Ponto e VírgulaAnálise política dos trabalhos e intervenções na Assembleia Municipal do Barreiro
Vamos iniciar a avaliação do desempenho, quer dos Deputados Municipais, quer das intervenções politicas na Assembleia Municipal, no final de cada uma das reuniões daquele órgão autárquico lugar onde, por excelência, tem expressão a “macro politica” do concelho do Barreiro.

Por António Sousa Pereira
Comentários Positivos
Elevação do Discurso politico
Na reunião da Assembleia Municipal do Barreiro que decorreu nos dias 23 de Fevereiro, 6 e 9 de Março, em primeiro lugar registamos como positivo, aquilo que consideramos uma “elevação” do discurso político.
Nota-se uma maior preocupação em dar sentido à avaliação política, pensar políticas e deixar para o lado os pormenores.
A Assembleia Municipal ganhou com a entrada de Humberto Candeias(BE), Ana Teresa Xavier(PSD) e, a participação de Carla Marina(PCP/CDU), foi um sinal que aquele é um “trunfo” que tem estado hibernado.
António João Sardinha (PS) parece que renasceu das cinzas e fez recordar o deputado e vereador que agitava a vida politica, na verdade, nos anos 80 e 90, na Assembleia ou como Vereador da CMB .
Para começar esta nova Assembleia Municipal parece que promete poder ser um “fórum politico” de excelência.
O PCP/CDU é que não está a ajudar e, pelos vistos, parece que prefere jogar nas “bocas”, sentindo-se folgada naquilo que é força de ser a “maioria absoluta”.
Carlos Humberto, não está a contar muito com a sua bancada para valorizar ou “defender” as posições do PCP/CDU, obrigando-o de forma permanente a ser ele a vestir o “papel de politico” e a colocar de lado aquela que, hoje, a sua posição institucional de Presidente da Câmara, sem dúvida sufragado pelos barreirenses e eleito pelo PCP/CDU, mas que, na verdade, na Assembleia Municipal, devia reservar as matérias relativas à sua força politica como assunto a tratar pelos seus Deputados Municipais.
Carlos Humberto está um pouco como Emídio Xavier na Assembleia anterior, ou é falta de circulação de informação entre os eleitos da CMB e AMB, ou então, no futuro ver-se-ão os resultados, dessa dificuldade politica dos deputados do PCP/CDU em serem protagonistas políticos e não apenas meros “defensores” das posições da Câmara.
Confronto Carlos Humberto – António Sardinha
Pelas intervenções registadas nestas reuniões, anuncia-se que, nas próximas reuniões, de alguma forma vai aprofundar-se o “confronto politico” entre António João Sardinha (PS) e Carlos Humberto ( PCP/CDU), Presidente da Câmara Municipal do Barreiro.
Na realidade, em diversas intervenções, de carácter politico feitas pelo deputado socialista, este não obteve “resposta” política da bancada do PCP/CDU, sendo nas intervenções de Carlos Humberto que, na verdade, as suas intervenções era “politicamente desmontadas”.
António João Sardinha versus Carlos Humberto parece ser, de certa forma, um confronto anunciado nas próximas e sucessivas reuniões se, o deputado socialista não encontrar um “adversário” na bancada CDU.
Debate ao nível político e conceptual
Humberto Candeias, Bloco de Esquerda, um peso pesado na Assembleia Municipal, não se trata de referir se, se está ou não está de acordo com as suas posições politicas, trata-se de registar que este deputado Municipal, nas suas diversas intervenções procura “puxar” o debate para a esfera da intervenção politica e conceptual, não encontrando, das restantes bancadas, muitas vezes, respostas no mesmo plano, mas apenas tiros para o lado, e desvios das questões políticas centrais colocadas à reflexão.
Comentários Negativos
A intervenção do público comentando e pressionando de forma impressionante as intervenções, principalmente quando são efectuadas pelos deputados do Partido Socialista.
Uma atitude que deveria merecer por parte do Presidente da Assembleia Municipal uma atitude mais firme, alertando par o inconveniente e ilegalidade desse tipo de intervenções que em nada ajudam ao bom desempenho do papel dos deputados municipais, nem são um exemplo positivo de participação, democracia e cidadania.
