Inferências IIAssembleia Municipal do Barreiro :A montanha pariu um rato
Uma matéria interessante que merece análise política, um debate positivo, se encarado na perspectiva de valorização da democracia e da prestação de melhores e mais eficientes serviços às populações.
Esta uma matéria “tabu” durante muitos anos no concelho do Barreiro.
Por António Sousa Pereira
A intervenção mais positiva da noite foi feita por Cardoso Ferreira, PS, porque analisou o assunto, assumiu compromissos e disponibilidades e recordou que as Juntas, PCP, não estão interessadas em debater as descentralizações, estão interessadas na guerrilha política partidária.
PS ganhou
Politicamente esta Assembleia foi ganha pelo PS. Se houver dúvidas sobre isso basta ler o conteúdo das declarações de voto finais.
Helder Madeira, sem rasgar a recomendação do PSD, apesar de ter votado a favor da mesma, reconheceu que não abre caminho para uma “discussão abrangente” da temática das descentralizações.
António Sardinha, PS, que se abstiveram na recomendação do PCP, sublinhou que tudo o que lá está escrito está a ser cumprido e que sobre esta matéria as “negociações não estão encerradas”.
Mas será que há mesmo interesse em discutir as descentralizações por parte do PCP ou do PSD? Ou que se pretende é erguer a bandeira das promessas, o conteúdo do “Pacto P” ?
O nível dos discursos
Esta Assembleia como facto político demonstrou que o PSD vai agudizar o seu combate ao PS, procurando conquistar espaço para evitar que o PS, ganhe a maioria absoluta, ou até que o seu despique com o PCP seja mais acesso.
O PCP demonstrou que continua a não saber fazer política pela positiva, foi por isso que perdeu o Barreiro e por este caminho continua a demonstrar que é incapaz de apostar na construção de uma cidade aberta.
A mobilização de seus militantes, poucos, os que é possível, fazendo querer passar a ideia que o poder está na rua, que está a acontecer em todas as Assembleias Municipais, não é um sinal de força é um sinal de desespero e de guerrilha política acentuada.
O discurso que o PS não está a fazer nada e que só fez o que herdou do PCP está a ficar gasto, serve para se autoconvencer e para “agit prop”.
O PCP é incapaz de reconhecer que, pela primeira vez, ao fim de 30 anos de democracia, finalmente, no Barreiro discute-se um projecto de cidade e perspectiva-se o seu futuro de forma participada.
E o PS, não está a conseguir, de forma clara a dar sentido a este trabalho positivo, do ponto de vista estratégico, que tem vindo a realizar, empurrando para o Auditório Augusto Cabrita, uma exposição que fica num “amontoado”, excesso de comunicação e informação num pequeno espaço, e sem que, no local, seja efectuada a distribuição de um documento de apoio, com base no conteúdo exposto, que os visitantes pudessem levar para ler e avaliar. Bastava editar uma revista com aquele material exposto.
É se calhar de tudo isto, desta discussão macro que se procura desviar as atenções, levando o debate para o nível de uma Assembleia Municipal onde afinal, todos sabiam que o que estava em debate era o sexo dos anjos – eu sei que tu sabes, que eu sei que tu sabes que eu sei...
Esta Assembleia demonstrou que o PS está a começar a marcar pontos e a saber para onde vai, enquanto a oposição continua a navegar pelas “promessas”.
O PSD aproveitando e bem as fraquezas do PCP e o flanco que o PS quando se descai, indo atrás das suas “provocações”.
O PCP demonstrando que está a perder inteligência política e que é incapaz de demonstrar que foi poder nesta terra 27 anos e que conhece os dossier’s. Ou será que o PCP ignora que foi a “ferros” que as Juntas de Freguesia conseguiram descentralizações.
E sobre promessas, nota positiva para João Pintassilgo, PS, ao recordar quantos anos o PCP demorou a promessa de muitas campanhas eleitorais de construção do Mercado do Lavradio.
Sobre promessas, nota positiva também para Pedro Gomes, ao sublinhar que elas não podem ir para a gaveta e ao seu gesto de rasgar o “Pacto PS”, que pecou por não ter pedido desculpa e licença pelo acto político que cometeu. É a irreverência da juventude.
Adolfo Lopo, PCP, continua, sem dúvida, a ser o melhor militante do PCP na Assembleia Municipal do Barreiro, conseguindo superar Helder Madeira. Merecia ser promovido nas próximas autárquicas.
O PS que é minoria na Câmara Municipal do Barreiro e na Assembleia Municipal do Barreiro está a ganhar pontos conseguindo confrontar de forma plena a maioria PSD- PCP, que funciona como “oposição das promessas”.
É pena que o Bloco de Esquerda não tenha ali um representante, porque poderia dar um sentido critico na avaliação das promessas mais irreverente.













