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Inferências

Crónica do Pato BravoPS – PCP : será o regresso do Ciclo Pendular? (I)

Depois de reflectirmos sobre o BE e PSD, vamos hoje, olhar para os números, quer nos que diz respeito ao PCP, quer no que diz respeito ao PS. Por agora vamos lá mergulhar no terreno do PCP.
O que pode considerar-se, desde já, é que quer o PS, quer o PCP estão em condições de disputar a conquista da Presidência da Câmara Municipal do Barreiro.

7 min de leitura

Por António Sousa Pereira

O primeiro dado que é importante reter das eleições Legislativas 2005 é, na verdade, o facto de o PCP ter estabilizado o processo de declínio eleitoral no concelho do Barreiro e, pela primeira vez, ter recuperado eleitores.
O PCP ganhou cerca de 600 votos, mas, sublinhe-se, que esta sua retoma de eleitores, concretiza-se num momento de luta política que levou muitos eleitores a optar pelo PS, como solução política de estabilidade nacional.
O PCP recuperou votação num cenário de redução do número de eleitores no concelho do Barreiro que, eventualmente, poderia ter afectado a sua votação tradicional.

Na luta pela Presidência da CMB

Uma coisa parece certa, o PS não subiu a sua votação, no concelho do Barreiro, à custa de eleitorado PCP, como aconteceu nas Eleições Legislativas de 1999, que retirou ao PCP cerca de 2500 eleitores .
Quais são, neste contexto, os desafios políticos que se colocam ao PCP:
1º Lutar pela reconquista da Presidência da Câmara Municipal do Barreiro, um cenário que está ao seu alcance;
2º Manter ou subir o número de deputados na Assembleia Municipal do Barreiro;
3º Manter as lideranças nas Juntas de Freguesia, tendo eventualmente garantido que poderá manter as Presidências nas freguesias de Stº André e Alto do Seixalinho, e vai ter que lutar, com o PS, parar manter Barreiro, Palhais, Lavradio. O PCP dificilmente irá retirar a Verderena, Santo António da Charneca e Coina ao Partido Socialista.
Sabemos que as lideranças nas freguesias são essenciais para que o PCP possa continuar a manter o peso político que tem na Assembleia Municipal do Barreiro.
4º No caso de não reconquistar a Presidência da CMB ( um cenário provável), terá que lutar para evitar que o PS alcance a maioria absoluta, e, neste contexto, de facto, terá que procurar retirar espaço ao BE, de forma a que este partido não eleja Vereador.
5º O PCP para conseguir dar a volta terá que ser capaz de fazer ressurgir o projecto CDU no concelho do Barreiro e, tentar, por esta via explorar os descontentes com a gestão socialista.
6º Uma coisa parece ser certa o PCP pode pensar e lutar pela reconquista da Presidência da Câmara Municipal do Barreiro mas, dificilmente, na verdade, terá condições para aspirar a um cenário de maioria absoluta.

