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Inferências

D’Aquém e D’AlémBarreiro – a cidade da oportunidade perdida ?!

No âmbito da Feira dos Negócios realizaram-se dois debates que, de certa forma, colocam, na ordem do dia, duas questões centrais que são cruciais no futuro próximo do Barreiro – a comunicação e o planeamento.
4 min de leitura

Por António Sousa Pereira

Um representante da AECOPS referia no decorrer do debate sobre “Urbanismo e Habitação” que o Barreiro é uma cidade com extraordinárias oportunidades, salientando a necessidade de se apostar na sua reabilitação e rejuvenescimento, reconhecendo que esta é uma prioridade – “é necessário agarrar as cidades pela via da reabilitação”, recordando que actualmente na Europa investe-se 33% na via da reabilitação das cidades, enquanto em Portugal, ficamos pelos 6%.
E, neste contexto, recordou que a renovação das cidades não pode ser encarado como “uma operação cosmética” mas tem que ser perspectivado numa óptica interdisciplinar, chamando à acção de renovação a participação de diversas áreas do saber.
Na sua opinião a recuperação do património deve implicar a recuperação de edifícios antigos e a fixação das populações, de forma a que se impeça a desertificação dos Bairros Históricos das cidades.
Na sua intervenção valorizou a necessidade de criação de Sociedades de Reabilitação Urbana.
Neste debate ficou claro que os construtores não querem ser olhados como os “homens do betão”, querem assumir as suas responsabilidades no planeamento e desenvolvimento da modernização das cidades.
Outro debate que animou as noites da Feira de Negócios foi sobre a importância e o papel da “imprensa on line” no desenvolvimento da região.
Um espaço moderno de comunicação, que coloca o Barreiro em todos os cantos do mundo e pode contribuir para promover a participação dos cidadãos quer no acesso à informação, quer no debate de ideias sobre a cidade que somos e a cidade que queremos.

Cidades Activas e Reactivas

As cidades são pontos de atracção, elementos estruturantes do território, quer para actividades económicas, quer para actividades culturais.
O Barreiro vive, nos dias de hoje, um dos seus mais importantes momentos, da sua história recente e futura, porque a cidade está em debate, o concelho está em debate e todos podem dar o seu contributo para a definição da estratégia que irá projectar a cidade futura.
Todos sabemos, ou devíamos saber, que a estratégia não dá resultados imediatos, mas propõe um modelo de trabalho, uma referência para a acção.
Ao longo de décadas o que faltou ao Barreiro foi estratégia, dimensão para pensar a cidade num contexto regional e como fenómeno metropolitano.
Um dia um estudioso destas coisas de urbanismo referia que há dois tipos de cidades : CIDADES REACTIVAS e CIDADES ACTIVAS.
As Cidades Reactivas reagem perante as coisas que acontecem – foi assim o Barreiro do século XX.
As Cidades Activas agem, identificam modelos, pensam o futuro, fazem planeamento estratégico – este tem que ser o Barreiro do Século XXI.
Um Plano Estratégico é um animador da cidade, um dado provocador, que motiva todos a fazer a cidade.
O Plano Estratégico é tem que ser o elemento estruturante essencial que demonstra que a cidade não é monopólio de um grupo político, de um grupo de empresários – a cidade é o resultado do esforço comum.
Uma cidade com pensamento estratégico tem que ser uma cidade participada – onde todos sentem o plano como um motivador de oportunidades.

Um discurso para cidade

Na Feira de Negócios ficaram claras as razões que abrem os novos horizontes ao Barreiro, ou seja , a necessidade de se elevar o discurso da cidade para um sentir e pensar a cidade.
Este tem que ser o caminho, no debate de ideias e opiniões, comunicando, acima de interesses partidários, de guerras pelo poder, tem que ser colocado, na verdade, o interesse local – a qualidade de vida.
O barreiro já viveu muitos anos de inércia e de “discursos fechados”, agora é tempo de tornar-se uma cidade activa, contando com os seus Agentes e não temendo comunicar.
Planeamento e Comunicação – as linhas força que permitem definir objectivos, tomar decisões e conjugar vontades assumindo pontos de acordo, fazendo do Barreiro uma CIDADE GANHADORA.
Quem quiser partidarizar a vida da cidade está a criar condições para que o Barreiro em vez de ser uma CIDADE de OPORTUNIDADES possa, lamentavelmente, transformar-se na CIDADE da OPORTUNIDADE PERDIDA.

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