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Inferências

Crónica do Pato BravoBE e PSD – dois partidos charneira ?

Em tempo pós eleitoral a Tertúlia do Pato Bravo manteve o seu tradicional almoço, agora às segunda feiras, para conversar, comentar, trocar provocações e saudar vencidos e vencedores.
E naturalmente, para a mesa veio a necessidade de se reflectir sobre o imaginário de cenários que se colocam para as próximas eleições autárquicas.

7 min de leitura

Por António Sousa Pereira

As próximas eleições autárquicas irão decorrer em Outubro, naturalmente, que as condições políticas existentes serão muito diferentes das actuais.
E, sobre a evolução da situação política não vale a pena fazer cenários, porque o único cenário que se deseja, para bem de Portugal, é que o governo governe e que a democracia em Portugal dê passos em frente, na motivação e mobilização dos portugueses para as causas públicas.
Mas, a verdade, é que vamos ter eleições autárquicas e, mais uma vez, o povo que é o soberano, irá decidir quem quer, neste caso, à frente dos destinos da “coisa pública” ao nível local.

81% do eleitorado à esquerda

Os números das Legislativas são os números das legislativas. E, se eles fossem a expressão do eleitorado barreirense para as eleições autárquicas, o executivo Municipal do Barreiro continuava a ser liderado por Emídio Xavier, elegendo o PS quatro vereadores; o PCP elegia três vereadores, o PSD mantinha o seu vereador e, a novidade, era a eleição de Mário Durval, do Bloco de Esquerda, para a vereação.
Mas, todos sabemos que Legislativas são uma coisa, autárquicas são outra e, também, todos sabemos que no concelho do Barreiro, durante diversas eleições funcionou o chamado “Ciclo Pendular” ou seja: o PS ganhava nas legislativas, o PCP ganhava nas autárquicas.
As eleições autárquicas de 2001fizeram a ruptura com esse ciclo, dando pela primeira vez a Presidência da Câmara ao Partido Socialista, abrindo, portanto um novo ciclo na vida política local.
Mas, será que os resultados eleitorais das legislativas não permitem uma reflexão políticas sobre eventuais cenários para as próximas autárquicas, obviamente que sim, até porque, de alguma forma permitem uma reflexão e obter uma “ideia” sobre a dimensão da base social de apoio dos principais partidos que influenciam a vida política local.
A primeira leitura que os dados permitem obter é que, no concelho do Barreiro, 81% do eleitorado vota à esquerda.
A segunda leitura é a emergência do Bloco de Esquerda como força política com condições de influenciar as estratégias locais.
A terceira leitura é que o PCP estancou o seu período de perda eleitoral e entrou numa fase de ligeiro crescimento, mas consolida a sua base social de apoio, colocando-o em condições políticas de aspirar á luta pela reconquista da Presidência da Câmara Municipal do Barreiro.
A quarta leitura permite concluir que o Partido Socialista alargou a sua base eleitoral de apoio, tem condições políticas para continuar a liderar o concelho e, até, colocar a fasquia na luta pela eventual conquista de uma maioria absoluta.