Os cidadãos têm que ser pedagogicamente, ajudados, a perceber que não podem interferir nos trabalhos.
Uma coisa é uma “boca”, um “comentário”, uma “gargalhada” porque as pessoas não são de ferro e estão ali, na verdade, a assistir aos acontecimentos, outra coisa é provocar os deputados, e, criar situações que, o PS, se tivesse coragem politica, na última reunião tinha abandonado os trabalhos e não tinha votado a deliberação de “Os Reguilas”, ou no final fazia, isso sim, uma declaração de voto de protesto exigindo ao Presidente da Assembleia a evacuação da sala e só então votava.
Ranking
1. Humberto Candeias
- Pela conteúdo político que procurou introduzir nos debates e pela acidez do seu discurso veio trazer para a Assembleia Municipal uma lufada de exigência política e está a abalar o “status quo”.
2. António João Sardinha
- Pela serenidade das suas intervenções, pelo “crescimento” e “firmeza” que registamos na sua postura politica, pela elevação que colocou nas intervenções, assume-se como um líder nas intervenções do Partido Socialista.
3. Miguel Amado
- Com poucas palavras procura separar o trigo do joio e clarificar que o PSD vale pelo que é e não pelo que outros possam querer que seja, é na verdade o líder das intervenções da bancada social democrata.
4. Madalena Alves Pereira
- Um discurso bem estruturado e irreverente, parece, no entanto marcado por alguma “agressividade” que não é necessária para quem está consciente das suas razões, diferenças e que não tem necessidade de olhar para o PCP/CDU como um inimigo mas vê-lo, de facto, naquilo que
É um adversário do qual se discorda na forma e no conteúdo politico.
José Caetano
- Com um discurso marcadamente “ideológico” que procura separar as águas e demarcar as fronteiras entre as realidades politicas que fazem a realidade politica da Assembleia Municipal, mas que, talvez a rodagem ao longo dos quatro anos lhe permita soltar-se e assumir flexibilidade, pois, as diferenças não se esbatem apenas reforçando a ideia que o mundo é a “preto e branco” mas também com afectos e diferenças.
Foi quem marcou as diferenças entre o PCP/CDU e as restantes forças políticas, claro, conjuntamente, com carlos Humberto.
5. Ana Teresa Xavier
- Com intervenções equilibradas colocando o dedo na ferida e de exigência, como quem quer, a cada momento por os “pontos nos is”, um verdadeiro reforço de peso, na equipa e na bancada do PSD.
6. Isidro Heitor
- Um discurso direccionado para matérias de ordem económica, politicamente positivo, q.b., corrigindo posturas do passado de “dar secas” ao pessoal, mas agora, com rigor e marcando o seu espaço de intervenção na sua bancada e na Assembleia Municipal.
Um deputado que pode ser um contributo positivo para o PS, porque suas intervenções são substantivas, mas que, não deve, como acontecia no passado perder-se em “delongas” e, na verdade, fazer, como nesta reunião “ir directo ao assunto” e ponto final.
7. Pedro Gomes
- Uma experiência acumulada que está a dar os seus frutos, mas a esquecer um pouco aquela sua “ironia” que dava à Assembleia uma lufada de “discurso juvenil”, porque, de facto, agora, está a tornar a sua “ironia” um pouco mais “arruaceira”, ou seja, mais de “vingativa” do que “justiceira”, fruto talvez da “maturidade politica”.
8. Rui Ferrugem
- Intervenções calmas, preocupadas apenas em marcar o terreno politico e de afirmação das ideias com base no principio nós “somos a maioria absoluta”.
Um líder um pouco apagado, com um discurso factual, de circunstância e sem rasgos que, aliás, eram, no passado, por vezes suas características, nomeadamente, marcando de forma irreverente as distâncias entre os socialistas e comunistas.
9. Carla Marina
- Fez uma única intervenção e demonstrou que está um pouco afastada da “coisa politica” e a carecer de ser mais interveniente, pois, na verdade, demonstrou que pode ser um capital político que o PCP/CDU está a desperdiçar ou a guardar para outros combates.













