Caldeirada de Palavras (I)Construir a cidade com os diferentes partidos e para lá dos partidos

Por Jornal Rostos
Cabos Gonçalves, Rogélia Costa, Pedro Gomes e Humberto Candeias, os membros que constituem o painel permanente do jornal”Rostos” debateram temas da actualidade política local.
Cabós Gonçalves abriu o debate, começando por fazer como que uma declaração de voto “não vou votar nas autárquicas”, justificando que a razão da sua opção tinha por base a sua discordância com o “sistema de financiamento e de formação dos órgãos autárquicos”.
Neste contexto interrogou : “Qual é a autarquia que todos os vereadores têm pelouros? Qual é a autarquia onde todos os vereadores cumprem a função para que foram eleitos?”
Por outro lado recordou, o Estatuto do Direito de Oposição, onde se refere que tal deve ser exercido pelos partidos “desde que não tenham pelouros”.
Na sua opinião, “nenhum partido vai para o Executivo sem fazer oposição” e isto é usar a “táctica do cavalo de tróia”.
Acrescentou Cabós Gonçalves que “os que contribuem para a formação da maioria absoluta, acabam por ter mais poder do que os que ganharam as eleições, recordando o que acontece no Porto, com a CDU, a apoiar o PSD, ou no Barreiro, o PSD a apoiar o PS.
“O Vereador é que decide e isto adultera a essência do Poder Local” – sublinhou.
Na sua intervenção considerou que a formação dos executivos nas Câmaras deveriam resultar da Assembleia Municipal, assim o como o Governo emerge da Assembleia da República e os executivos das Juntas das Assembleias de Freguesia.
Referiu que a Assembleia Municipal deveria ter mais poderes, pois actualmente não pode alterar nada.
“Com este sistema não voto”- voltou a sublinhar Cabós Gonçalves.
PS excelente candidato
“O PS tem um excelente candidato, merece ganhar e levar o seu projecto de geração até ao fim. Ele candidatou-se a dois mandatos e ao fim de dois mandatos deverá ser avaliado”. – salientou Cabos Gonçalves.
Sobre os candidatos para as Juntas de Freguesia referiu –“São os candidatos escolhidos. Acho que sim, são os melhores”.
Acrescentou que não concorda com a forma de escolha dos candidatos, que acaba, por ser escolhidos por 25 pessoas – “é o sistema e não concordo”.
Rogélia Costa, num àparte disse : “Espero que o PS não perca por um voto, porque ficarás arrependido de não ter votado”.
Cabos Gonçalves, respondeu, sublinhando que “tenho porto dos os candidatos a Presidentes de Câmara – Carlos Humberto, Bruno Vitorino e Mário Durval a melhor consideração e acho que qualquer deles serão bons vereadores”.
O importante é o projecto político
Humberto Candeias, começou por salientar que no Barreiro vive-se “uma luta eleitoral muito forte e muito intensa” e tal resulta de existirem “coisas em causa que vão para além do Barreiro”.
Os agentes políticos locais, na sua opinião, “têm responsabilidade na inversão deste clima”, porque uma disputa que ultrapassa certos parâmetros políticos “é negativa para a vida e para a cidade”, por essa razão defendeu elevação no debate político.
Na sua opinião, o que conta mais não são os rostos “são os projectos políticos” e as soluções que apresentam para a cidade.
“O importante é o projecto político e os compromissos e a abertura à capacidade de renovação” – salientou.
Humberto Candeias, referiu que o Bloco de Esquerda, apresentou propostas de alteração das leis de forma a que nas autarquias deixe de andar “tudo á volta da construção civil”.
Considerou que é necessário dar mais poder às Assembleias Municipais que hoje “têm um papel diminuto”.
Na sua intervenção sublinhou que no Barreiro “há um percurso a fazer de vivência democrática” e considerou que esse défice tem origem no facto de ter havido “uma força hegemónica a CDU” que afectou as vivências democráticas na cidade.
“O convívio e a alternância na construção da cidade existe há pouco tempo e o saldo não é positivo”- sublinhou.
Humberto Candeias defendeu que é preciso “construir a cidade com os diferentes partidos e para lá dos partidos”, neste contexto referiu que “tem que haver entendimentos entre os partidos para que a cidade possa avançar”.
A finalizar referiu que há uma guerra politica entre o PS e a CDU, entre o PS e PSD, é uma luta de partidos, mas, na sua opinião não é um debate sobre os problemas e perspectivas para a cidade, sublinhando que “tem que haver uma campanha que tenha por base o debate e a critica”.
PS não merece maioria absoluta
Pedro Gomes, manifestou-se surpreendido com as posições assumidas por Cabós Gonçalves, que na sua opinião se contradiz, quando no passado “valorizou a postura positiva do PSD”.
Sublinhou que o PSD viabilizou todos os documentos necessários para garantir a gestão ao Partido Socialista e procurou influenciar o Plano de Actividades com propostas.
Na sua opinião o PSD não abdicou de ter voz e ser critico.
Segundo Pedro Gomes, o PS pretende hoje, legitimar “uma maioria absoluta que não merecem”, e, acrescentou, que o PS deve ser julgado já, pelo que fez e pelo que não fez.
Na sua opinião a posição de Cabos Gonçalves de não votar, demonstra que “está descontente com o seu partido” só assim se compreende que “uma pessoa histórica do PS que não vai votar”.
Cabos Gonçalves contestou e sublinhou que o “PS fez grande parte daquilo que prometeu”.
Pedro Gomes considerou que a campanha eleitoral do PS é inteligente “mas desleal” porque utiliza painéis da Câmara Municipal do Barreiro.
Acrescentou que campanhas trauliteiras foi feita pelo Partido Socialista nas últimas eleições autárquicas com os cartazes dirigidos aos comunistas “que não comem criancinhas”.
CDU apresenta lista renovada
Rogélia Costa, começou por referir que o Partido Socialista é aquele que “menos legitimidade tem
de falar em baixeza” nas campanhas eleitorais, porque nas últimas eleições colocou as faixas referidas por Pedro Gomes e fez muito mais coisas obscuras.
Cabós Gonçalves referiu “vocês andaram 30 anos a chamar fascistas ao PS”.
Recordou que os vereadores forma eleitos para trabalhar e se não trabalharam foi porque o PS não quis dar pelouros e retirou pelouros.
Cabós contestou, recordando que os vereadores da CDU violaram o estatuto da oposição.
Rogélia Costa sublinhou que o PS, também tinha pelouros na Câmara e votava contra os Planos de Actividades e Orçamentos. Foi recordado que nesse tempo não existia o Estatuto de Oposição.
Rogélia Costa, sucessivamente interrompida por Cabos Gonçalves, sublinhou que a CDU “está a fazer uma campanha séria sem ofender ninguém”.
Pedro Gomes, comentava , “a arrogância do PS está presente na linguagem do Cabós”.
Rogélia Costa, sublinhou que na lista para a Câmara da CDU “há renovação, vamos ver se o PS consegue renovar ou se limita a apresentar os que lá estão”.
Cabós Gonçalves, sublinhou – “em equipa que ganha não se mexe”.
Hoje ficamos por aqui… a caldeirada continuou…













