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Inferências

InferênciasPartido Socialista entre o “ser poder” e “ser oposição” (II)

Emídio Xavier, que vai abandonar a liderança após as eleições, no dia 25 de Março, concluindo um mandato, para onde foi eleito como Presidente da Comissão Política, com base numa “unidade de banho maria” e não com base numa “plataforma de entendimentos políticos”.

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Inferências Partido Socialista entre o “ser poder” e “ser oposição” (II)

Por António Sousa Pereira

Portanto, continuando a reflexão, entramos na realidade actual do Partido Socialista.
Em primeiro lugar, será importante reflectir sobre qual a herança que o actual líder do Partido Socialista vai legar ao seu partido.
Emídio Xavier, Presidente da Comissão Política Concelhia do Partido Socialista, foi o homem que teve a coragem política de, num momento difícil, dar o passo em frente e assumir a liderança dos socialistas, perante a perda de um líder histórico, carismático e que tinha sobre o PS um controle “forte” de quase duas décadas.
Emídio Xavier tinha todas as condições para se afirmar como um líder se, obviamente, encontrasse a solidariedade e unidade da “diversidade de interesses”.
Emídio Xavier foi eleito Presidente da Comissão Política numa “unidade de banho maria” e não com base numa “plataforma de entendimentos políticos”.
Sendo Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Emídio Xavier não desejava “partidarizar” a Câmara, mas simultaneamente, agia “municipalizando” não o PS, mas, isso sim, “municipalizando” a acção política do Partido Socialista, que quase que se circunscrevia à vida politica municipal.
Tudo isto seria, facilmente superado se, entretanto, a diversidade de interesses encontrasse uma “plataforma de entendimentos” e, principalmente, se os pretensos “herdeiros” do airismo não estivessem sempre com a espada apontada ao líder Emídio Xavier, porque eles, de alguma forma, consideravam que ele lhes tinha “usurpado” o lugar de liderança (que lhes pertencia por “herança política”).

“Airismo” e “Xavierismo”

Na verdade, o Partido Socialista não se mobilizou, enquanto partido para as eleições autárquicas, porque o Partido Socialista não estava mobilizado como partido, mas dividido na sua “diversidade de interesses” e tal, de alguma forma, reflectiu-se no processo de elaboração de listas, nos “conflitos de diferenças” que tiveram expressão pública, de forma verdadeiramente sanguinária, no mundo bloguista.
Mas, todos estes conflitos não eram mais que os sinais exteriores de um processo de luta pelo poder e de “contestação psicosomática” à liderança de Emídio Xavier, principalmente, por aqueles que se consideram e consideravam com a legitimidade política de se autodefinirem como os “herdeiros de Aires de Carvalho”.
Emídio Xavier, na liderança do PS, não era o “airismo sem Aires”, nem era “xavierismo com culto de Aires”.
Emídio Xavier esperava, talvez, a vitória eleitoral nas autárquicas como caminho para “consolidar” a sua dimensão de liderança interna, mas, mesmo que tal acontecesse, uma coisa é certa, Emídio Xavier tinha um osso duro de roer pela frente, porque o “Cavalo de Tróia” estava dentro da cidade, com os “combatentes” preparados para sair e ocupar a cidade.
Portanto, o actual líder do Partido Socialista, Emídio Xavier legou, no plano partidário, nada mais, nada menos, o partido que herdou, sem grandes mutações.
Entretanto, o efeito da “unidade banho maria” acabou por excluir Emídio Xavier, ou então, por o incluir, mesmo que indirectamente, numa das “diversidades de interesses”.
Porque, em politica, não há neutros, costuma comentar-se: diz-me o que valorizas, dir-te-ei onde está a tua opção.

