Luís Pedro Cerqueira, Vereador do PlaneamentoÉ fundamental promover a coesão territorial da Margem Sul
Por António Sousa Pereira
“A Habitação é parte integrante do Urbanismo, estão intimamente ligados e não há subordinação de um ao outro, no entanto, há políticas urbanísticas que têm incidência directa na Habitação.
Nesse quadro de incidências directas de políticas de Habitação, aí, nesse caso, é preciso ponderar os efeitos que elas terão ao nível urbanístico.
Para dividir em dois grandes blocos temos : Políticas Urbanísticas que assentam, claramente, na expansão do Parque Habitacional, e, Políticas Urbanísticas que assentam na recuperação do actual Parque Habitacional, na preservação da cidade que temos e da memória que temos dessa cidade.
É necessário que existam Políticas de Expansão da Cidade. Sabemos que na Expansão da Cidade, é marcante a área, o espaço, consagrado à expansão Urbana para Habitação.” Começou por referir Luís Pedro Cerqueira.
Urgente conservar Património
“Na fase em que estamos, neste momento, de Revisão do Plano Director Municipal, penso que temos uma perspectiva que devemos ponderar : olhando o quadro de crescimento de população que temos em Portugal, o quadro de crescimento que temos na Área Metropolitana de Lisboa, esses são muito baixos, mas, também num quadro de mobilidade intrametropolitana que ainda hoje existe, devemos reflectir se o Barreiro deve ou não deve manter uma Política de Expansão Urbana e que características deve ter essa política de expansão urbana.
Parece-me fundamental, neste momento, uma coisa, que é começarmos a ter uma clara Política de Conservação do Património Habitacional que existe no Barreiro e, até que ponto, com que profundidade, com que transformação, na recuperação desse património se deve intervir.”
Moderar crescimento Populacional
Perante esta reflexão inicial do Vereador Luís Cerqueira, sublinhámos que durante décadas, o que determinou o Urbanismo no Barreiro foi a Habitação, a Habitação marcou o planeamento Urbano do Barreiro, ao ponto do próprio PDM, aprovado nos finais do anos 90, perspectivar um crescimento populacional até aos 210 mil habitantes.
Nesse sentido interrogámos se com a Revisão do PDM, estas perspectivas irão manter-se, isso é positivo ou negativo para o futuro do concelho do Barreiro.
“Há partida penso que não que o Barreiro não vai ter, ou não será desejável, que se vá perspectivar um crescimento com essas características.” – começou por salientar.
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Criar emprego no Barreiro
Luís Pedro Cerqueira defende que, em termos de AML, não é vantajoso continuar a manter-se a dependência da Margem Sul do emprego existente em Lisboa, defendendo que é necessário perspectivar um modelo na AML que seja capaz de gerar equilíbrios, procurando um modelo de desenvolvimento no qual exista “complementaridade entre o emprego e a Habitação”.
Na sua opinião, há fenómenos urbanos, na Margem Sul, que justificam novos investimentos, que contribuam para aumentar o emprego no Barreiro e na Moita, contribuindo para evitar o aumento de investimentos nas acessibilidades e nos meios de transportes.
Aprovem o PROQUAL
“É importante desenvolver a coesão territorial a sul, desenvolvendo novas ofertas de emprego a sul.” – defendeu, sublinhando que esta perspectiva poderá contribuir para o desenvolvimento de “novas frentes habitacionais” .
Neste contexto, considerou necessário equacionar os efeitos da desindustrialização e requalificar essas áreas, bem como a necessidade de recuperação do Parque Habitacional.
“Devemos começar a perspectivar uma nova consolidação do centro da cidade.” – salientou o autarca.
“Por favor, aprovem-nos o PROQUAL. Não posso dizer mais do que isto, porque representa requalificação do Barreiro e, neste momento, no que está negociado, é preciso dizer com clareza, o que estamos a pedir ao Estado português são 260 mil contos, para 1 milhão e 300 mil contos de investimento, no Barreiro.” – referiu Luís Pedro Cerqueira – “Por favor, ajudem-nos a requalificar o espaço público, como indutor de todos espaços privados”.
O futuro de Coina
“Há, no Barreiro, um fenómeno urbano que tem que ser discutido nos próximos anos – o futuro de Coina. O fenómeno urbano do centro da Península de Setúbal não tem uma cabeça. Não tem um centro, tem um espaço urbano imenso, de baixa densidade, normalmente associado de habitação familiar. A Quinta do Conde é o primeiro fenómeno que tenta criar um pólo de atracção, criando um conjunto de serviços e equipamentos” – referiu.
A área próxima deste núcleo urbano é Coina – “Está todo devoluto. Não tem um estudo urbanístico de conjunto para aquela zona. Está na fase de pensarmos que aquele território é central na Península de Setúbal, que faz falta uma cabeça, faz falta um centro, e que esse centro está em torno da Quinta do Conde e do território de Coina”.
Na sua opinião é preciso discutir uma estratégia para Coina, para que não seja apenas de localização de Habitação, porque Coina pode ser central neste fenómeno de criar Habitação e Emprego na Margem Sul e desenvolver um centro da Península de Setúbal.
No final do nosso diálogo Luís Pedro Cerqueira defendeu que em sede de revisão do PDM é preciso discutir uma estratégia para o concelho do Barreiro – Quimiparque, Coina, abrindo espaço para a criação de empresas e valorização do Parque Habitacional, fixando populações quer na habitação, quer no emprego.
O Barreiro é um fenómeno importante para a afirmação da Área Metropolitana de Lisboa no contexto internacional, referiu o autarca.
O texto integral a entrevista pode ser lido no SUPLEMENTO de ROSTOS dedicado à Feira de Negócios.













