Assembleia MunicipalRanking e Comentário (II)
Por Jornal Rostos
Sobre o “ Período Antes da Ordem do Dia e 1º Ponto da Ordem de Trabalhos”
1. Ana Pires – Presidente da JF Palhais - PCP
Pela oportunidade na colocação da proposta ao IPPAR sobre a classificação do Forno da Mata da Machada como sendo de “interesse público”. Nota 5.
2. Pedro Gomes – PSD
Aquela da informação detalhada que inclui “foi substituída uma lâmpada” merece, só por si, nota máxima. Nota 5.
3. Helder Madeira – PCP
Pela forma como colocou a sua indignação pelo facto de nunca ter existido resposta às propostas apresentadas pela Comissão Promotora da Homenagem a Augusto Cabrita. Nota 4.
4. Bruno Vitorino - PSD
Uma gestão de tempo eficaz, acintosa, destrutiva e com os elogios qb : Simarsul, Quartel Policia. E o distanciamento – Cordoarias (mais não seja como criação de facto político). Nota 4.
5. Emídio Xavier – Presidente da Câmara Municipal do Barreiro – PS
Pela economia que colocou nas respostas. Pela ironia dos comentários. Pela subtileza de responder não respondendo. Nota 3.
6. Cardoso Ferreira - PS
Pela defesa assumida dos valores e estratégia implícitas na Carta de Princípios e Projecto de Apoio ao Associativismo ao sublinhar que o associativismo não é um “mendigo estimação”. Nota 3.
7. José Antunes – Presidente da Junta de Freguesia do Alto do Seixalinho – PCP
Uma intervenção irónica e critica à burocracia da CMB que em vez de procurar respostas aos problemas, preocupa-se mais em dar respostas que não são mais que adiar a resposta aos problemas. Nota 3 .
8. João Raio – Presidente da Junta de Freguesia de Santo André – PCP
Pela esforço de não ser indelicado e demonstrar que não possui uma visão xenófoba do Barreiro. Nota 2.
9. António João Sardinha
Pelo esclarecimento das votações do PIDAC. Tudo está bem quando acaba em bem. Nota 2.
Comentário
PCP e PSD – não brincam em serviço!
Ficou mais uma vez claro que os eleitos na Assembleia Municipal do Barreiro do PCP e do PSD não estão ali apenas para marcar presença e receber as senhas.
O PCP faz trabalho de casa. O PSD faz trabalho de casa.
Quanto ao PS notou-se a ausência de João Pintassilgo um tribuno que anima sempre as intervenções da bancada dos socialistas.
O PSD esteve à vontade, falou, teceu comentários, criticou e não se escutou uma voz da bancada dos socialistas a contrapor ou a colocar o “contraditório”. Emídio Xavier contou consigo próprio.
Forno da Mata da Machada
Forno da Mata da Machada – Ana Pires foi oportuna. O problema não pode ser visto, nem remetido, para aquilo que o PCP não fez no passado, o problema tem que ser encarado por aquilo que o PS deveria ter procurado fazer : se o PCP deixou ao abandono, depois do PCP ficou tudo como dantes. O Forno da Mata da Machada e o complexo que ali pode ser dinamizado merece uma atenção, o desenvolvimento de uma ideia, pegando na que o PCP legou ou repensando á luz de novas estratégia. Ana Pires (re)abriu o dossier. Foi positivo. E a sua intervenção não foi mais que uma critica à inoperacionalidade do PCP e, obviamente, o PS não pode deixar de assumir a sua quota parte.
Talvez, numa próxima reunião, seja a vez de Juvenal Silvestre, Presidente da Junta de Freguesia de Coina, apresentar uma proposta do mesmo estilo mas, desta vez, relativa, à Real Fábrica de Vidro de Coina, pioneira em Portugal da indústria do vidro e que já foi objecto de uma Conferência Internacional realizada no Barreiro.
É de facto tempo de ser pensada uma estratégia para os “espaços museológicos a estabelecer no Barreiro” no contexto do pensar a “cidade cultural”.
