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Inferências

InferênciasAbril no Barreiro
– uma festa à esquerda !

Uma das coisas mais belas que o 25 de Abril trouxe foi a liberdade, o direito de opção e de escolha, o respeito pelas diferenças.
Por essa razão, é legitimo, é justo que qualquer entidade possa e deva promover as iniciativas que entender para comemorar e festejar o 25 de Abril.
A realização de jantares comemorativos do 25 de Abril nos últimos anos tem gerado um “braço de ferro” entre o PCP e o PS, portanto um “facto político” que não pode, nem deve ser ignorado.
6 min de leitura

Por António Sousa Pereira

Tudo começou pelos vistos no ano da graça de 2002, quando as Juntas de Freguesia lideradas pelo PCP, em confronto com as Juntas de Freguesia lideradas pelo PS, tomaram a opção de realizar um jantar evocativo da efeméride, promovido, apenas, pelas Juntas de Freguesia comunistas.
Esta opção motivou as Juntas de Freguesia lideradas pelo PS a promover uma iniciativa semelhante.
Foi um braço de ferro para medir forças. O jantar do PCP juntou cerca de 300 pessoas. O almoço PS juntou cerca de 200 pessoas.
Feitas as “contabilidades” políticas, nas suas reflexões, o PCP cantou vitória.
Feitas as “contabilidades” políticas, igualmente, o PS, cantou vitória, porque teve condições de dar a resposta adequada ao PCP.
O PSD marcou presença nos dois “banquetes festivos”. O Bloco de Esquerda marcou presença no “banquete socialista”. Igualmente o CDS/PP marcou presença no “banquete socialista”.

Abril é liberdade

O PS deu o primeiro sinal político que, afinal, comemorar o 25 de Abril, no Barreiro, não é um exclusivo, nem propriedade do PCP.
Aliás, esta é a primeira causa que está na origem deste “braço de ferro”, a ideia que os comunistas, ou alguns comunistas possuem, que o 25 de Abril é um exclusivo, pertence-lhes, e todos os outros se usam o cravo ao peito podem e devem agradecer ao PCP.
Foram muitos anos a impor o slogan : “25 de Abril sempre! Fascismo nunca mais!”.
Só nos anos 90, nasceu o slogan – “O sabor da palavra liberdade” e posteriormente, surgiu – “Barreiro – um sol de Abril”.
E o “sol” como todos sabemos “brilhará para todos nós”.
No ano 2002, com a realização de dois “banquetes festivos” ficou clara a ideia que afinal, nada, a partir de agora, seria como dantes e que, no Barreiro – Abril é liberdade!

Guerra PCP contra PS

A segunda razão que está por trás deste “confronto” é o facto de o PCP considerar que apesar de ter perdido a presidência da Câmara Municipal do Barreiro, continua a ser a maior força política no concelho do Barreiro, sendo a expressão do resultado eleitoral alcançado nas Juntas de Freguesia, um dado que tal pode provar.
Na opinião do PCP as Juntas têm mais legitimidade política, porque contam com mais expressão eleitoral.
Neste contexto as Juntas de Freguesia, lideradas pelo PCP, mais que se preocuparem em assumir um “papel de estado” têm funcionado e funcionam como uma “correia de transmissão do PCP” e numa constante acção de guerrilha política contra a liderança socialista no concelho.
O jantar evocativo do 25 de Abril funciona, naturalmente, como mais uma “guerra” nessa batalha instituída pelo PCP contra o PS.
Claro que as Juntas de Freguesia podem e devem promover as iniciativas que entenderem para comemorar o 25 de Abril, mas que, este acto não é um mero acaso e tem contornos e leituras políticas, é, portanto, um facto que merece a reflexão.
Estes “banquetes festivos” são um separar das águas, são dois olhares diferenciados sobre o 25 de Abril.
Estes “banquetes festivos” são os sinais do confronto anunciado para as próximas autárquicas e pretendem distanciar claramente o PCP do PS, porque o PCP teme o “abraço de urso”.
É preciso entender que o PCP não brinca em serviço, nem brinca à política.

Nada será como dantes

Chegamos a 2003. As Juntas de Freguesia lideradas pelo PCP marcam de novo o seu jantar. As Juntas socialistas ficam pelo silêncio.
A Câmara Municipal do Barreiro agendou no programa evocativo um jantar comemorativo da efeméride.
O PSD distancia-se de imediato desta iniciativa, argumentando com a presença de Otelo Saraiva de Carvalho.
O PCP mantém o silêncio. Os seus Vereadores não participam, nem os seus eleitos das Juntas de Freguesia, naquele que é o jantar concelhio, promovido pela autarquia.
No próprio PS levantam-se vozes discordantes e não participam no jantar, porque criticam a presença de Otelo Saraiva de Carvalho.
O jantar marcado para o Pavilhão do Fabril levanta muitas interrogações. Muitas consideram uma aventura.
O “braço de ferro” entre o PCP e o PS, atinge, com esta acção o seu ponto mais alto.
A contagem de cabeças é um “quebra cabeças”.
O jantar das Junta de Freguesia tinha contado com 300 participantes.
O jantar promovido pela Câmara consta que atingiu perto das 900 presenças.
Um jantar que sofreu “boicotes” do PSD, do PCP e de sectores do PS, foi afinal um jantar histórico, que vai ficar na memória de todos aqueles que ali estiveram em festa – comunistas, socialistas, bloquistas, sem partido, católicos. Foi, sem dúvida, um jantar de esquerda – da esquerda barreirense que quer manter vivo o ideal do 25 de Abril – a liberdade.
O PCP perdeu. O PSD perdeu. Os sectores socialistas que, há boca fechada, apostavam no fracasso perderam.
Se em 2003 o jantar promovido pelas Juntas de Freguesia lideradas pelo PS, demonstrou que no Barreiro, a partir de agora nada será como dantes, este ano de 2004, ficará na história como uma referência viva ao 25 de Abril – o 25 de Abril deixou de ser propriedade do PCP e passou a pertencer aos barreirenses.
Emídio Xavier colocou a cabeça a prémio com esta iniciativa e, naturalmente, Amílcar Romano, vereador responsável pelo programa das comemorações, estava na primeira linha das criticas e era um alvo a abater.
O PSD perdeu a oportunidade de abrir a sua acção ao centro esquerda. O PSD não pode esquecer que Otelo foi o símbolo de Abril.
O PCP isolou-se e deu ao PS o protagonismo pleno das comemorações do 25 de Abril.
Os factos políticos são factos políticos e as consequências dos mesmos e lições devem ser retiradas pelos protagonistas da vida política local.
A Câmara Municipal do Barreiro liderada pelo PS marcou e afirmou que...Abril Vive!

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