Postais da CidadePorta Arrombada e sentido cívico ou falta dele por parte das autoridades locais

Por Jornal Rostos
Este anexo serviu em tempos, imediatamente a seguir ao 25 de Abril e durante alguns anos seguintes, de sede a uma Comissão de Moradores que entretanto se extinguiu; daí para cá parece estar abandonado. No entanto tem algum mobiliário, papeís velhos e ao que parece a electricidade ligada (estranho, pois se está ligada deve estar em nome de alguém). Acontece que como já referi, desde há sensivelmente quatro meses, a porta do referido anexo de madeira verde apodrecida e as respectivas dobradiças enferrujadas se encontram arrombadas pelo que está escancarada. Ora, sabendo nós por experiência própria o que estas situações costumam originar: intrusão de indivíduos sem abrigo e/ou toxicodependentes que costumam utilizar estes espaços abandonados para consumir drogas e adoptam em geral outros comportamentos de risco como fazer fogo etc, pondo-se em perigo a si e ao próprio prédio. Seria sensato que esta situação fosse acautelada, uma vez que é pública e se encontra mesmo às portas da Biblioteca Municipal e do respectivo Auditório, suscitando a curiosidade de quem lá passa e vai espreitando. E isto numa zona bem central da nossa cidade, não podendo por isso ninguém responsável alegar desconhecimento.
Eu próprio já por várias vezes chamei à atenção quer dos Serviços Urbanos da Câmara Municipal, quer da PSP; inclusivamente já levei ao local por duas vezes, o Vereador do respectivo Pelouro, Sr. Mendes Costa, a quem inteirei in loco da situação.
Da PSP dizem-me que é com a Câmara, da Câmara atendem-me com uma atitude mista de displicência e enfado, dizendo para enviar faxes ou mails e pedindo-me o número de contacto, que eu dei, identificando-me e salientando que a minha chamada de atenção não é em proveito próprio, mas apenas para evitar por antecipação uma mais que provável situação de insegurança pública. Ora, o que foi feito? Pouco menos que rigorosamente nada e assumindo até alguns aspectos ridículos: uma engenheira da Câmara deslocou-se ao local com um trabalhador dos serviços que colocou sob a supervisão da engenheira, a porta nos gonzos, o que não pode deixar de dar vontade de rir, como se fosse preciso um engenheiro para dirigir tal trabalho; coisa de que nada serve uma vez que a porta está podre e os gonzos ferrujentos, pelo que minutos depois, algum putativo interessado tratou de facilmente derrubar a porta, que ficou rigorasamente na mesma.
Moral da história: uma tarefa fácil, de interesse e segurança públicas que é a de entaipar a porta ou pôr lá uma porta resistente acaba por esbarrar num muro de démarches inúteis e que deixam tudo na mesma.
Ora, será isto cuidar atempadamente da segurança e tranquilidade públicas? Ainda por cima numa coisa tão simples, ou continuaremos ad infinitum no Portugal do faz de conta, que mascara o deixa andar e no caso concreto "o deixa arder", que quando acontecer Aqui d´ el rei!
Como de costume e não apenas por isso, depois não se diga que ninguém avisou.
Post Scriptum: Para que conste e para antecipar as especulações idiotas do costume, quero referir que esta chamada de atenção é puramente cívica e nada tem a ver com partidarites, pelo que fica feita a referência, se bem que haja muito quem não entenda que a intervenção cívica pode dispensar a clubite partidária. Basta um módico de olhos na cara e vontade de dizer a verdade.
António José Carvalho Ferreira