Um projecto de cidade

No plano autárquico, Emídio Xavier deixou um legado que, ele próprio, foi incapaz de valorizar : o arranque de um debate sobre a importância de elaboração de um Plano Estratégico do concelho; a conceptualização do Plano Municipal do Ambiente; o sentido de “estado” de respeito pelos compromissos herdados do PCP/CDU; o arranque do POLIS, com a abertura do diálogo com o Poder Central; o arranque do Masterplan; o arranque do FORUM Barreiro; as estradas e calcetamentos efectuados em Santo António da Charneca, Barreiro e Lavradio; a pavimentação da Avenida Alfredo da Silva, renovando o centro da cidade; a ligação Casquilhos- Quinta da Lomba; o arranque da nova Escola Instituto Politécnico, nos Fidalguinhos; a passagem desnivelada na Rua da Recosta ( que não é menos barreira arquitectónica que a Passagem desnivelada na Rua Miguel Bombarda), renovação de espaço públicos com embelezamento de alguns espaços da cidade, e, acima de tudo, a importância de começar a ser discutido e fomentado um projecto de cidade.
O novo PCP/CDU que emergiu, antes das autárquicas, e se relançou na vida autárquica, após a vitória, com as “Opções Participadas”, nasce na necessidade imperiosa de contrapor ao PS, por parte do PCP/CDU, uma nova forma de estar e fazer política na vida da cidade, cultivando afectos e motivando vontades.

Bode expiatório das conflitualidades

Emídio Xavier, em recente entrevista, considerava que a sua obra de mandato era o Auditório Augusto Cabrita, uma obra, afinal, cuja paternidade ele não pode chamar a si, quanto muito, foi o padrasto que criou um filho que outro gerou.
Uma posição de balanço de mandato no mínimo estranha!?
Emídio Xavier foi um líder sem força para dar, na altura própria, o murro na mesa para arrumar a casa, deixou-se embrulhar na “teia de afinidades”, ignorando, a partir de certo momento, que já não contava com a “sombra” de Aires de Carvalho para o proteger dos “conflitos de interesses” emergentes dessa “teia” caracterizada por sentimentos adversos e contraditórios.
Emídio Xavier, acabou por ser o bode expiatório dessa “conflitualidade de interesses”, porque reduziu a vida partidária e isolou o seu Partido da cidade, transferindo a acção política para a autarquia, tal como o PCP o tinha feito e pagou a factura.

A cultura e a cidadania

E, na própria gestão autárquica existiram vectores da acção que, por vezes, em nada, eram diferentes da anterior gestão.
As políticas desenvolvidas na área cultural e desportiva, diferiam muitas vezes, da anterior gestão PCP/CDU, apenas nos protagonistas.
Quantas vezes se escutou : “Volta, Carla Marina, estás perdoada!”
Se o PCP/CDU, muitas vezes, fomentou o que sempre defini como a centralização da cultura e a municipalização, o PS não se desviou desse caminho, antes pelo contrário, aprofundou o “sistema de rede”e manteve os contactos “privilegiados”.
Portanto, quando se trata de avaliar causas próximas e remotas de uma derrota eleitoral, esta da vertente cultural, que tem sido supervalorizada, mesmo pelo próprio Emídio Xavier, também tem que ser colocada sobre a mesa.
Não basta acusar Emídio Xavier e apontá-lo como culpado e tudo está resolvido.
Porque nesta coisa de “culpados” ainda estará muito, mesmo muito, por esclarecer.
Até há, na verdade, quem acuse a “liberdade de opinião” como uma das causas.