E, já agora, porque não, Raul Malacão, Presidente da Junta de Freguesia do Barreiro, pensar em apresentar uma proposta de desenvolvimento de um projecto de classificação do “Bairro Operário” como “Património Mundial”. È utopia? Olhe que não doutor, olhe que não!
Augusto Cabrita
Augusto Cabrita – O PS começou muito bem, quando arrancou com as celebrações do Mestre Manuel Cabanas. Deu uma pedrada no charco, porque, ao longo de décadas, pela cultura vigente, existe o complexo de valorização do “indivíduo e o seu papel na história”.
Depois de Manuel Cabanas era a vez de Augusto Cabrita. E um dia virá o dia de Américo Marinho, e de Cabeça Padrão. E de Alfredo da Silva. E de Henrique Galvão. E de Mário Pereira. E de Manuel Figueiras.
O Barreiro tem que ser capaz de colocar na história do país muitos dos nomes que lhe pertencem.
Na verdade, até hoje o Barreiro só colocou na história do país o seu nome como uma terra de “luta de classes” de resistência e luta.
E, talvez, por essa razão, muitos dizem que o Barreiro é terra madrasta para os seus filhos.
Helder Madeira ao expressar a sua indignação sobre a inexistência de respostas às propostas da Comissão de Homenagem a Augusto Cabrita, colocou o dedo numa ferida e muito bem, porque o pior erro na acção é “dizer” e não “fazer”.
O que marca a política não é o que se diz..é o que se faz.
E, neste ponto, a bancada dos socialistas poderia ter dito tanta coisa...mas calou-se!
Helder Madeira chegou disse..viu e venceu !
Associativismo
Associativismo – A intervenção de Cardoso Ferreira, tímida, mas convicta deixou também para reflexão um projecto de intenções.
Talvez, seja interessante, que daqui a um ano, avaliar a aplicação e os resultados.
Foi a melhor intervenção dos socialistas. Focando o positivo e deixando claro que as associações merecem ser tratadas como “parceiros” e não com o “estatuto de “mendigos de estimação”, como ao longo de décadas têm sido tratadas.
O Governo e o Barreiro
O Governo e o Barreiro – nesta reunião da Assembleia Municipal continuou a emergir o velho estigma que tem ao longo de décadas marcado a nossa vida política local. O Governo é inimigo do Barreiro.
Aires de Carvalho propôs um dia que fosse feito um “compromisso municipal” entre os representantes dos diferentes partidos ( no Poder ou na oposição) para conjuntamente pugnarem pelos interesses do concelho.
Seria bom que o PIDDAC deixasse de ser utilizado como “arma política”.
Seria bom que, como faz e bem Bruno Vitorino, os nossos eleitos ( que sabemos não estão lá eleitos por círculos locais ) na Assembleia da República, ou no governo, pugnassem pelos nossos interesses. Sendo oposição ou governo.
António João Sardinha, quando Director da DREL, foi um exemplo.
Se este estigma um dia for ultrapassado, então, talvez consigamos mais vitórias.
Será que o Barreiro é incapaz de “motivar” os seus filhos para a defesa dos seus interesses enquanto cidade?
Há tantos barreirenses espalhados por Ministérios, Empresas, Universidades. Será que somos impotentes para gerar o “lobbie” barreirense ?
E isto não implica, nem nunca deverá implicar, a perda de valores e ideais que cada um defende e considera o melhor para o país.
Mas será que, por exemplo, o desenvolvimento de um projecto para o Estádio Alfredo da Silva e zona envolvente, é de interesse de alguma força política em especial, ou interessa a toda a comunidade ? Que energias seriam necessárias mobilizar ?
A finalizar uma nota para os Deputados socialistas ( os outros fazem trabalho de casa) está na altura de começar a avaliar o que foi sonhado, o que foi feito, para amanhã ser possível continuar a projectar o sonho : leiam o Programa Eleitoral do PS. E, de caminho, para comparar, leiam também o do PCP, das últimas eleições ( o melhor de sempre) e outros...há por lá muitos argumentos, importantes, para este período de pré-campanha eleitoral.
Ou acham que o PCP não vai tirar tudo do saco.
Fica só o exemplo da ETRI, que Helder Madeira, ressuscitou nesta Assembleia Municipal.













