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Inferências

InferênciasO PS anda apavorado, porquê?

As férias estão a terminar. O pessoal vai regressando e tomando contacto com as vivências quotidianas da cidade.
Naturalmente que o tema que anima as conversas são as eleições autárquicas.
Estamos a 33 dias…um número mágico.

12 min de leitura

Por Jornal Rostos

Que sentimentos encontrámos na vida politica local, neste regresso de férias é a motivação desta reflexão.
E, naturalmente, uns concordarão, outros terão a opinião contrária.
São meras reflexões. Pontos de vista.

Bloco de Esquerda retoma a esperança

O Bloco de Esquerda, antes de partirmos de férias, pareceu-nos estar com uma atitude política algo descontraída, talvez, até mesmo, marcada de alguma indiferença – “Vamos ver se vamos eleger”.
O Bloco de Esquerda estava a desenvolver a sua acção, não com vontade de intervir politicamente e agir como força que poderá viver a ter um papel activo na vida da cidade, mas estando apenas a marcar presença, agia como quem estava, inevitavelmente, a cumprir calendário.
Agora, o Bloco de Esquerda parece que renasceu e está no terreno a desdobrar-se em contactos.
É verdade, pelo que se vê pelas ruas da cidade, que o Bloco de Esquerda, até ao momento, deve ter sido a força politica que menos investimento fez na campanha eleitoral.
Mas, a verdade, é que basta um artigo de Mário Durval comentando coisas e loisas, expressando uma opinião, para que alguns socialistas, se ericem e fiquem apavorados.
Nota-se que começa a existir alguma inquietação com as candidaturas bloquistas.
O Bloco de Esquerda como quarta força política no concelho do Barreiro tem hoje responsabilidades que não tinha noutros tempos.
Hoje, o Bloco de Esquerda está à beira de eleger Vereador e tem quase garantida a eleição na Assembleia Municipal do Barreiro.
A ideia que ficamos é que o Bloco de Esquerda primeiro acreditou que a eleição de vereador era um cenário possível, num segundo momento colocou de lado esse cenário e agora voltou a acreditar.
Talvez, já seja tarde e difícil recuperar o tempo que perdeu nas indecisões e indiferenças.
Mas, seja como for, quem parece estar mais incomodado com os bloquistas são os socialistas.
É quase certo que o Bloco se conquistar vereador na Câmara do Barreiro será, em grande parte, à custa de eleitorado socialista.
Nas freguesias os candidatos apresentados pelo Bloco de Esquerda, em alguns casos, irá influenciar os resultados e determinar algumas presidências de Junta de Freguesia.
O PCP, por seu lado, parece pouco incomodado com a presença política do BE.

PSD sobe fasquia para segundo vereador

Bruno Vitorino está imparável. Começou com a pré campanha quando ainda todos andavam a pensar nas listas e nos candidatos. Foi marcando espaço. Tornou-se polémico.
Gerou conflitos. Encostou o PS à parede. Fez jogo politico com força, com agressividade, explorando as fraquezas dos socialistas, a natural impossibilidade de cumprir um programa eleitoral ambicioso, que, diga-se, mais não era que um novo projecto de cidade.
O PS foi incapaz de reagir, dizendo isso mesmo, optou pelas jogadas de criticas ao “politico desempregado”, esquecendo, ou ignorando os seus políticos desempregados ou reformados. E que não será por ataques pessoais que as coisas deixam de ser o que são.
O PSD também exagerou na forma como procurou atingir Emídio Xavier, talvez porque tem consciência que o autarca é o grande trunfo dos socialistas.
O PSD colocou a fasquia alta, apontando para a eleição de dois vereadores.
O objectivo primeiro do PSD era retirar ao PS a possibilidade de conquistar a maioria absoluta ( meta que inicialmente o PS apontava, antes da queda do governo Santana Lopes, e que, diga-se, estava ao seu alcance).
Bruno Vitorino pode afirmar-se conseguiu agir e desbravar caminho para fragilizar o PS, retirando-lhe antes de entrar na fase final da pré-campanha esse cenário hipotético da maioria absoluta.
O PSD, hoje, já aspira à conquista do segundo vereador e muitos já o consideram como uma possibilidade, facto que irrita alguns socialistas que já se imaginam “donos” do Barreiro, ao velho estilo que outrora aconteceu no “ancien regime”.
Se o PSD alcançar esta meta é uma grande vitória para o jovem político Bruno Vitorino, que não só confirma a sua liderança no PSD local, como vai capitalizar no PSD ao nível distrital.
O PSD depois de criticar, agora está na fase de apresentar propostas, lançar reptos e afirmar as suas próprias ideias para a cidade.
Pode considerar-se que o PSD está a ser uma força política activa e inovadora na sua acção politica local.
O PSD recusou qualquer aliança com o CDS/PP ( como acontece no concelho da Moita) porque sabe que vive num concelho de esquerda e que tem que conseguir ganhar votos ao centro.
O PSD até chama a si uma cultura e uma politica de esquerda, referindo que se foi feito algo na política social no concelho tal, de facto, deve-se ao PSD e critica o PS por ter sido insensível aos problemas sociais.
O PSD, portanto, está a trabalhar hoje procurando conquistar espaço que lhe permita, conseguir afirmar-se como alternativa e não como alternância ao PS no concelho do Barreiro.