Ausência de politica de comunicação

Na sua gestão autárquica, Emídio Xavier viveu dividido entre duas dimensões, por um lado uma visão macro da cidade, que tinha como suporte as políticas implementadas na área do Planeamento e Urbanismo; por outro lado, o exagero e a supervalorização de coisas, tais como a UTIB, o Projecto EscolasBarreiro, cujo importância como modelos “estruturantes” está por saber, no futuro, seus resultados estratégicos para a promoção da cidadania, simultaneamente, ignorando ou esquecendo o trabalho realizado em pequenas obras, quer ao nível do saneamento, de arranjos de espaços públicos. Por fim, sublinhe-se, que tudo isto, se expressava, numa politica de comunicação que só tinha como linha condutora a promoção de iniciativas de carácter cultural e desportivo, ignorando, ou quase ignorando o resto, basta ver a revista editada pela CMB sobre o “balanço do mandato”, que inverte completamente a ordem de prioridades de promoção de uma visão estratégica e politica.
Tudo isto não era mais que o reflexo da gestão de “conflitos de interesses”?
De facto não houve estratégia de comunicação na vida municipal, porque colocava-se acima dos interesses municipais, a intencionalidade de dar força à dita “revolução cultural”, que, afinal, Emídio Xavier, vem agora, também valorizar, como uma das dimensões positivas que marcaram a gestão socialista.
Enfim, coisas…como é que houve uma “revolução cultural” numa cidade que optou por voltar atrás?!

As eleições no Partido Socialista

Mas, agora o Partido Socialista está em eleições internas e, na verdade, sendo um partido da área do poder, é importante reflectir sobre as candidaturas e os seus projectos.
Estão na corrida dois candidatos : Amílcar Romano e Luís Ferreira.
Amílcar Romano, não pode ser esquecido, é um dos candidatos derrotado nas últimas eleições autárquicas, responsável pelas políticas desportivas e culturais.
Alguns dos seus apoiantes, sacudindo a água do capote, na noite eleitoral, empurraram de imediato para Emídio Xavier as “culpas” da derrota eleitoral, exigindo a demissão do líder concelhio, e, de certa forma, remetendo para Emídio Xavier o ónus da culpabilidade e procurando ilibar os restantes protagonistas.

Um político “amado” e “temido”

Amílcar Romano é “amado” por uns, mas é também um homem que é, por diversas razões, “temido” por muitos socialistas, principalmente por todos aqueles que ao longo de anos caracterizaram a “diversidade de contrários” e as “culturas de intervenção” do PS local.
Amílcar Romano faz questão de sublinhar que pretende assumir a liderança do Partido Socialista, mas que não pretende assumir a Presidência da Câmara Municipal do Barreiro.
Ninguém colocou a pergunta, e, como costuma dizer-se, a pergunta é o primeiro passo para encontrar uma resposta.
Será que Amílcar Romano pretende ser um novo Aires de Carvalho, liderar o PS e abdicar da sua principal intervenção na esfera do Poder Local?
Haverá alguma contradição pelo facto de um Presidente da Comissão Politica assumir a Presidência da Câmara Municipal?
Amílcar Romano é um político hábil, um estratega na acção, cultiva uma prática politica no estilo “leninista”.
Na verdade, como dizia, em tempos, Madalena Alves Pereira – “é um corredor de fundo”, como tal, sabe que, é preciso separar os objectivos imediatos dos objectivos de médio prazo.
Não podemos esquecer aquela história da raposa que olhava para as uvas e dizia : “Estão verdes não prestam”.

Um partido e um líder

Amílcar Romano é um político que faz política e não brinca em serviço.
Mas, também é um político que, pela sua acção, já é, na verdade, conhecido na cidade.
Fala-se que Amílcar Romano poderá vencer as eleições no Partido Socialista, e, se tal acontecer, de certeza que o PCP vai contar com um PS a agir todos os dias, numa guerrilha por tudo e por nada ( procurando sempre, a todo o instante, dividir o mundo a preto e branco, os pró-comunistas e os pró-socialistas).
O PS com Amílcar Romano terá que ser purificado, galvanizado, de forma a que exista uma só liderança, um só projecto, e, que a (re)conquista da Câmara em 2009 seja a trave mestra de toda a acção politica.
Amílcar Romano é um líder de combate mas dificilmente será um líder, através de cuja acção o Partido Socialista se vá unir na sua diversidade e pluralidade ( nas suas parecenças e nas suas não parecenças).
Amílcar Romano tem uma estratégia que aponta para cultivar o “inimigo comum” o PCP e todos aqueles que “fazem o jogo do PCP”, fomentando o anticomunismo primário e tendendo a impor-se como o “salvador” que irá salvar a cidade do mal e dos maus (até dos maus socialistas).

