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Inferências

Inferências (II)Faltam quase …apenas 100 dias (II)

. Eleições Autárquicas em Outubro

O debate sobre as autárquicas faz parte das conversas do quotidiano. Colocam-se hipóteses. Comentam-se estratégias. E, a partir de agora, naturalmente, vão nascer os factos políticos.
O fogo vai ser cerrado. E a acção dos políticos vai agitar…seria bom que agitasse com ideias.

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Inferências (II) Faltam quase …apenas 100 dias (II)

Por António Sousa Pereira

Retomando a reflexão. Só uma breve nota, ainda, sobre o texto anterior que, naturalmente, já foi objecto de comentários e interpretações.
O PSD pode beneficiar mais com o PS, ou com o PCP-PEV, na Presidência da Câmara para se forjar como alternativa no Barreiro?
Se o PSD considera que se transforma mais facilmente como alternativa de poder no Barreiro, se o PS mantiver a Presidência, então é porque o PSD local não compreende a estratégia nacional do PSD de, procurar desgastar o PS, para se regressar à esfera do poder.
O PSD afirmar-se-á como alternativa de poder no Barreiro se conseguir, afirmar-se, localmente, como capaz de galvanizar em torno de si, no Barreiro, o eleitorado centro esquerda, e, isso, só é possível se conquistar espaço ao PS.
O PSD sendo “charneira” do PS com maior dificuldade conquistará essa franja eleitoral.
O PCP, pela diferença que tem do PSD, proporcionará ao PSD, com mais, tranquilidade e distanciamento, gerir a sua estratégia de médio e longo prazo.
O PSD para ser alternativa de poder no Barreiro tem que afastar o PS da influência do poder.
O PSD para se forjar como alternativa tem que estar no poder ( nem que seja charneira) para influenciar e ser uma força reconhecida e prestigiada localmente.
O PSD quando era charneira do PCP conseguia, em algumas áreas, naquelas que tinha sob a sua tutela, em diálogo com o PCP, definir politicas e influenciar politicas.
O PSD, quando era charneira do PCP, só surgia como oposição nas eleições, por isso, as suas posições influenciaram sempre as votações.
Porque o PSD localmente nunca acreditou no PS.
O PS deu, pela primeira vez, nas últimas autárquicas o benefício da dúvida ao PS, porque, também sentiu que o PS, abriu a sua esfera de acção muito para lado próprio PS.
Nas últimas autárquicas o PSD queria a derrota do PCP, para se lançar num novo projecto.
O PS soube gerir a governabilidade da CMB com o PSD, graças á perícia de Emídio Xavier e á flexibilidade de Mendes Costa.
Mas houve sectores do PS que, desde a primeira hora, em vez de fazerem do PSD um aliado, fizeram do PSD o adversário, confundindo estratégias nacionais, com tácticas locais.
Foi isso que BrunoVitorino desde a primeira hora percebeu e, por essa razão, começou a separara as águas, parecendo que existiam dois PSD’s, um na Câmara, outro na Assembleia Municipal.
Aliás, durante o mandato, iniciado em 2001, essa falta de diálogo ao nível politico partidário ( não ao nível institucional na CMB) permitiu ao PSD, nomeadamente, a Bruno Vitorino, afirmar-se como o rosto da principal oposição ao PS.
Quem fez este caminho, por muito que queira, dificilmente voltará atrás.
Emídio Xavier e Bruno Vitorino podem sentar-se à mesa para dialogar uma eventual charneira, mas, ambos, nunca esquecerão os anos2001-2005.
Por essa razão, é natural, quer por questões de estratégia nacional, quer pela rota de colisão que o PSD entrou com o PS, que Bruno Vitorino, em Outubro, fique mais feliz com a derrota do PS.
Nem se trata de gerar fantasmas do regresso dos comunistas, nem que vêem aí os lobos para comer criancinhas. Trata-se de factos políticos.
Se o PS perder é uma vitória, também, para o PSD.
Uma coisa também é certa, o PSD afirmou-se politicamente, neste mandato, porque o PS não o soube comprometer com a gestão municipal e deu-lhe mais protagonismo como força de oposição de como parceiro de coligação.
Por vezes, parecia, que o PSD era o adversário principal, quando era o aliado que garantia da governabilidade. Eram meros erros de óptica.