PCP/CDU já abre os olhos ao PS

O PCP foi uma força politica que na oposição pouca presença politica marcou na Câmara. Na Assembleia Municipal teve alguns rasgos, mas sempre incapaz de ir para além de algum discurso repetitivo, quase parecendo que não conhecia os “dossier’s” que ficaram na autarquia que geriu durante quase 30 anos.
Inicialmente o PCP pareceu-nos partir para a sua candidatura não com um cenário de lutar pela reconquista da Câmara, mas para consolidar as suas posições, garantir a unidade interna do próprio PCP.
O cenário eleitoral colocava o PS à beira da maioria absoluta.
A queda do governo PSD e a vitória eleitoral do PS nas legislativas deu um novo fôlego ao PCP/CDU.
O PCP iniciou um trabalho de contactos com as populações e instituições. Escutou opiniões. Sentiu o pulsar da cidade.
Pouco a pouco o PCP sentiu que podia afirmar que estava a lutar pela reconquista da Presidência da Câmara.
O PS começou a encostar-se e a aceitar de forma pacífica o crescer do protagonismo do PCP.
Hoje, o PCP pode afirmar que está a lutar pela conquista da Presidência, embora não convenha encher muito o balão, porque uma derrota eleitoral pode conduzir à desmotivação no futuro dos seus eleitores e militantes.
Uma coisa é certa o PCP derrotado nas últimas eleições, acusado de destruir a cidade, está nesta fase a receber da parte do eleitorado algum apoio e coloca-se na grelha da partida com o cenário de dizer aos socialistas: cuidem-se!
Apesar de alguns socialistas considerarem que isto é uma heresia.
O PCP está “perdoado” por alguns barreirenses, não pelo trabalho de oposição que não fez, mas pelo trabalho politico do PS que este partido, enquanto tal, também não fez.
O PCP é uma força politica que é escutada na cidade e o seu candidato “fraquinho” como dizem alguns socialistas, está a dar a cartas e a incomodar e , talvez, a afirmar-se como uma alternância, que é diferente de ser alternativa.
O facto é que a 33 dias das eleições ( há um ano isto era impensável) o PCP/CDU já abre os olhos ao PS no Barreiro, e o discurso do terror, das perseguições, expulsões ( falo com conhecimento de causa) que se diz em relação ao PCP, de facto não é nada comparado a certas cenas que se viveram no Barreiro com os socialistas ( basta recordar a cena de porrada dos jovens socialistas), para além doutras situações que marcam o quotidiano e que são verdadeiras tragico-comédias políticas.
Portanto o PCP apesar de, à partida, ser difícil reconquistar a Presidência da Câmara, sem dúvida, que, nos dias de hoje, pode sonhar com esse cenário.
Basta-lhe lutar e explorar os erros do seu principal adversário o PS.
O PCP ainda não conseguiu abrir o seu espaço politico e gerar movimentos de opinião na cidade que acreditem, fortemente, que o PCP aprendeu com os erros.
O PCP aposta numa lista para a vereação marcada pela presença de jovens, talvez com duas opções: primeiro se ganhar a Presidência, recomeça com sangue novo; se perder a Presidência terá capital politico para negociar com o PS pelouros e lançar uma nova geração no futuro da cidade.
Na Assembleia Municipal coloca alguns dos actuais vereadores em lugar elegível, que poderão ser um osso duro de roer na oposição e um bom suporte politico em caso de vitória.
Nota-se que há estratégia na formação das listas do PCP/CDU.