A diversidade de culturas

O outro candidato é Luís Ferreira, um ilustre desconhecido na vida politica local, mas que conta com o apoio da “diversidade de interesses” que caracterizam a vida interna do Partido Socialista.
Luís Ferreira é um futuro líder fruto das circunstâncias e de facto um homem é sempre ele e as circunstâncias.
Luís Ferreira para uns é um “pau mandado”, há, até quem o considere uma “correia de transmissão”.
Luís Ferreira foi um acérrimo crítico, preto no branco, escrevendo, sobre a gestão socialista na CMB ( não o fazendo pelas costas ao mesmo tempo que batia palmadinhas de amizade).
Luís Ferreira é um pouco o “máximo divisor comum” das “culturas de diversidade”, mas é, também, simultaneamente, uma aposta na mobilização de novas gerações, descomprometidas com o passado.
Luís Ferreira poderá ser um moderador de diferenças, um promotor de diálogo, mas dificilmente será um líder do estilo de Amílcar Romano.
Luís Ferreira “une” à sua volta as mais díspares sensibilidades locais do Partido Socialista, desde João Pintassilgo até Júlio Freire, passando por António João Sardinha até Pedro Estadão, ou desde Eduardo Cabrita a António José Gomes, ou ainda de Caboz Gonçalves a Jorge Fagundes, de Carlos Pires a Jaime Lopes, para terminar referindo Madalena Alves Pereira e Fernanda Moreno.
Uma miscelânea que caracteriza quase todo o PS, no seu real, naquilo que foi sempre a sua história politica no Barreiro, que Aires conhecia e geria pela força do que ele chamava a unidade do “botito”.
Nunca se viu um “movimento” de tão grande abragência interna, excepto quando Aires de Carvalho, para criar condições de conquista da Câmara aceitou a formação de uma Comissão Politica Concelhia, forjada na “diversidade de interesses”.
Estranha-se, neste “movimento” a ausência de personalidades como Luís Mateus ou até mesmo Emídio Xavier.

Eduardo Cabrita candidato à presidência?

Luís Ferreira não precisa dizer que não quer ser Presidente da Câmara Municipal do Barreiro porque, naturalmente, é óbvio, que não se protagoniza com esse objectivo, mas apenas com o objectivo de liderar um “fórum” de debate político que será uma Comissão Política, onde se define a estratégia de intervenção de um partido.
Aliás, para candidato a Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, em 2009, Luís Ferreira tem nos seus apoiantes, aquele que poderá ser apontado, talvez, desde já, como o candidato natural do Partido Socialista, o mandatário Eduardo Cabrita, dado que Emídio Xavier, começa a ser, efectivamente, um capítulo encerrado, por vontade própria ou por força das circunstâncias históricas.
Luís Ferreira, refere que pretende unir o Partido Socialista, uma tarefa muito difícil, num partido que cultiva diversidades, diferenças, onde não há papas na língua, e onde todos querem ser líderes ou candidatos a candidatos, seja para a Câmara, Assembleia Municipal ou de Freguesia.
Após a sua eventual eleição, que também dizem ser uma probabilidade, no dia seguinte, os seus apoiantes diversificados, apresentarão a factura.
Luís Ferreira, pode, no entanto, contribuir para promover uma estratégia de debate interno no Partido Socialista, aprofundar as diferenças e cultivar uma acção política regular e de forma permanente.
Luís Ferreira mais que ser um homem de acção, que também quer ser, é um jovem culto, com valores e com ideias (por vezes vive o estigma do papão do comunismo), sabe o que quer para o Partido Socialista e para a cidade e poderá aproximar o PS da cidade, dado que une em torno de si diferentes sensiblidades.
O PCP com a liderança de Luís Ferreira vai contar com um PS, numa primeira fase a auto-organizar-se, numa segunda fase a definir um projecto político e, por fim, a agir como força alternativa que cultiva as diferenças, mas, igualmente, tenderá a distanciar-se da cultura política do PCP.

