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Inferências

InferênciasE agora...as autárquicas

Terminaram as Legislativas e, naturalmente, a partir de agora, começa a caminhada para as eleições autárquicas que irão decorrer em Outubro de 2005.
Os resultados das legislativas, obviamente, proporcionam leituras, mas, cada eleição é uma eleição e, certamente, quem não tiver memória curta, deve estar recordado do chamado “ciclo pendular”, que, diga-se, não está definitivamente arredado do cenário barreirense.

6 min de leitura

Por António Sousa Pereira

O Partido Socialista foi o grande vencedor das eleições legislativas no concelho do Barreiro, alcançando o seu melhor resultado de sempre.
A actual situação eleitoral do PS no concelho do Barreiro, permite-lhe enfrentar as próximas autárquicas com alguma confiança.
No entanto, o PS, pode quase considerar-se que está longe, muito longe, de poder contar com a desejada maioria absoluta.
Quando das sondagens eleitorais, para as presentes legislativas comentei que, o cenário provável nas próximas autárquicas 2005, no Barreiro, apontava para uma distribuição de vereadores na Câmara Municipal – 4 eleitos para o PS ou PCP (dependendo de quem conquistasse a Presidência); 3 vereadores para a força segundo classificada PS ou PCP; um vereador PSD e um vereador do Bloco de Esquerda.
Houve logo quem tecesse comentários. Que era meras especulações.
A verdade é que se os resultados das legislativas 2005 fossem para as autarquias seriam eleitos 4 PS, PS conquistando a Presidência; 3 vereadores para o PCP, 1 vereador para o PSD e 1 vereador para o Bloco de Esquerda. Confirma-se a projecção.

Um eleitorado de esquerda

Na verdade, os resultados do PS no concelho do Barreiro demonstram que este partido alargou a sua base social de apoio o que lhe permite respirar e avançar com alguma tranquilidade para as próximas autárquicas.
No entanto, estes mesmos resultados demonstram que o PCP travou a sua fase de retrocesso e começou uma fase de crescimento, consolidando a sua base social de apoio e voltando a entrar numa nova de influência eleitoral no concelho do Barreiro.
Outro dado, talvez o mais importante, é que o concelho do Barreiro, mais uma vez, veio recordar que é de esquerda, e que 81% do seu eleitorado é de esquerda (dados que fazem recordar as votações nos referendos da Regionalização e da IVG).
O Bloco de Esquerda atingiu um resultado histórico no concelho do Barreiro o que lhe permite, desde já, começar a sonhar com a eleição de Mário Durval para a próxima vereação. Tem todas as condições políticas.
O PSD, apesar do desaire nacional, garantiu um resultado que lhe permite, de alguma forma, continuar a garantir a eleição de um vereador, porque, na realidade, no essencial manteve a sua base social de apoio.

Terminou o ciclo pendular ?

Todos sabemos que as eleições autárquicas, não são as eleições legislativas. Quem se mobilizou para dar uma resposta aos problemas nacionais, nem sempre se mobiliza para as eleições autárquicas.
Isso era claro e foi muito claro, no Barreiro, durante décadas, pois o PS ganhava as Legislativas e de seguida perdia as autárquicas, no chamado “ciclo pendular” que poderá, ou não, ter sido encerrado, em 2001.
De facto o PS alargou a sua base social de apoio, mas daqui até às eleições autárquicas vão uns meses e, até lá, muitos problemas e dificuldades se colocarão perante a crise que afecta o país.
Por outro lado, a base social de apoio do PCP, estabilizou, voltou a crescer e o PCP atingiu um patamar eleitoral na ordem dos 13000 votos que, para as autárquicas pode dar-lhe algo fôlego e ganhar energias para lutar pela reconquista da Presidência da Câmara Municipal do Barreiro. É uma tarefa difícil mas não é impossível.
O PCP está na luta pela conquista da Presidência, basta pensar que aumentou a sua votação em cerca de 600 votos.
Mas, à partida, que tem a Presidência garantida é o PS, que também viu aumentar, na onda rosa que percorreu o país, o seu eleitorado em mais 2000 votos.
Mais, claramente, é Emídio Xavier, que já anunciou a sua recandidatura e que não poderá voltar a s costas ao Barreiro, sob pena de abrir caminho para o regresso do PCP.
É que a distância que separa o PS do PCP, nas suas actuais bases sociais de apoio, sendo favoráveis ao PS e dando ao PS melhores possibilidades de conquistar a Presidência, a verdade, é que o PCP está, desde já nessa corrida, por muito que embandeirem em arco, alguns socialistas que pensam que as pessoas são domesticadas ( ignorando que vivem num concelho de esquerda, com uma cultura de esquerda).
Se mais dúvidas têm basta reflectirem sobre a votação do Bloco de Esquerda.
E, para começar a reflectir sobre as autárquicas, por hoje, ficamos por aqui, deixando claro o provável cenário : 4 –3-1-1 !

Uma estratégia de cidadania

Mas, já agora, mais uma vez recordar que o PS venceu as últimas eleições autárquicas porque apresentou um novo projecto de cidade e uma nova forma de construir a cidadania na cidade.
O que, poderá significar que, se nas próximas autárquicas se verificar o regresso do ciclo pendular, isso resultará, no essencial, do facto de esse projecto ter avançado timidamente.
Não será o PCP que ganha as eleições, será o PS que perde...porque tem tudo na mão para vencer.
Ao Emídio Xavier resta-lhe, a partir de agora, escolher a sua equipa, renovar com coragem o que tiver que renovar, avançar com coragem na afirmação dos sonhos que sonhou para o Barreiro.
Uma cidade participada, democrática, com estratégia, onde a cidadania não é um “faz de conta”, mas uma realidade que se vive todos os dias.
O Barreiro não precisa de números, precisa de políticas e que essas políticas sejam divulgadas aos cidadãos e que os cidadãos as vivam e as utilizem na construção da cidade.
É este o desafio que o PS tem pela frente.
Porque o PCP, está aí e vai surgir no combate com firmeza e com a moral renovada e com condições de para dar cartas e sonhar de novo que pode erguer a bandeira do Barreiro.
E, também o Bloco de Esquerda, vai estar presente para exigir, agora com mais moral, que a participação é um direito e deve estar presente nas vivências da cidadania.
Será que o PS teme a participação dos cidadãos. Claro que não e já o provou que está a criar mecanismos únicos e inéditos no país.
Portanto...e agora, as autárquicas!

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