PS tem nas próprias mãos a vitória e a derrota

O PS inicialmente estava a preparar-se para a conquista do 5º Vereador. O cenário político garantia-lhe essa possibilidade.
A queda do governo Durão Barroso/Santana Lopes foi o primeiro passo para destruir esse cenário.
Inicialmente ainda se escutou vamos arrancar para um cenário : Um Governo. Uma Câmara. Uma Freguesia.
Enquanto o governo foi perdendo o estado de graça, essa frase começou a ficar na gaveta.
E, nos dias de hoje, numa terra de esquerda como é o Barreiro, onde a esquerda até está na consciência critica de alguns socialistas que estão à margem das guerras do aparelho, o melhor é ficar-se por “uma Câmara, uma Junta”.
O PS ganhou a Câmara do Barreiro porque criou um movimento de opinião na cidade que foi para além do próprio PS.
O PS ganhou a Câmara do Barreiro porque apresentou um programa que perspectivava a criação de uma nova cidade.
O PS ganhou a Câmara porque o PCP foi autista e isolou-se das populações ou quis, por vezes, controlar a cidadania da cidade.
O PS contestou tudo isto e acabou, por vezes, por repetir os mesmos erros do PCP
O airismo, liderado por Aires de Carvalho, soube diluir-se, dar espaço à classe média no seio do PS e no seio da cidade, para ganhar muitos socialistas que, muitas vezes, votavam PS nas legislativas e PCP/CDU nas autárquicas.
Emídio Xavier soube liderar o projecto da cidade, enquanto contava com Aires de Carvalho para gerir “o ninho” das ambições individuais dos “socialistas puros e duros” ( ao velho estilo estalinista) que vivem uma cultura de anticomunismo primário – “quem não está por mim está contra mim”.
Emídio Xavier contra ventos e marés afirmou-se como o rosto do concelho do Barreiro.
Apostou na afirmação de um projecto de cidade, contando para tal, como seu braço direito, com a criatividade de Luís Pedro Cerqueira.
Desenvolveu uma “politica de estado” nas relações com o Poder Central e com a própria CDU ( que não entendeu que tinha perdido as eleições e optou pela politicas de terra queimada).
Mas o PS, nas suas “guerrinhas” internas, voltou as costas à cidade e até começou a fazer de alguns seus militantes inimigos, só porque ousam ter opinião.
A classe média que levou o PS ao poder, em parte afastou-se do PS, e aqueles que continuam a afirmar o desejo de construir uma nova cidade, encontram em Emídio Xavier, esse capital político.
Houve socialistas que apostaram na partidirazação da autarquia e nisso encontraram a oposição de Emídio Xavier. Muitos não lhe perdoaram, nem nunca vão perdoar.
O PS tem nas suas mãos a vitória ou a derrota.
A maioria absoluta é um cenário pouco credível.
A vitória está nas suas mãos. O PS é, sem dúvida o partido que, no Barreiro, tem a maior base social de apoio, no entanto, este cenário, de há muitos anos que é assim nas legislativas.
Nas autárquicas continua a ser os cerca de 5000 autóctones (aqueles que vivem o quotidiano da cidade) que decidem a Presidência da Câmara, e, todos sabemos, nem são precisas “sondagens”., como há muitos indecisos, porque o PS afastou-se dos cidadãos.
As guerras em torno da formação das listas. Os confrontos anunciados, são marcas que deixam não passam à margem dos autóctones.
O PS está na rua, com uma campanha viva e dinâmica. Tem alguns candidatos fortes com trabalho no terreno.
O PS está unido no essencial, na luta pelo poder, mas dividido na estratégia na concepção de cidade e da forma de fazer politica.
Parece é que, por vezes, o PS anda apavorado. Não tem razões para isso, para vencer basta-lhe percorrer o seu caminho e afirmar os eu projecto de cidade, que tem que ser um projecto acima e para além do Partido Socialista.
O mal é que há por aí, nos dias de hoje, alguns socialistas, que estão a cometer o mesmo erro dos comunistas, que queriam uma cidade não de cidadãos, mas “controlados pelo partido”.
Um partido nunca foi e nunca será uma cidade. Podem controlar um dia, não controlarão a vida inteira.
Agora, já nada há a fazer… é esperar e os eleitores que decidam.
Faltam 33 dias, um número mágico…que vão ser decisivos.
E se nas últimas eleições foi na recta final que o PS deu o passo da vitória, vamos ver que vai acontecer nestes dias mágicos que faltam percorrer.

CDS/PP marcar espaço

Quanto à candidatura do CDS/PP veio para marcar espaço. Talvez até para se vingar de Bruno Vitorino não ter aceite uma aliança.
Talvez até para dar uma mãozinha ao PS e evitar que o PCP reconquiste a Câmara.
Talvez, até também, para garantir um espaço de negociação politica.
O CDS/PP tem pouca expressão política no Barreiro. Não vai certamente eleger.
Marca o seu espaço. E bate o pé ao PSD.

António Sousa Pereira

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