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Inferências

Jerónimo Sousa no Barreiro“A CDU no Barreiro vai trabalhar para melhorar a vida dos barreirenses”

“Nada está ainda decidido, apesar da pressão e confusão das sondagens que estão a ser publicadas. Temos de ter em conta que muitos jornais de referência também apontaram que a CDU não iria ganhar a autarquia do Barreiro, e no entanto vencemos” – referiu Jerónimo Sousa, candidato à Presidência da República, num jantar com apoiantes, no Barreiro.

4 min de leitura

Por Jornal Rostos

À porta do Pavilhão da Escola Básica da Quinta Nova da Telha reuniam-se já várias pessoas cerca de meia hora antes da hora prevista para o início do jantar de apoio a
Jerónimo de Sousa.

Para que não apertasse o frio, era ali também que se vendiam cachecóis, vermelhos, como não poderia deixar de ser, e ostentando o nome do candidato a Presidente da República. Por apenas cinco euros, os apoiantes podiam aconchegar-se e ajudar a campanha de Jerónimo de Sousa.
Este chegou à hora certa e foi abordado pelo Rostos, que quis saber como se sentia num bastião recuperado pela CDU.
“Tenho muita alegria e satisfação por este reconhecimento do povo do Barreiro, que assim demonstrou o seu interesse pela obra e pela gestão da CDU. Esta é uma gestão que tem muito trabalho pela frente, e que mereceu a confiança da maioria do povo do Barreiro e estou convicto que os meus camaradas eleitos não vão defraudar as expectativas de quem neles votou, trabalhando para um Barreiro melhor e para uma qualidade de vida melhor para os barreirenses.”
Um salão repleto esperava Jerónimo de Sousa, que antes de se sentar na mesa onde já o aguardavam diversos membros da concelhia, optou por dar uma volta ao espaço cumprimentando todos os que a ele se dirigiram com uma palavra de apoio.

“Nada está decidido!”

Antes da sobremesa e do café, o esperado discurso, onde Jerónimo de Sousa não se expandiu em muitas considerações, mas no qual, durante 25 minutos, não poupou críticas ao Governo nem a Mário Soares e Cavaco Silva.
“Nada está ainda decidido, apesar da pressão e confusão das sondagens que estão a ser publicadas. Temos de ter em conta que muitos jornais de referência também apontaram que a CDU não iria ganhar a autarquia do Barreiro, e no entanto vencemos.
Há ainda muito caminho a percorrer e esta não é uma candidatura secundária. Mais do que uma batalha de um homem só, esta é uma candidatura com reais possibilidades de ir à segunda volta. Esta é, aliás a luta da CDU, chegar a à segunda volta das eleições, de forma a derrotar Cavaco Silva.”
Bem patente no discurso de Jerónimo de Sousa, ficaram as críticas ao Governo PS, “do qual se esperava uma política de esquerda mas que se limita a continuar a política do PSD, mantendo as injustiças e quebrando as promessas eleitorais, ao aumentar os impostos e não defender os trabalhadores. O objectivo da candidatura CDU é reunir os portugueses contra esta política.”

Perguntas no ar

Jerónimo de Sousa deixou ainda algumas questões a ser respondidas pelo actual Governo e também pelos dois candidatos de esquerda.
“Em que país é que estamos?
Temos um enorme fosso de desigualdades sociais e profundas discrepâncias económicas”, e para provar o que referia, o candidato apresentou algumas contas realizadas com base nos valores actuais de aumentos propostos pelo Governo, bem como a totalidade das dez maiores fortunas portuguesas e o que cada uma delas poderia pagar por ano em pensões para os idosos.
“Estão Mário Soares e Manuel Alegre de acordo com a política de direita, defendida por Cavaco Silva? Ou pretendem iniciar uma nova política de esquerda, de defesa dos trabalhadores?”
Além destes temas, o candidato a Presidente da República defendeu ainda a necessidade de defender a actual Constituição, contra os ataques feitos pelo PSD e pelo PS, que “retiram os direitos aos trabalhadores, direitos tão básicos como o da Greve. A Constituição deve ser o centro do Ser Humano, defendendo os direitos universais e não ser encarada como uma mera lista de favores do Estado. Quem defende a alteração da Constituição, defende o retrocesso dos direitos dos trabalhadores. Não é o Progresso que esta gente defende, mas sim o retrocesso ao 24 de Abril.”
E terminou com uma promessa: “o Presidente da República tem de jurar fazer cumprir a Constituição Portuguesa, contrariando o caminho da Direita e a recuperação da Câmara Municipal do Barreiro já é para mim um exemplo de que vale sempre a pena lutar pelo que queremos.”
A noite terminou ao som o Hino Nacional, entoado por todos os que enchiam o pavilhão da escola e que não deixaram de cumprimentar mais uma vez Jerónimo de Sousa pelo seu discurso e pela sua candidatura.

Maria do Carmo Torres

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