Carlos Humberto – candidato da unidade

As eleições autárquicas contam, bastante, com os candidatos como referência para as opções eleitorais.
O PCP apresenta Carlos Humberto como candidato à Presidência da Câmara Municipal do Barreiro. Um natural do Barreiro, que conhece a terra, as pessoas, e foi sempre, de alguma forma, alguém que viveu desde o 25 de Abril, a vida política local. Conhece as pessoas e é um homem de diálogo. É o candidato que garante, à partida, a unidade interna do PCP.
Há quem considere que é um candidato fraco. Para essas pessoas fica só, como exemplo, aquilo que muitos diziam de Jerónimo Sousa.
Carlos Humberto é daqueles que vive o PCP como um projecto político, com ideias, com sonhos. Podemos discordar das suas ideias, mas, em democracia todos os sonhos são legítimos.
Carlos Humberto, não pretende servir-se do PCP, nem servir-se do Barreiro, quer servir o PCP e através do seu projecto político a sua terra, e , isto é algo que dá energia e força a quem participa num combate político.
Mas, o que muitos aguardam é saber qual vai ser a equipa de Carlos Humberto e, esse, na verdade, será um dado importante, para que o PCP possa, ou não, galvanizar eleitores.
Na gíria da linguagem política, poderia dizer-se que, em relação aos actuais eleitos da CMB, que não existiram como oposição, factual e concreta, o PCP se optasse por aquilo que costuma designar-se “mesa limpa” só ganhava com isso e arrancava para o futuro com novos rostos.
Talvez, por ser independente, o único a salvar desta equipa fosse Rui Madeira. Os restantes têm lugar na Assembleia Municipal do Barreiro onde as suas ausências são notadas, quer de Rui Ferrugem, quer de Joaquim Matias, e seriam, tribunos que iriam enriquecer o combate do PCP, no cenário de se manter na oposição, uma probabilidade que não pode ser colocada, obviamente, de lado.
Quanto a Carla Marina parece, segundo consta, que já está a caminho de outro concelho.
O PCP cometeu um erro histórico no Barreiro, principalmente, o facto de nunca ter corporizado a CDU como um projecto político. Numa fase porque funcionou com populismo, noutra porque a sua gestão se caracterizou por autismo. E pagou esses erros.
Se aspira à reconquista da Presidência da Câmara Municipal do Barreiro tem que colocar como prioridade política dar visibilidade a esse espaço de intervenção – CDU real - não como uma mera cosmética eleitoral, mas como um projecto de acção política.
Todas as forças políticas de esquerda, no Barreiro, têm que começar a perceber que o Barreiro vota 81% à esquerda.
Todas as forças políticas de esquerda, no Barreiro, deveriam perceber que o nível cultural desta cidade, pode, também, ser avaliado pelo índice de pessoas que possuem, ou frequentaram curso secundários e Universitários, e, também, não podem esquecer que o operariado do Barreiro foi sempre dos mais altalmente qualificados.

PCP e os candidatávies

Helder Madeira, candidato à Presidência da Assembleia Municipal do Barreiro, não parece ter sido uma boa escolha, é uma candidatura recauchutada, percebe-se a sua escolha, como motivação para dar um sinal para dentro do próprio PCP e só nesse sentido tem efeito, porque para a cidade, Helder Madeira, deixou marcas que conduziram, também, o PS à reconquista da Presidência da Câmara Municipal do Barreiro.
Helder Madeira fora das listas do PCP poderia ser, eventualmente, um valor acrescentado, nas listas pouco ajuda a valorizar e a dar a ideia que o PCP quer apostar no projecto CDU.
Outro aspecto que o PCP terá que acautelar são os candidatos que apresenta para as Assembleias de Freguesia, mas, nisso, na verdade, o PCP tem uma longa experiência, porque sabe escolher pessoas ligadas à vida local, participantes, e com ligações a famílias da comunidade.
Nas freguesias, pela evolução do tecido eleitoral, o PCP vai ter combates renhidos com o PS, essencialmente no Lavradio, no Barreiro e em Palhais, embora, sublinhe-se, pela análise fria dos números, à partida o PC P tenha mais condições para continuar a liderar estas freguesias. Tudo depende dos candidatos do PCP e do PS.
No Alto do Seixalinho e em Santo André, o PCP deverá manter a liderança. É um dado claro que o PS cresceu nestas freguesias com os votos do PSD.
Em Coina, Verderena e Santo António da Charneca, parece pouco provável que o PCP consiga retirar a liderança do PS, podendo, eventualmente, pensar em reconquistar Santo António da Charneca.
A Verderena continuará a ser um bastião socialista e Coina, tende para se consolidar com as mesmas características.

E, concluindo, estas notas de reflexão. Uma coisa parece também certa o crescimento de votação do PS nas Legislativas 2005, no essencial, não terá resultado de uma conquista no eleitorado PCP.
O PS cresceu, essencialmente à custa de eleitores oriundos do PSD.
O PCP cresceu à custa de si próprio. E, sabe-se. que o eleitorado do PCP é menos flutuante e nas autárquicas também é menos abstencionista.
Portanto, os dados estão lançados... e, aqueles que nas bandas do PS, consideram que o PCP está acabado, que a maioria absoluta é um dado adquirido e que o crescimento do PCP não tem significado, talvez seja hora de arrepiarem caminho e começarem a pensar duas vezes.
O PCP está aí e vai dar cartas.
Uma coisa é certa, o PS está em vantagem, mas a caminhada que o PCP tem pela frente é difícil, mas não é impossível de alcançar.
Sejam felizes...a seguir vamos reflectir sobre o PS e com os números do PS.

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