Carlos Humberto já é Vereador

O candidato do PCP-PEV obviamente à partida está garantida a sua eleição como Vereador no próximo Executivo Municipal.
A meta de Carlos Humberto é, naturalmente, conseguir reconquistar para o seu partido a Presidência da Câmara Municipal do Barreiro.
Carlos Humberto tem pela frente um grande desafio e muitas barreiras para ultrapassar.
Não é uma batalha impossível e, pode, na verdade, considerar que é, sem dúvida, o único candidato que pode posicionar-se para disputar a Presidência ao PS.
Carlos Humberto tem vindo a fazer um trabalho de terreno, de contactos com instituições, de diálogos de rua, com serenidade e com finalidades, granjear simpatias.
Carlos Humberto é natural do Barreiro, é um filho da terra, e, é, o candidato que surge para, em primeiro lugar unir o PCP, em segundo lugar galvanizar os filhos da terra ( os autóctones que nunca viram com bons olhos um Nazareno na Presidência, são, afinal, aqueles que até votam CDS, PSD, ou até mesmo PS nas legislativas, mas nas autárquicas votavam Hélder Madeira ou Pedro Canário).
Aliás, ainda está por chegar o discurso dirigido a esta franja do eleitorado, um discurso que, talvez, tenha sido definitivamente derrotado em 2001.
Quem está esquecido daquelas frases : “Eu nasci no Barreiro” como quem aqui não tenha nascido, mas aqui tenha entregue a sua vida, seja barreirense de 2ª classe, quase ignorando essa realidade, que o Barreiro é um concelho feito de muita gente vinda de muitos lados.
Mas Carlos Humberto, tem vindo a afirmar-se sobretudo, com a vontade politica de dar sentido politico real à ideia de CDU.
Sendo um homem do PCP, tem procurado, posicionar-se numa postura política para além do PCP. E essa vai ser uma das maiores dificuldades que terá que enfrentar.
Neste momento que só se fala do eventual cenário do regresso do PCP e já começam a sentir-se alguns sinais de “cobrança da factura da derrota de 2001”. E isso não ajuda a gerar a ideia de CDU.
Por outro lado, a base eleitoral de apoio do PS, no Barreiro, é, sem dúvida superior à base eleitoral do PCP.
São pois muitos os obstáculos que Carlos Humberto tem para superar, nomeadamente, confrontar-se com quem é poder e, politicamente, tem todas as condições de continuar a ser poder. È um adversário difícil.
Carlos Humberto também tem sido e foi menorizado por alguns socialistas. É um homem de diálogo, com ideais e convicções, gosta da sua terra e quer servir a sua terra. Move-o mais que o poder esse amor ao seu Barreiro e isto é uma força que dá energia redobradas.

Gato escondido com “eleições” de fora

Agora que faltam 109 ou 116 dias para as eleições autárquicas decidiu a CDU criar um “facto politico” apresentando uma “moção de censura ao Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Emídio Xavier”.
Seria, na verdade, um facto politico natural, esta moção de censura, se, na realidade, ela fosse o corolário de uma estratégia de acção politica permanente da CDU.
Só que, durante quase todo o mandato, desde 2001, a CDU quase que andou hibernada, tendo, de facto iniciado a sua acção politica de forma eficaz e interveniente, praticamente, só a partir do momento que apresentou Carlos Humberto, como candidato à Presidência da Câmara Municipal do Barreiro.
Neste contexto esta moção é “gato escondido com rabo de fora” e não passa de um “facto politico”, que só pode ser entendido como mais uma acção da pré campanha eleitoral.
Se a moção fosse fruto de uma oposição sistemática, então a CDU tinha moral politica para apresentar a moção, não sendo fruto disso, então não passa de uma acção de campanha. É um acto politico que marca a inauguração da pré-campanha eleitoral, agora, já, de facto, com alvos concretos, o Presidente da Câmara e, naturalmente, em simultâneo, o candidato do PS às próximas autárquicas.
Este facto político se para os objectivos da CDU é esvaziar o capital politico do PS, chamado Emídio Xavier, pode ser uma faca de dois gumes, contribuindo para dar mais força politica ao líder socialista, desde que o PS saiba potenciar, também, este facto politico em seu favor.
Emídio Xavier não perde até ganha com esta “moção de censura” porque, numa batalha politica, dar rostos aos adversários é dar-lhes dimensão e um prova de receio politico. Não se ataca quem não presta, ataca-se quem tem qualidades.
Esta moção, à partida está aprovada, certamente com a abstenção do PSD, ou, talvez mesmo, com o seu voto contra.
Só que, mais uma vez, o PSD será a “Olívia Costureira” e “Olívia Patroa”.
Por exemplo, que força politica, no plano ético, terá Mendes Costa de continuar a assumir pelouro na Câmara Municipal do Barreiro, se o PSD votar a favor desta moção de censura a Emídio Xavier? Será que, neste caso, que Mendes Costa pede a sua demissão, criando mais um facto político e levando o PSD, a capitalizar, a seu favor, o único resultado politico concreto que esta moção poderá proporcionar?
Será que o objectivo é tornar ingovernável a Câmara Municipal até Outubro?
Mas se o objectivo é esse quem ganha com a moção é Emídio Xavier, porque pode assumir o papel de vitima ( com toda a legitimidade) e, simultaneamente, fica com todas as condições de ser o líder em torno do qual todo o PS tem que unir.
Esta moção pode ser ouro sobre azul para Emídio Xavier.
Depois da campanha do PSD, tendo como temática as promessas, que, diga-se, é uma campanha com criatividade ( embora não agrade aos socialistas), agora com a moção de censura da CDU, Emídio Xavier só está a capitalizar e a reforçar a sua posição eleitoral.
É nestas coisas que não se entende a CDU. Estava a fazer uma campanha positiva, agora voltou o leme, e vai a correr atrás de inaugurações de piscinas (imitando o BE e o PSD) e, em período de pré campanha eleitoral vem propor uma moção de censura que deveria ter apresentado quando ficou sem pelouros.
Será que é já a ideia do regresso ao poder? E, portanto, está na hora do ajuste de contas?
Uma coisa é certa a CDU se quer afirmar-se como alternativa politica tem que ser capaz de fazer passar duas mensagens essenciais ao eleitorado: reconhecer
que durante os anos que geriu a autarquia foi autista e afastou-se dos cidadãos; e, por outro lado, mais que se preocupar com os erros do PS (que raramente os apontou durante o mandato que agora termina), ser capaz de apresentar um projecto para a cidade alternativo e credível em relação ao PS.
A CDU mais que querer ser alternância, tem que ser capaz de se apresentar como alternativa – isto exige estratégia de futuro e ideias!
Não é alternativa quem quer, é quem pode e a campanha promete ser muito dura.

Bom, por hoje ficamos por aqui…voltaremos a este assunto.

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