Crónica do Pato BravoAs “muitas” preocupações autárquicas
Por S.P.
As próximas eleições autárquicas vão decorrer, segundo tudo indica, no mês de Outubro de 2005. Falta pouco mais de um ano. Talvez seja esta a razão que leva, uns por umas razões, outros por outras razões, a colocarem na ordem do dia o debate sobre esta temática.
A conversa começa, regra geral, com a sugestão de nomes. Uns são apontados como candidatos às Juntas de Freguesia, outros para a Assembleia Municipal e outros para a Câmara Municipal do Barreiro.
Há candidatos e candidaturas para todos os gostos. Uns que querem, outros que não querem. Uns que são, outros que não são.
O Barreiro, nas eleições de 2001, sofreu uma profunda mudança, com a conquista da Presidência da Câmara Municipal pelo Partido Socialista.
Esta talvez a razão que leva a que, a um ano de distância, todos aqueles que vivem o quotidiano da cidade comecem a colocar perguntas e procurar respostas.
Há quem diga que colocar perguntas é o primeiro passo para encontrar respostas.
Há até quem diga que na pergunta existe contida a procura de respostas.
Talvez por isso, a um ano das próximas eleições autárquicas, seja a hora de começar a colocar perguntas.
E, talvez, na procura de respostas, encontremos as razões que levam, todas as Quintas Feiras, nos almoços do Pato Bravo, a surgir esta “inquietação” dos candidatos e dos candidatáveis.
Muitas perguntas
Vai o Bloco de Esquerda eleger um vereador ? Vai o PCP perder um Vereador? Vai o PSD ganhar um vereador? Vai o PS conquistar a maioria absoluta?
Uma coisa parece, de facto, ser para todos, ou quase todos, um dado adquirido e consensual, o PS não vai perder a Presidência da Câmara Municipal do Barreiro.
Depois surgem as interrogações, muitas interrogações.
O que mudou no Barreiro com o PS na liderança da Câmara?
Será que o PS vai consolidar a sua conquista autárquica?
Como avalia o eleitorado barreirense a gestão dos socialistas?
Em que medida o PS conseguiu afirmar-se como partido do poder no concelho do Barreiro?
Já superou o PS o estigma de anos e anos de oposição?
Os grupos de interesses locais já reconhecem o PS como o partido capaz de projectar o futuro do Barreiro?
Conseguiu o PS projectar um discurso de cidade e perspectivar um projecto de cidade?
A base social de apoio dos socialistas, no concelho do Barreiro, alterou-se de forma a dar-lhe uma maior presença na realidade social do concelho?
Será que o PCP tem força, ou consegue unir forças, para dar a volta, e recuperar o terreno perdido?
Que rostos vão dar protagonismo aos partidos ?
Mário Durval, ao Bloco de Esquerda? Emídio Xavier, ao Partido Socialista? Joaquim Matias, ao Partido Comunista Português? Bruno Vitorino, ao Partido Social Democrata?
O tempo urge
Pode parecer que as eleições estão distantes, que estamos a um ano de distância.
A verdade é que está na hora de começar a clarificação.
O PCP no distrito de Setúbal coloca a sua grande aposta em manter Almada, sem dúvida, um dos seus principais concelhos de referência.
O PCP poderá não desistir de lutar pela reconquista do Barreiro mas, certamente, deve estar consciente, perante a análise dos resultados das últimas europeias, que é uma batalha difícil.
O PCP, até ao momento, demonstrou dificuldades políticas, em avançar com um projecto mobilizador que unisse “forças” para além do seu próprio espaço político.
Para avançar por este caminho, esta estratégia já tinha que estar no terreno.
Os Congressos do PS, em Outubro, e do PCP, em Novembro, irão dar o pontapé de saída, e, ao que tudo indica, os dados estão praticamente lançados. Basta ler as teses do Congresso do PCP. Basta sentir o pulsar do PS Barreiro.
Quem fica ? Quem sai?
Perante tudo isto, a partir de agora, quer no PS, quer no PCP, o que vai registar-se é a “dança dos nomes” – quem vai para onde? Quem fica ? Quem sai?
Em todo este processo há apenas um dado que falta avaliar – Qual vai ser a aposta do PSD? Quer retirar a Presidência ao PS ? Quer o regresso do PCP?
O eleitorado do PSD tem, ainda hoje, no Barreiro, uma importância que muitas vezes é mal avaliada pelas duas forças políticas que bipolarizam o eleitorado.
Basta relembrar que foi o eleitorado PSD que deu a Presidência a Pedro Canário, último candidato vencedor, do PCP.
Será que o PS conseguiu convencer o PSD que a gestão socialista é melhor para os “interesses” do Barreiro?
Ou será que o PSD está disponível para “dialogar” com o PS?
Ou será que o PSD prefere “optar” por “dialogar” com o PCP, por questões de estratégia no âmbito da AML?
E o Bloco de Esquerda vai crescer, ou poderá crescer, à custa de quem ? Do PCP ? Do PS?
E, por hoje, fico por aqui, para deixar alguns dados como breves notas para reflectir, que emergem das muitas conversas que acontecem no Pato Bravo, às Quintas Feiras – onde tudo se discute, nos bastidores das palavras.













