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Inferências

InferênciasAs eleições autárquicas e o modelo de cidade

Um dos aspectos que seria interessante ver discutido no âmbito da pré-campanha e campanha eleitoral para as autárquicas de 2005, por todas as forças políticas, seria de facto as propostas que pretendem apresentar ao eleitorado sobre o modelo de cidade que perspectivam.

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Inferências As eleições autárquicas e o modelo de cidade

Por António Sousa Pereira

Quando se fala na vida da cidade, muitas vezes, somos colocados perante diferentes perspectivas.
Por exemplo, há aqueles que optam por defender que o importante é melhorar, no imediato, as situações que afectam a qualidade de vida quotidiana dos cidadãos.
E, há também aqueles que defendem que sendo importante pensar nos problemas de hoje o essencial será perspectivar o desenvolvimento no futuro.
Sou de opinião que as duas coisas são indissociáveis.
Não é possível melhorar a qualidade de vida nos dias de hoje, se as iniciativas que são desenvolvidas, na actualidade, não se enquadrarem em perspectivas estratégicas de desenvolvimento.
Um modelo de desenvolvimento, seja ele qual for, só faz sentido com conteúdo, com objectivos, com opções políticas que visam a melhoria da qualidade de vida.

O espaço, as pessoas e o desenvolvimento

O desenvolvimento de um “modelo de cidade” tem que assentar, em opções de curto, médio e longo prazo.
Um modelo de desenvolvimento que aposte no crescimento, no desenvolvimento da coesão social, tem que encontrar respostas para os desafios de hoje e perspectivar o futuro.
Um modelo de cidade tem que ter conteúdos e tem que contar, acima de tudo, com o seu capital humano equacionando estas dimensões – o espaço, as pessoas e o desenvolvimento!
O desenvolvimento de um modelo de cidade não é um projecto de um partido político, nem é um projecto que seja concretizado num mandato, pode considerar-se que é, sem dúvida, um projecto para uma geração.
O desafio que se coloca a todos os partidos, nos dias de hoje, no Barreiro é, de facto, independentemente, das lutas pelo poder, próprias e necessárias em democracia, é que todos sejamos ( cidadãos com partido ou sem partido) capazes de perspectivar uma “ideia” um “modelo” de cidade e deixemos de pensar, ou sentir, que o Barreiro é um concelho condenado à “morte social”.

Pensar um modelo de cidade

Somos nós, os cidadãos que vivemos nesta cidade, hoje e aqui, que temos a responsabilidade de legar um modelo de cidade.
Não penso que os socialistas queiram construir uma cidade para os socialistas.
Nem penso que os comunistas queiram construir uma cidade para os comunistas.
O mesmo raciocínio se aplica aos bloquistas, aos sociais democratas ou aos democratas cristãos.

Um compromisso de cidadania

Tem que existir um compromisso de cidadania.
Tem que existir um compromisso que mobilize e motive todos os “agentes de mudança” que agem na vida local.
A cidade tem que se aproximar das pessoas e ser das pessoas, a cidade tem ser e estar no encontro com os lugares onde as pessoas estão : na escola; nas associações; nas empresas; nos espaços públicos; nas instituições…
A cidade não é um conceito abstracto sem conteúdo. A cidade faz-se com decisões políticas.
O Barreiro é, sem dúvida, aquilo que é hoje fruto de decisões políticas, de estratégias de desenvolvimento que lhe deram o conteúdo e a dimensão que sempre assumiu…
O Barreiro não pode continuar a viver a instabilidade de não saber para onde vai, nem que papel pode assumir no contexto da AML ou na Península de Setúbal, ou seja, manter no quotidiano, a herança da desindustrialização como um fatalismo.
O nosso futuro já foi em demais adiado.
Era, talvez, tudo isto que gostava que fosse discutido pelos políticos que têm a responsabilidade de motivar os cidadãos para a participação e construção da cidade.

O orgulho de ser barreirense

Que é isso de Barreiro Cidade Desportiva? Que é isso de Barreiro Cidade Educadora?
Que é tudo isso se não forem conceitos pensados e equacionados num projecto de desenvolvimento estratégico, discutido com os cidadãos, assumidos nas acções do quotidiano e perspectivados num modelo de cidade?
Um modelo de cidade tem que ter como reverso um modelo de cidadania.
Uma cidade dos cidadãos é aquela onde o que “é de todos por todos é decidido”.
Mais que me dizerem que o PS prometeu e não cumpriu, gostava de ouvir dizer o que queremos que dessas promessas faça sentido manter?
Mais que ouvir dizer que o PCP destruiu o Barreiro, gostava de ouvir dizer se o caminho percorrido e o muito que foi feito apontava, ou não, para algum caminho?
O PCP mudou e muito o Barreiro. Só pessoas de má fé e politiquice baixa podem ignorar o muito que o Barreiro se transformou, pela acção política do PCP.
Também, de facto, o PS fez muito em quatro anos e, só, por mera cegueira politica, parece que se quer ignorar o trabalho que foi realizado.
O PS, até, na verdade, deu continuidade e concluiu um conjunto de projectos que herdou da estratégia do PCP.

Barreiro é um concelho em mudança.

Era útil para o Barreiro e para os barreirenses que o debate de ideias e de um modelo de cidade fosse uma das linhas força das campanhas eleitorais.
O PS fala em “Cidade Educadora”, e, depois, na prática : as nossas crianças continuam nas escolas, tal como estiveram durante décadas, a brincar no pó e na lama, em escolas do ensino básico, onde, sem dúvida, já era tempo de existir um plano de recuperação e valorização dos seus espaços.
O PS fala em cidade desportiva e na prática continuam a ser feitos polivalentes, como foram feitos pela CDU, sem balneários, descobertos, que impedem a sua utilização regular ao, longo de todo ao ano.
O PCP critica Emídio Xavier de este afirmar que só agora tem orgulho de viver no Barreiro, como se fosse uma coisa má, ignorando que durante décadas, o Barreiro foi uma cidade cinzenta e oprimida e que o orgulho que orgulhava viver no Barreiro não era, na verdade, a sua qualidade de vida mas era o amor que os barreirenses tinham e têm pela palavra liberdade.
Ou será que os barreirenses tinham orgulho em viver numa cidade poluída, sem espaços verdes, em ruas sem passeios, ou em casas onde a partir das 18 horas, não havia água para tomar banho?
É verdade, isso, o PCP pode orgulhar-se, pois, transformou essa triste realidade e melhorou a qualidade de vida no Barreiro.
Será que a questão central, numa discussão da vida politica local, está no orgulho de viver aqui hoje, ou no mais orgulho de ter vivido no passado?
O orgulho que todos nós devemos ter é de facto, sermos capazes de trabalhar de forma a deixarmos um Barreiro melhor para os nossos filhos, uma cidade com um projecto, com perspectivas.
Por tudo isto, seria importante que, neste período de pré-campanha eleitoral e de campanha eleitoral o debate em torno do modelo de cidade, fosse um tema central.
Há ideias colocadas sobre a mesa. Podem e devem existir opiniões diferenciadas. É importante discuti-las com os cidadãos.
Emídio Xavier e Luís Pedro Cerqueira, tiveram o mérito, de abrir este “dossier” quer através da discussão do Plano Municipal do Ambiente, quer através do colocar em debate a necessidade de elaboração de um Plano Estratégico que seja o suporte de elaboração do futuro Plano Director Municipal.
Um debate que está aberto e que merecia a critica, a reflexão e ser, talvez, a questão central de um debate eleitoral.
Digam a cidade que querem e os cidadãos poderão escolher…os políticos que deverão construir essa cidade!

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