InferênciasFaltam quase…apenas 100 dias (I)
As autárquicas aí estão. Uns estão no combate. Outros discutem lugares. Outros andam à procura de candidatos.
O confronto entre PS – PCP está de novo na ordem do dia. PSD quer a derrota do PS. Bloco de Esquerda quer eleger vereador.
A partir de agora começou a contagem decrescente…

Por António Sousa Pereira
As eleições autárquicas são, sem dúvida, um dos momentos mais importantes na vida democrática das comunidades locais, aquele, afinal, em que os cidadãos são chamados a escolher outros cidadãos que vão estar à frente dos órgãos responsáveis por gerir as políticas locais.
As eleições autárquicas, infelizmente, normalmente, são marcadas por uma elevada abstenção.
Muitos dos cidadãos que exercem o seu direito de voto nas Eleições Legislativas optam por ignorar, ou deixam passar ao lado as votações autárquicas.
Era importante que os cidadãos não se abstivessem e, de forma activa, exercessem o seu direito de escolher os seus autarcas.
Vamos ter de novo Eleições Autárquicas, segundo se diz serão ou no dia 9 de Outubro, ou, então, o mais provável, serão no dia 16 de Outubro.
Portanto, faltam ou 110 dias, ou 117 dias…para, de novo, todos, exercermos o direito de voto e, pelo voto, livre e democrático, escolhermos os rostos que vão estar à frente do Poder Local, uma das mais importantes conquistas do 25 de Abril.
Seis candidatos à Presidência
No Barreiro alguns dados estão lançados. O principal dado passa, naturalmente, pela escolha dos candidatos à Presidência da Câmara Municipal do Barreiro.
Até ao momento estão confirmados Emídio Xavier, pelo Partido Socialista; Carlos Humberto, pela coligação CDU- PCP/PEV; Bruno Vitorino, pelo Partido Social Democrata e Mário Durval, pelo Bloco de Esquerda.
Aguarda-se a confirmação de Carlos Salgueiro, como candidato do PCTP/MRPP, que apurámos como muito provável, entretanto, por confirmar, está, ainda, quem irá protagonizar a candidatura do CDS-PP, que pretende avançar.
Portanto, tudo indica que no Barreiro iremos ter seis candidatos à Presidência da Câmara Municipal do Barreiro.
Vamos lá reflectir sobre os cenários prováveis, sobre os candidatos e as condições das respectivas candidaturas.
Mário Durval – talvez sim, talvez não…
Entre todos estes candidatos, obviamente, apenas um será o escolhido pelos cidadãos barreirenses, para exercer o cargo de Presidente da Câmara, figura que, no actual sistema, tem um papel dominante na definição de políticas e estratégias.
Mário Durval, do Bloco de Esquerda, perante os números das legislativas, pode sonhar com a sua eventual eleição como Vereador nas próximas autárquicas. Mas, sublinhe-se, não é uma meta fácil de alcançar.
O Bloco de Esquerda coloca, ao nível nacional, o Barreiro como um dos concelhos de referência nas suas ambições autárquicas de 2005, estando nos seus objectivos a eleição de um vereador.
O Bloco de Esquerda nas próximas autárquicas no Barreiro vai sofrer o efeito da bipolarização que, mais uma vez, parece estar anunciada.
Estando em discussão acesa, de novo, a opção da escolha da Presidência entre o PS e PCP/PEV, o fenómeno do voto útil, vai, certamente, afectar o Bloco de Esquerda.
Mas, o Bloco de Esquerda também irá beneficiar das opções de algum eleitorado que poderá optar por, nas autárquicas, mostrar o cartão amarelo ou cartão vermelho ao governo socialista.
O Bloco de Esquerda vai ser, no Barreiro, uma incógnita até ao fim e a sua votação poderá contribuir para definir, na verdade, para onde vai a Presidência da Câmara, depende se o Bloco retirar mais eleitores ao PS ou ao PCP.
Mário Durval poderá em Outubro ser Vereador, com alguma responsabilidade, na futura gestão autárquica, por poder vir a ter um papel de charneira, ou poderá, apenas, contribuir, com a sua votação, para determinar se Emídio Xavier mantém o cargo, ou se Carlos Humberto, de facto, consegue a reconquista da Câmara para o PCP/PEV.
Do que conhecemos de Mário Durval, como homem e como cidadão interveniente, a sua eleição seria, certamente, um valor acrescentado para a gestão municipal, mas, a sua eleição é, sem dúvida, aquela que vai ser um enigma e que, só após a contagem dos votos, ficará resolvido, até ao último instante.