Agora resta “enterrar” Emídio Xavier

Em suma, o Partido Socialista está de facto numa encruzilhada e tem pela frente um longo caminho para se reencontrar e unir forças para recomeçar de novo.
O Partido Socialista vai começar a aprender a viver sem o “airismo” como referência e caminhar para o futuro com novos protagonistas.
Se for Amílcar Romano será um partido, de combate, de luta, com uma liderança única.
Se for Luís Ferreira será outro partido, de combate, de luta, com uma liderança, partilhada na diversidade.
Há diferenças de estilos, de modelos e de formas de motivar a militância.
Há diferenças nas capacidades de ligação à cidade.
De qualquer forma, enquanto o PS se distrai, nesta “conflitualidade de diferenças” que visa, acima de tudo, o ajuste de contas com o passado recente, e, obviamente, “enterrar”, com solenidade eleitoral e democrática, um dos seus melhores trunfos das últimas décadas, o bode expiatório, chamado Emídio Xavier ( diga-se, por culpa própria, porque jogou demasiado o jogo do “poder”), entretanto, o PCP/CDU lá vai avançando e caminhando, paulatinamente, agora com “Opções Participadas” nas Escolas…e construindo relações com a cidade.

Lição politica dos socialistas
Está em curso a campanha eleitoral interna no Partido Socialista.
As duas candidaturas abriram sedes de candidatura, apresentaram projectos políticos, propostas para a cidade.
O debate democrático vai realizar-se no confronto de ideias.
Um candidato será eleito.
Este é um acontecimento histórico pela sua projecção no exterior, mas, diga-se, não é a primeira vez que se regista no PS Barreiro (quem tem a memória curta, esqueceu, talvez, o confronto entre Aires de Carvalho e Eduardo Cabrita) .
O importante, após as eleições, no dia 25 de Março, será saber se o PS deste confronto democrático vai sair mais forte, ou se vai sair fragilizado.
O PS, sendo, hoje, um partido com vocação e possibilidades de ocupar o poder na cidade, tem que ser capaz de demonstrar à cidade, aquilo que muitos socialistas criticam ao PCP – o respeito pelas diferenças, a liberdade de opinião, a vivência da cidadania sem medos.

Uma cidade politicamente culta

O PCP/CDU só está a beneficiar desta “conflitualidade de interesses”,e, na verdade, de forma serena, sem se incomodar, porque só tem a ganhar com o PS se este se auto flagelar.
Sendo o Barreiro uma cidade de um “cosmopolitismo de aldeia”, tudo o que acontece vai sendo conhecido e, os tais cidadãos, que votam PS nas legislativas e PCP/CDU nas autárquicas, esperam apenas duas coisas para decidir :
1º que o PCP/CDU cumpra as expectativas que está a criar e tudo poderá estar decido;
2º que o PS demonstre de novo que é capaz de reconstruir-se e BEM para, eventualmente, repensarem a decisão, caso o PCP/CDU os venha a desiludir.
É que, por vezes, certos políticos da nossa cidade esquecem que o Barreiro, seja aquilo que for, “cidade amansada”, ou outros rótulos que gostam de lhe colocar é, de facto, acima de tudo uma cidade de esquerda e uma cidade “politicamente culta”.
Talvez por isso, tudo é tão estigmatizado, tudo tão a preto e branco, tudo é tão parecido e tudo tão igual nas diferenças, fruto da “cultura da partidarite” que marca o quotidiano.
No entanto, hoje, já é possível falar não de um regime de gestão autárquica, mas de dois regimes de gestão autárquica. As diferenças sentem-se nos votos!
Está a começar um novo ciclo…cá estaremos para ir comentando, e, naturalmente, vivermos, ou não, mais uns anos de “ciclo pendular”…

Antonio Sousa Pereira

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