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Inferências

Postais da CidadePorta Arrombada e sentido cívico ou falta dele por parte das autoridades locais

Há já alguns meses, desde antes do Natal, que no largo da Biblioteca Municipal do Barreiro, se encontra uma porta arrombada num anexo das traseiras do prédio 57-A da rua António José de Almeida.

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Postais da Cidade Porta Arrombada e sentido cívico ou falta dele por parte das autoridades locais

Por Jornal Rostos

Este anexo serviu em tempos, imediatamente a seguir ao 25 de Abril e durante alguns anos seguintes, de sede a uma Comissão de Moradores que entretanto se extinguiu; daí para cá parece estar abandonado. No entanto tem algum mobiliário, papeís velhos e ao que parece a electricidade ligada (estranho, pois se está ligada deve estar em nome de alguém). Acontece que como já referi, desde há sensivelmente quatro meses, a porta do referido anexo de madeira verde apodrecida e as respectivas dobradiças enferrujadas se encontram arrombadas pelo que está escancarada. Ora, sabendo nós por experiência própria o que estas situações costumam originar: intrusão de indivíduos sem abrigo e/ou toxicodependentes que costumam utilizar estes espaços abandonados para consumir drogas e adoptam em geral outros comportamentos de risco como fazer fogo etc, pondo-se em perigo a si e ao próprio prédio. Seria sensato que esta situação fosse acautelada, uma vez que é pública e se encontra mesmo às portas da Biblioteca Municipal e do respectivo Auditório, suscitando a curiosidade de quem lá passa e vai espreitando. E isto numa zona bem central da nossa cidade, não podendo por isso ninguém responsável alegar desconhecimento.
Eu próprio já por várias vezes chamei à atenção quer dos Serviços Urbanos da Câmara Municipal, quer da PSP; inclusivamente já levei ao local por duas vezes, o Vereador do respectivo Pelouro, Sr. Mendes Costa, a quem inteirei in loco da situação.
Da PSP dizem-me que é com a Câmara, da Câmara atendem-me com uma atitude mista de displicência e enfado, dizendo para enviar faxes ou mails e pedindo-me o número de contacto, que eu dei, identificando-me e salientando que a minha chamada de atenção não é em proveito próprio, mas apenas para evitar por antecipação uma mais que provável situação de insegurança pública. Ora, o que foi feito? Pouco menos que rigorosamente nada e assumindo até alguns aspectos ridículos: uma engenheira da Câmara deslocou-se ao local com um trabalhador dos serviços que colocou sob a supervisão da engenheira, a porta nos gonzos, o que não pode deixar de dar vontade de rir, como se fosse preciso um engenheiro para dirigir tal trabalho; coisa de que nada serve uma vez que a porta está podre e os gonzos ferrujentos, pelo que minutos depois, algum putativo interessado tratou de facilmente derrubar a porta, que ficou rigorasamente na mesma.
Moral da história: uma tarefa fácil, de interesse e segurança públicas que é a de entaipar a porta ou pôr lá uma porta resistente acaba por esbarrar num muro de démarches inúteis e que deixam tudo na mesma.
Ora, será isto cuidar atempadamente da segurança e tranquilidade públicas? Ainda por cima numa coisa tão simples, ou continuaremos ad infinitum no Portugal do faz de conta, que mascara o deixa andar e no caso concreto "o deixa arder", que quando acontecer Aqui d´ el rei!
Como de costume e não apenas por isso, depois não se diga que ninguém avisou.

Post Scriptum: Para que conste e para antecipar as especulações idiotas do costume, quero referir que esta chamada de atenção é puramente cívica e nada tem a ver com partidarites, pelo que fica feita a referência, se bem que haja muito quem não entenda que a intervenção cívica pode dispensar a clubite partidária. Basta um módico de olhos na cara e vontade de dizer a verdade.

António José Carvalho Ferreira

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