B. E. uma força emergente

Então vamos por partes. O Bloco de Esquerda ao atingir a meta dos 11.04 % é, sem dúvida uma surpresa e tem, pela frente, até às autárquicas os seguintes desafios políticos, possíveis de alcançar perante o cenário emergente das legislativas:
1º Afirmar-se como quarta força política na vida local, com capacidade de intervir nos fóruns políticas locais;
2º Alcançar a meta de eleger pela 1ª vez um vereador na Câmara Municipal do Barreiro;
3º Eleger deputados Municipais, estando ao seu alcance uma meta que pode apontar para a eleição de três Deputados Municipais;
4º Eleger deputados nas freguesias, podendo tornar-se força de charneira nas freguesias do Alto do Seixalinho e Lavradio, ou seja, ser determinante para definir a constituição dos executivos naquelas freguesias.
Sendo uma surpresa nas legislativas, de facto, nas autárquicas a surpresa vai ser verificar se o Bloco de Esquerda, consolida, ou não, localmente, esta sua força.
Mesmo sabendo-se que as votações são diferentes das legislativas para as autárquicas, a verdade, é que quem ignorar o Bloco de Esquerda, como uma realidade política, real – com a força dos votos - numa terra de esquerda, ou está a substimar esta força ou está a enterrar a cabeça na areia como a avestruz. E isto em política paga-se caro.
O Bloco de Esquerda, se não consolidar grande parte deste seu eleitorado, não elegendo nas autárquicas então é porque começou a abrir o caminho do seu retrocesso.
O BE tem que eleger, vai eleger, é politicamente impossível que não nasça no Barreiro, como força política, activa na vida local. Naturalmente, sendo as eleições autárquicas marcadas por alguma personalização, a escolha de candidatos irá, naturalmente influenciar as opções pelo BE.
No entanto, sublinhe-se, que BE, localmente, poderá sofrer o efeito, do voto útil de alguns eleitores que optem pelo PS, ou pelo PCP, pelo menos na eleição para a Câmara, dado que o cenário de uma bipolarização pode estar emergente.

PSD Combater a maioria absoluta

O PSD nas próximas autárquicas tem pela frente importantes desafios, os quais aliás, se inserem na estratégia que tem vindo a desenvolver na sua actividade política.
Em primeiro lugar o PSD não terá, eventualmente, grandes dificuldades em manter a sua actual dimensão política.
Assim o PSD terá, certamente, pela frente os seguintes desafios:
1º Manter a eleição do seu Vereador na Câmara Municipal do Barreiro;
2º Manter os três Deputados Municipais;
3º Manter os eleitos nas freguesias, tendo condições para continuar a ser o partido charneira nas freguesias do Alto do Seixalinho, Barreiro, Santo António da Charneca e Verderena, seja com o PCP ou com o PS;
4º Desenvolver o seu trabalho político procurando esvaziar a possibilidade de o PS eleger o Executivo Municipal com maioria absoluta;
5º Combater o Bloco de Esquerda de forma a evitar que este partido eleja para a Câmara, pois, se tal acontecer, retira-lhe o protagonismo político.
O PSD liderado por Bruno Vitorino tem sido um osso duro de roer para os socialistas e, certamente, vai continuar a ser, porque o PSD, tem vindo a demonstrar que quer crescer e lutar por outras ambições no concelho do Barreiro.
E, como a história prova, atrás de uma maioria absoluta, outra maioria absoluta virá...
Bruno Vitorino é o potencial candidato do PSD à Presidência da Câmara Municipal do Barreiro. È, pode dizer-se, um candidato temido, pela sua energia, pelo seu fôlego político, pela sua irreverência, mas, o que está por saber é se, os históricos do PSD lhe dão a mão, ou se eventualmente a disponibilidade, que se diz, de Ana Teresa Xavier ser candidata pelo PSD, não irá retirar a Bruno Vitorino a candidatura, que, sublinhe-se é merecida e é o melhor trunfo político do PSD, porque apresenta um candidato jovem, com os olhos no futuro.

Notas finais

Uma nota final caso o BE e o PSD elejam um Vereador para a Câmara Municipal o PS, ou PCP, quem conquistar a Presidência, não perdem, até ganham, porque deixam de ter um partido charneira e passam a ter dois, porque, será óbvio, quer para o PCP, quer para o PS, por razões históricas e óbvias, dificilmente encontrarão plataformas de entendimento.
Assim, distribuem pelouros aos dois – PSD e BE – e podem negociar à esquerda ou à direita, estimulando o sentido da gestão colegial
Nesta crónica ficamos pelo BE e pelo PSD. Amanhã cá estaremos com a nossa reflexão sobre o PCP e sobre o PS.
Sejam felizes... para a semana, lá estaremos no almoço do Pato Bravo.

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