Ainda falta saber qual a equipa que irá acompanhar Mário Durval e, naturalmente, em eleições locais isso irá contar, porque tal, será, sem dúvida, determinante para sentirmos a capacidade de o Bloco de Esquerda, localmente, rasgar caminhos novos que o façam saltar, como partido, para além das suas influências genéticas.
Mário Durval, talvez sim, talvez não…embora, nos inclinemos mais para a probabilidade do sim do que para o não.
O Bloco de Esquerda ainda não separou, localmente, claramente as águas, nem em relação à gestão PCP/PEV, nem em relação à gestão PS, porque ainda não apresentou uma ideia forte e coesa sobre qual o seu projecto de cidade, para além das constantes exigências positivas de mais participação.
Que estratégia cultural ? Que papel do Barreiro na AML e na Península de Setúbal?
O Bloco de Esquerda tem sido incapaz de se afirmar, no Barreiro, como alternativa de esquerda quer ao PCP, quer ao PS, gerando movimentos de opinião.
De registar o sentido critico irreverente de algumas iniciativas, como a inauguração de uma Piscina, mas que ficam por aí, sem que o Bloco de Esquerda apresente soluções alternativas ou caracterize prioridades.
Talvez por isso as muitas dúvidas que ficam a pairar sobre as possibilidades eleitorais do Bloco.
O maior capital político do Bloco de Esquerda, no Barreiro, chama-se Mário Durval e a seguir é a influência do BE no novo eleitorado…portanto, tudo em aberto para o BE.
Bruno Vitorino eleição garantida
Bruno Vitorino tem a eleição garantida e, em Outubro, será Vereador da Câmara Municipal do Barreiro. Muito dificilmente isso não acontecerá.
Se o Bloco de Esquerda eleger, então, o papel do PSD na Câmara Municipal do Barreiro como força charneira, que tem sido, nos últimos anos, quer com o PCP/PEV, quer com o PS, ficará atenuado.
Bruno Vitorino tem metas colocadas na sua estratégia : ao nível local - evitar qualquer cenário de conquista de maioria absoluta, pela força que conquiste a Presidência, seja o PS, seja o PCP/PEV, tendo em vista continuar a assumir o seu papel de charneira; ao nível nacional – contribuir para uma derrota do PS no Barreiro, de forma a dar o seu contribuo para que o PSD consiga o cenário de conquista de mais Câmaras ao nível nacional.
O líder dos sociais democratas colocou a fasquia na eleição de um segundo Vereador, algo que, provavelmente, não estará ao seu alcance, mas, ao colocar esta meta, está a afirmar dois objectivos : procurar desviar as possibilidades do Bloco de Esquerda eleger, abrir caminho a uma vitória do PCP/PEV.
O PSD quer a derrota do PS. Nas últimas eleições autárquicas o PSD quis a derrota do PCP/PEV.
Esta opção estratégica do PSD é, também, importante para determinar opções de voto do eleitorado barreirense.
O PSD contribuiu para a última eleição de Pedro Canário. O PSD contribuiu para a eleição de Emídio Xavier.
O PSD, naturalmente, nas próximas autárquicas, também irá beneficiar do descontentamento do eleitorado em relação ao governo socialista, cujo estado de graça já chegou ao fim, e, também, dos descontentamentos que a sua pré campanha vai gerar no eleitorado barreirense.
O PSD nunca fez, no Barreiro, uma pré campanha tão forte e tão agressiva contra um Presidente de Câmara e contra um partido seu adversário político.
O PSD que foi o partido charneira na Câmara, com o PS, conseguiu separar as águas e descomprometer-se completamente da gestão municipal. Houve aqui inteligência política do PSD e inabilidade do Partido Socialista de comprometer o PSD com a gestão municipal.
Aliás o PSD foi, durante o actual mandato, a verdadeira oposição ao PS, ao mesmo tempo que viabilizava a governabilidade. O PSD utilizou a estratégia do cavalo de Tróia.
Bruno Vitorino é, talvez, dos políticos mais activos e inteligentes do Barreiro, ele, está a agir hoje com os olhos no futuro, porque, mais cedo ou mais tarde quer colocar-se como alternativa politica ao nível local.
Por exemplo, se o PS perder as eleições autárquicas, no Barreiro, dificilmente o eleitorado barreirense vai voltar a dar ao PS, nas próximas décadas, de novo a liderança no concelho.
Se o PS perder, não é o PCP que ganha é, sem dúvida o PS que perde e o PSD que vence em duas frentes.
Bom, hoje ficamos por aqui…voltaremos a este assunto.













