousa Pereira

E, sublinhe-se que, afinal foi positivo que os socialistas, ente si, tivessem acordado alguns princípios sobre descentralização para as freguesias porque, lançaram algumas sementes que são um conjunto de ideias estratégicas que, pelos vistos na opinião de todas as forças políticas podem proporcionar uma reflexão séria sobre esta matéria.

Descentralizações a “ferros”

Aliás, João Raio, PCP, Presidente da Junta de Freguesia de Santo André, sublinhou claramente que, mesmo no Barreiro, num tempo em que as Juntas de Freguesia, eram todas do PCP, foi a “ferros” que os autarcas das freguesias foram conquistando transferências de competências.
Logo, pelos vistos, não é um assunto fácil, que exista o reconhecimento das capacidades e respeito pela acção dos eleitos nas freguesias. Um trabalho que deve ser continuado, debatido, a bem do aprofundamento da democracia portuguesa.
Nada disto esteve em discussão, como temática central desta Assembleia, o que contou foi criticar “promessas eleitorais” e o confronto político partidário.
Aliás o debate nesta reunião da Assembleia Municipal, no global, caracterizou-se por isso: ironia, guerrilha partidária e ausência de ideias.
Bruno Vitorino reconheceu o papel e a importância das Juntas de Freguesia e considerou necessária a evolução da legislação sobre a definição de competências.
È justo que possa estar frustrado sobre o desenvolvimento desta matéria no concelho do Barreiro e, esse, era de facto o seu objectivo político, criticar o “Pacto PS”, ganhar no confronto com os socialistas. E, por essa razão, ironizou.
Helder Madeira, igualmente, centrou as suas preocupações no dito “Pacto PS” e reconheceu, numa verdadeira gaff política, que o PS não pode fazer em 2 anos, aquilo que o PCP não fez em 27 anos.
Mas exige que faça, que cumpra as promessas. E lançou o repto de o PS ser julgado não pelo trabalho que está a realizar, mas pelas promessas que fez ao eleitorado.
Significa isto que o PCP continua a entender que o PS ganhou as eleições porque fez muitas promessas, enganando os eleitores e não porque o PCP não fez em 27 anos, aquilo que quer que o PS agora faça em 2 anos.
A intervenção mais positiva da noite foi feita por Cardoso Ferreira, PS, porque analisou o assunto, assumiu compromissos e disponibilidades e recordou que as Juntas, PCP, não estão interessadas em debater as descentralizações, estão interessadas na guerrilha política partidária.

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