InferênciasBalanço 2005 ( I )
O ano da derrota Socialista
Hoje, reflectimos sobre alguns. Não pretendemos ser possuidores da verdade. São meras reflexões. Contributos que aqui deixamos para pensar o tempo que vivemos.

Por António Sousa Pereira
Vamos, pois, reflectir sobre alguns factos e acontecimentos que permitem pensar a cidade, seus fenómenos sociais e que permitem entender ou procurar entender os movimentos sociais.
Arte Viva – 25 anos de teatro
- Um projecto teatral fruto da perseverança
A Companhia de Teatro Arte Viva comemorou, em 2005, os seus 25 anos de actividade, demonstrando que, no Barreiro, existe criatividade, existe quem ame o teatro e faz teatro de excelência e qualidade.
O seu último espectáculo, que está em cena, foi o coroar de 25 anos de paixão pela cultura.
Fica a saudade de, na verdade, a cidade ter passado um pouco à margem desta efeméride mas, talvez, este ano, ainda seja tempo de promover uma “exposição” e edição de um catálogo que permita uma ampla divulgação à comunidade do trabalho realizado nestes 25 anos pelo Arte Viva.
Tempo, talvez, de editar uma brochura que permita “guardar” memórias de anos de dedicação, começados aos sábados, no Externato Manuel de Melo, sempre de forma permanente, e, simultaneamente dando a conhecer muitos dos rostos que foram fazendo a história do Arte Viva e do teatro barreirense.
Tempo, talvez, de promover uma iniciativa que contribua promover o convívio entre os actuais membros do Arte Viva e de muitos que foram contribuindo para que o teatro no Barreiro seja algo de vivo e com público.
Tempo, talvez, para pensar o teatro e o Barreiro como cidade que foi, é, uma escola de teatro que tem dado e continua a dar muitos nomes para a arte dramática em Portugal.
Nunca é tarde para evocar…
Escola Superior de Tecnologia do Barreiro
- Os primeiros licenciados
Outro acontecimento que marcou o ano 2005 foi, de facto, pela primeira vez, uma Escola do Ensino Superior ter lançado para o mercado de trabalho licenciados.
Foram, salvo erro, cerca de 25 licenciados que concluíram a sua licenciatura no Escola do Ensino Superior de Tecnologia do Barreiro.
Um assunto que passou à margem, não foi motivo de notícia, nem de outdoors, nem de recepção aos finalistas (excepto nós aqui no rostos, demos eco ao acontecimento).
Uma cidade que ignora este facto, ignora aquilo que lhe dá projecção no futuro e a sua política de Educação.
Os primeiros jovens licenciados eram merecedores da realização de um jantar de convívio de uma festa que demonstrasse o orgulho da cidade por, pela primeira vez, na história da cidade, serem lançados para o mercado de trabalho aqueles que concluíram um Curso Universitário no Barreiro.
Seria, até, de facto, uma forma de promover a nossa Escola Superior de Tecnologia e valoriza-la na região.
Enfim, mas, fica o registo…para a história, para que não se esqueça esta importante página nas memórias da educação no Barreiro.
Porque não promover, ainda hoje, um encontro dos primeiros jovens licenciados no concelho do Barreiro?
E, talvez, a propósito dinamizar um Seminário tendo como temática : Que papel do Ensino Superior no concelho do Barreiro?
Plano Municipal do Ambiente
- Um projecto estruturante de excelência
Os debates que foram promovidos, na forma e conteúdo, sobre a elaboração do Plano Municipal do Ambiente marcaram o debate de ideias, promovendo e estimulando a participação de forma interactiva, de forma inédita por muitos reconhecida.
Este foi um trabalho de referência que deveria ter merecido uma ampla divulgação, quer do conteúdo dos diferentes debates, quer das metodologias utilizadas. Foi subvalorizado.
