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Inferências

Postais da CidadeA pobreza nas ruas

Foi isso que vi, com tristeza, ali na Urbanização dos Lóios, no centro desta nossa civilização do século XXI, um homem, calmamente, abrindo sacos, vasculhando um contentor de lixo e comendo os restos de comidas e bebidas que ali encontrava.

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Postais da Cidade A pobreza nas ruas

Por António Sousa Pereira

Portugal desce no ranking do desenvolvimento mundial é a notícia do dia.
Eslovénia supera Portugal.
Portugal está atrás de todos os países da Europa dos quinze.
Valha-nos a tão malfadada saúde, que todos criticam e condenam, onde Portugal apresenta um indicador positivo, no caso da mortalidade pré-natal.
A ler e ouvir as notas e comentários na comunicação social, que reflectem como Portugal vai descendo, ao longo de décadas, no ranking do desenvolvimento mundial, penso em cenas reais que fazem o nosso quotidiano e nas cenas que, infelizmente, reais.

Imagens reais do quotidiano

Não são, pois, precisos relatórios para que nós possamos sentir como a nossa pobreza vai crescendo.
Não recordo, de alguns anos atrás, ver no Barreiro, a terra dos meus filhos, pessoas a comer em contentores.
Foi isso que vi, com tristeza, ali na Urbanização dos Lóios, no centro desta nossa civilização do século XXI, um homem, calmamente, abrindo sacos, vasculhando e comendo os restos de comidas e bebidas que ali encontrava.
Era um homem, que fazia do contentor do lixo a mesa onde saboreava a sua refeição.
Uma imagem triste que dá a dimensão da crueldade da pobreza que vai alastrando e é um sinal real que prova, sem serem necessários relatórios, como o nosso lugar no ranking do desenvolvimento mundial está a descer e, sem dúvida, por este caminho continuaremos a descida…

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