Um debate que dinamizou perspectivas estruturantes e deu uma nova dimensão à forma de olhar e sentir os problemas ambientais no concelho do Barreiro, lançando raízes e apontando um caminho que é necessário continuar a percorrer e aprofundar.
Este foi um primeiro passo para se desenvolver uma “consciência ecológica” no concelho do Barreiro assente em valores, princípios, com projecção de futuro, caracterizando situações, criando condições para gerar um documento essencial de suporte à revisão do Plano Director Municipal, no que diz respeito à estrutura ecológica do concelho e à afirmação de um Barreiro Verde.
Um projecto desenvolvido em cooperação com a Universidade Nova de Lisboa, mas que, não mereceu grande relevo, na sua divulgação, e até passou quase despercebido pela maioria da população barreirense, apesar do seu importante contributo, no aprofundamento das realidades e problemas ecológicos, uma das nossas mais marcantes heranças.
O Plano Municipal do Ambiente é uma das acções mais marcantes da gestão socialista, que a CDU já referiu “vai continuar”.
Autárquicas 2005
- A derrota dos socialistas
Outro acontecimento que marcou o ano 2005 foi a realização das Eleições Autárquicas.
Parecia, podia ser, que o PS ao vencer as eleições autárquicas 2001, tinha colocado um ponto final no chamado “ciclo pendular” que se caracterizou durante décadas pela vitória, no Barreiro, dos socialistas nas Eleições Legislativas e, posteriormente, a vitória do PCP/CDU nas Eleições Autárquicas seguintes.
Mas, a bipolarização no concelho do Barreiro era e continua a ser uma realidade eleitoral.
A base social de apoio dos comunistas e dos socialistas no concelho do Barreiro estão muito próximas.
Em eleições autárquicas quer uma, quer outra força política, podem aspirar à conquista da Presidência da Câmara Municipal do Barreiro.
O PS venceu em 2001 porque lançou para a opinião pública um conjunto de projectos inovadores e a ideia que iria construir um novo modelo de viver e fazer a cidade.
Na verdade deu alguns passos nesse sentido mas, também, rapidamente, aprendeu e protagoniozou muitos dos erros que conduziram o PCP à derrota de 2001.
O PCP aprendeu a lição e saiu para a rua, no contacto e diálogo com as populações, foi construindo, passo a passo, com o trabalho que, na altura própria, denominei de formiguinha, aquele que seria o caminho que conduzia à sua vitória eleitoral.
O PS perdeu porque não soube vencer. Acreditou cedo demais que iria vencer com “maioria absoluta”.
O PS queimou os seus melhores trunfos, não deu visibilidade ao seu trabalho estruturante, nem sequer a obras que realizou.
Basta pegar na “Revista” que foi editada como balanço de mandato para percebermos aquilo que o PS achou que era importante valorizar e dá bem a dimensão dos factos que conduziram o PCP a reconquistar a Câmara Municipal do Barreiro.
O PCP venceu porque soube ir ao encontro das realidades do concelho e soube, de forma prática, fazer muito daquilo que o PS tinha prometido -principalmente o diálogo com os agentes locais.
O PCP reconquistou a Presidência da Câmara e, certamente, não será através do fomentar o “anticomunismo primário” que o PS irá reconquistar a autarquia, sobe pena de estar a quer passar aos eleitores um atestado de menoridade.
O PS não pode, nem deve ignorar, que houve muitos socialistas e sociais democratas que votaram, como era habitual em eleições autárquicas anteriores, no PCP, porque deixaram de acreditar não no PS, mas na forma como localmente protagonizou alguns “capítulos” da gestão da autarquia.
Emídio Xavier era o grande trunfo do PS e nem esse trunfo o PS soube defender e valorizar, apenas o usou como imagem e não como trunfo politico, projectando como líder de um projecto.
Mas, por hoje, ficamos por aqui…vamos continuar.
Talvez começando pela análise de conteúdo da célebre revista de balanço de mandato…













